Coreia do Norte: o regime hereditário que agora envia soldados para a guerra na Ucrânia

A Coreia do Norte, oficialmente República Popular Democrática da Coreia, ocupa cerca de 120 mil km² na metade norte da península coreana, no leste asiático, fazendo fronteira com a China, a Rússia e a Coreia do Sul. Tem população estimada em cerca de 26 milhões de habitantes e capital em Pyongyang. É formalmente descrita por […]

Por Tatiana Mendonça — Munique, Alemanha

13 de setembro de 2026 às 17:16h

A Coreia do Norte, oficialmente República Popular Democrática da Coreia, ocupa cerca de 120 mil km² na metade norte da península coreana, no leste asiático, fazendo fronteira com a China, a Rússia e a Coreia do Sul. Tem população estimada em cerca de 26 milhões de habitantes e capital em Pyongyang. É formalmente descrita por sua Constituição como uma “república socialista”, mas funciona, na prática, como um regime totalitário hereditário, único desse tipo entre os países comunistas remanescentes.

Formação e marcos históricos

A península coreana foi dividida em 1945, ao fim da Segunda Guerra Mundial, entre uma zona de ocupação soviética ao norte e uma americana ao sul, dando origem a dois Estados rivais em 1948. A Guerra da Coreia (1950-1953), que opôs o Norte, apoiado pela China e pela URSS, ao Sul, apoiado pelos Estados Unidos e por forças da ONU, terminou em armistício sem tratado de paz formal — o que significa que as duas Coreias tecnicamente permanecem em estado de guerra até hoje, separadas por uma das fronteiras mais militarizadas do planeta.

Sob a dinastia fundada por Kim Il-sung, avô do atual líder Kim Jong-un, o país desenvolveu a ideologia oficial do “juche” (autossuficiência) e um culto à personalidade em torno da família governante sem paralelo no mundo contemporâneo. Nos anos 1990, o colapso da União Soviética e desastres naturais provocaram uma fome que matou centenas de milhares de norte-coreanos. Desde os anos 2000, o país desenvolveu um programa nuclear e de mísseis balísticos, realizando seu primeiro teste nuclear em 2006, em desafio direto às sanções internacionais impostas pela ONU.

Organizações internacionais e posição geopolítica

A Coreia do Norte é membro da ONU desde 1991, mas vive sob um dos regimes de sanções internacionais mais duros do mundo devido a seu programa nuclear. Mantém relações estreitas apenas com a China, seu principal parceiro comercial e patrono diplomático, e, mais recentemente, com a Rússia, com quem assinou um tratado de defesa mútua em 2024.

Sob Kim Jong-un, o país aprofundou o alinhamento com Moscou ao enviar tropas norte-coreanas para lutar ao lado do Exército russo na guerra contra a Ucrânia — o primeiro envio de soldados norte-coreanos a um conflito no exterior desde a própria Guerra da Coreia. Em 2026, Kim declarou a Coreia do Sul “o inimigo mais hostil” e ordenou aumento na produção de mísseis, em meio a testes contínuos de armamento de longo alcance. A relação com a Coreia do Sul, hoje sob o presidente Lee Jae-myung, oscila entre tentativas esporádicas de diálogo e episódios de escalada retórica e militar.

Sociedade, economia e o que buscar sobre o país

A economia norte-coreana é fortemente isolada e dependente de comércio informal com a China, com relatos recorrentes de escassez alimentar e violações sistemáticas de direitos humanos documentadas por organismos da ONU, incluindo trabalho forçado e ausência de liberdades civis básicas. Para quem pesquisa o país hoje, os eixos centrais são o aprofundamento da aliança militar com a Rússia, o risco de uma possível sucessão futura — alimentado pela crescente exposição pública da filha adolescente de Kim, Kim Ju-ae —, e o impasse permanente em torno da desnuclearização da península.

Referências

WIKIPEDIA. North Korea. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/North_Korea. Acesso em: 13 set. 2026.

CIA WORLD FACTBOOK. Korea, North. Disponível em: https://www.cia.gov/the-world-factbook/countries/korea-north/. Acesso em: 13 set. 2026.

EURONEWS. Coreia do Norte lança mísseis balísticos depois de declarar Sul como “o inimigo mais hostil”. 2026. Disponível em: https://pt.euronews.com/noticias/asia/coreia-do-norte. Acesso em: 13 set. 2026.

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