Bab el-Mandeb: o avanço dos houthis ameaça outra rota do comércio mundial

A tomada de Mocha e o avanço dos houthis pela costa do Iêmen aproximam o grupo do estreito de Bab el-Mandeb, corredor vital entre o Mar Vermelho e o Oceano Índico. O risco combina comércio, petróleo e uma nova escalada humanitária.

Por Tatiana Mendonça — Munique, Alemanha

20 de setembro de 2026 às 01:01h

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A tomada de Mocha e o avanço dos houthis sobre ilhas do Mar Vermelho alteraram, em setembro de 2026, o equilíbrio da guerra no Iêmen. A proximidade do estreito de Bab el-Mandeb dá ao grupo capacidade maior de ameaçar uma rota que conecta o Oceano Índico ao Canal de Suez. Em uma região já afetada pela crise de Hormuz, o movimento eleva riscos para comércio, petróleo e civis iemenitas.

Por que Bab el-Mandeb importa

O estreito separa o Iêmen do Chifre da África e funciona como passagem para navios entre Ásia, Europa e Mediterrâneo. Uma interrupção força desvios pelo Cabo da Boa Esperança, aumentando tempo, seguro, combustível e preços.

Map Of Bab El Mandeb

Map Of Bab El Mandeb

 

Seu valor cresceu com a insegurança em Hormuz. Rotas pelo Mar Vermelho tornaram-se ainda mais importantes para exportações sauditas e fluxos energéticos globais.

O avanço dos houthis

Os houthis capturaram Mocha e avançaram pela costa e pelas ilhas Hanish. Forças apoiadas pela Arábia Saudita recuaram, produzindo a maior mudança territorial desde a trégua de 2022.

O grupo afirma que não pretende atacar indiscriminadamente o transporte comercial, embora mantenha pressão contra alvos sauditas. Experiências anteriores fazem companhias e governos tratar garantias unilaterais com cautela.

Irã, Arábia Saudita e autonomia local

Estados Unidos e aliados descrevem os houthis como representante do Irã. Teerã fornece apoio político e, segundo múltiplas avaliações, assistência militar. Mas o movimento também possui agenda própria, base social e história iemenita.

Liberdade de navegação e uso da força

O Direito do Mar protege a passagem por estreitos internacionais. Ataques contra embarcações civis podem violar essas regras e, conforme as circunstâncias, o Direito Humanitário.

Em resposta, Estados podem proteger navios e exercer autodefesa dentro de limites. Operações militares amplas no Iêmen, porém, precisam respeitar soberania, necessidade e proporcionalidade.

A Arábia Saudita procura evitar nova campanha custosa, mas ataques a seu território e risco às exportações aumentam pressão por resposta. Forças iemenitas adversárias dos houthis também podem tentar recuperar posições.

A escalada ameaça os avanços limitados obtidos desde 2022. O Iêmen continua marcado por fome, deslocamento e serviços públicos frágeis.

Uma rota global, uma população esquecida

Mercados observam o preço do petróleo; iemenitas vivem as consequências diretas. A segurança marítima será incompleta se significar proteger navios sem reabrir uma negociação política inclusiva.

Bab el-Mandeb mostra como um conflito tratado durante anos como periférico pode alcançar o centro da economia mundial. Também mostra o inverso: respostas globais costumam chegar rapidamente para defender rotas, mas lentamente para proteger as pessoas que vivem ao redor delas.

Fontes e referências

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