BRICS propõe ampliar banco e financiamento ao Sul Global

Cúpula de Nova Délhi propõe ampliar o banco dos BRICS. Análise dos efeitos sobre infraestrutura, cooperação e autonomia financeira.

Por Tatiana Mendonça — Munique, Alemanha

13 de setembro de 2026 às 08:17h

Ilustração de ferrovia, porto, moradias e estação de tratamento de água, representando investimentos em desenvolvimento.

Ilustração gerada por inteligência artificial; não representa um projeto específico.

Os países do BRICS defenderam, na cúpula de Nova Délhi, a ampliação do Novo Banco de Desenvolvimento e de seus mecanismos de financiamento, segundo reportagem publicada pelo Financial Express em 13 de setembro de 2026. A proposta inclui novas adesões e maior uso de moedas locais em operações voltadas à infraestrutura e ao desenvolvimento sustentável. O encontro também colocou em discussão iniciativas de cooperação tecnológica e comercial, aproximando a agenda diplomática do bloco de instrumentos econômicos.

O financiamento de transportes, saneamento e energia pode ampliar a capacidade produtiva dos países beneficiários. Empréstimos em moeda local também podem reduzir a exposição cambial de projetos cuja receita é obtida nessa mesma moeda, embora não eliminem juros e outros riscos. Para avaliar a expansão anunciada, será necessário acompanhar o capital efetivamente mobilizado, as condições de crédito e a distribuição dos recursos. Uma declaração de cúpula estabelece prioridades; sua execução depende de decisões financeiras e institucionais posteriores.

Na perspectiva das relações internacionais, o fortalecimento do banco amplia as alternativas de negociação disponíveis aos países em desenvolvimento. Isso não significa, por si só, superar assimetrias entre credores e devedores, inclusive dentro do Sul Global. O alcance da iniciativa deverá ser medido pela capacidade de financiar serviços e infraestrutura necessários às populações, com transparência e participação dos países receptores, e não apenas pelo crescimento do número de integrantes.

 

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