Perfil: Rosario Murillo

por 12/09/12Perfis de líderes prominentes, Poder Global

Da poeta guerrilheira a copresidente da Nicarágua

Desde fevereiro de 2025, a nicaraguense Rosario Murillo governa oficialmente ao lado do marido, Daniel Ortega, como copresidente da República — primeira mulher a ocupar o posto em um arranjo de poder inédito no continente americano, criado por emenda constitucional aprovada em Manágua.

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Rosario Murillo (c) State Duma of the Russian Federation

Murillo entrou para a política ainda nos anos 1970, no movimento sandinista que combateu a ditadura de Anastasio Somoza, e assumiu funções públicas a partir de 1985 como parlamentar. Depois de décadas como primeira-dama e porta-voz do governo, tornou-se vice-presidente em 2017 e, oito anos depois, copresidente — com poderes equivalentes aos do marido sobre o Executivo, incluindo Forças Armadas e Judiciário, segundo reportagem da Forbes Brasil.

O avanço institucional de Murillo é lido por analistas internacionais como sintoma de personalismo político, categoria central na literatura sobre regimes autoritários (Linz, 2000): o poder concentra-se não em instituições, mas em uma família que comanda diretamente o aparelho estatal.

Organismos de direitos humanos têm responsabilizado diretamente o casal pela deterioração institucional do país. Jan-Michael Simon, do Grupo de Especialistas em Direitos Humanos da ONU sobre a Nicarágua, afirmou que repressão e corrupção institucional tornaram-se o método de governo da família Ortega-Murillo. Já o Parlamento Europeu, em resolução de fevereiro de 2025, condenou formalmente a perseguição a opositores, líderes religiosos e defensores de direitos humanos sob o que classificou como “regime Ortega-Murillo”.

Sob a perspectiva de gênero na ciência política, o caso levanta uma questão espinhosa: a ascensão de Murillo ocorre não por meio de mecanismos de representação, mas pela via da hereditariedade política — o que a distancia de conquistas históricas de mulheres em cargos executivos na América Latina.

Referências:

FORBES BRASIL. Ortega diz que Nicarágua não realizará mais eleições. 20 jul. 2026. Disponível em: https://forbes.com.br/geral/2026/07/ortega-diz-que-nicaragua-nao-realizara-mais-eleicoes/. Acesso em: 13 set. 2026.

LINZ, Juan J. Totalitarian and Authoritarian Regimes. Boulder: Lynne Rienner, 2000.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. ONU: peritos revelam financiamento corrupto da repressão e rede de espionagem contra exilados na Nicarágua. Genebra: OHCHR, 10 mar. 2026. Disponível em: https://www.ohchr.org/en/press-releases/2026/03/nicaragua-un-experts-uncover-corrupt-financing-repression-and-spy-network. Acesso em: 13 set. 2026.

PARLAMENTO EUROPEU. Resolução sobre a repressão do regime Ortega-Murillo na Nicarágua. Bruxelas, 13 fev. 2025. Disponível em: https://oeil.europarl.europa.eu/oeil/en/procedure-document-summary/pdf?id=1804231. Acesso em: 13 set. 2026.

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