Dia Internacional da Paz — É possível construir paz sem justiça?

Dia Internacional da Paz — É possível construir paz sem justiça? Em um sistema internacionalSistema internacional é o conjunto de atores e relações cuja interação produz efeitos políticos além das fronteiras estatais. marcado por guerras prolongadas, cessar-fogoCessar-fogo é a suspensão de hostilidades acordada entre partes ou declarada por um participante de um conflito. e acordos […]

Por Tatiana Mendonça — Munique, Alemanha

21 de setembro de 2026 às 01:01h

two white doves flying

Dia Internacional da Paz — É possível construir paz sem justiça?

Em um sistema internacional marcado por guerras prolongadas, cessar-fogo e acordos de paz continuam essenciais — mas não encerram a discussão. A experiência de diferentes conflitos mostra que interromper a violência é apenas uma parte do caminho: sem responsabilização, reparação e instituições capazes de proteger direitos, a paz pode permanecer frágil.

Paz não é apenas ausência de tiros

A Organização das Nações Unidas dedica 21 de setembro à promoção da paz e da não violência. A data, porém, ganha sentido quando desloca a atenção dos discursos para as condições concretas que tornam uma paz sustentável. Um cessar-fogo pode salvar vidas imediatamente; ele não resolve, por si só, ocupação, perseguição, desigualdade, deslocamento forçado ou crimes cometidos durante um conflito.

Justiça e negociação não são opostos

O Direito Internacional oferece instrumentos distintos: o Direito Internacional Humanitário limita a condução das hostilidades; os direitos humanos continuam a impor obrigações aos Estados; e mecanismos de justiça internacional buscam responsabilizar autores de crimes graves. Na prática diplomática, contudo, negociadores frequentemente precisam decidir quanto pode ser tratado agora e quanto será deixado para depois. O risco é transformar uma solução provisória em normalização da impunidade.

A paz que dura

Diplomacia preventiva, mediação e reconstrução institucional funcionam melhor quando comunidades afetadas participam das decisões. Paz duradoura não exige que todas as injustiças sejam solucionadas antes de qualquer acordo, mas exige que elas não sejam apagadas do acordo. O desafio contemporâneo é construir negociações capazes de interromper a violência sem transformar silêncio em sinônimo de paz.

 

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