{"id":1923,"date":"2026-10-17T01:01:17","date_gmt":"2026-10-17T04:01:17","guid":{"rendered":"https:\/\/tatianamendonca.com\/?p=1923"},"modified":"2026-09-16T23:04:40","modified_gmt":"2026-09-17T02:04:40","slug":"dia-internacional-para-a-erradicao-da-pobreza-crescer-no-basta-quando-a-riqueza-continua-concentrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tatianamendonca.com\/temas\/desenvolvimento-global\/dia-internacional-para-a-erradicao-da-pobreza-crescer-no-basta-quando-a-riqueza-continua-concentrada\/","title":{"rendered":"Dia Internacional para a Erradica\u00e7\u00e3o da Pobreza \u2014 Crescer n\u00e3o basta quando a riqueza continua concentrada"},"content":{"rendered":"<?xml encoding=\"utf-8\" ?><p class=\"PDq2pG_selectionAnchorContainer\" data-start=\"121\" data-end=\"723\"><em data-start=\"121\" data-end=\"685\">A pobreza extrema caiu de forma hist&oacute;rica desde 1990, mas esse progresso perdeu velocidade e se tornou muito mais desigual. Com a atualiza&ccedil;&atilde;o das linhas internacionais do Banco Mundial, cerca de uma em cada dez pessoas ainda vivia em pobreza extrema em meados da d&eacute;cada de 2020. O desafio atual j&aacute; n&atilde;o &eacute; apenas fazer economias crescerem, mas entender quem se beneficia desse crescimento, quem permanece vulner&aacute;vel e por que milh&otilde;es continuam sem acesso a renda, moradia, sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o social mesmo em um mundo muito mais rico do que h&aacute; tr&ecirc;s d&eacute;cadas.<\/em><\/p>\n<h2 data-start=\"725\" data-end=\"789\">Como surgiu o Dia Internacional para a Erradica&ccedil;&atilde;o da Pobreza<\/h2>\n<p data-start=\"791\" data-end=\"1431\">O <strong data-start=\"793\" data-end=\"844\">Dia Internacional para a Erradica&ccedil;&atilde;o da Pobreza<\/strong> &eacute; celebrado em <strong data-start=\"860\" data-end=\"877\">17 de outubro<\/strong>. Sua origem est&aacute; ligada ao padre franc&ecirc;s <strong data-start=\"919\" data-end=\"939\">Joseph Wresinski<\/strong>, fundador do movimento ATD Quarto Mundo, que havia vivido a pobreza na pr&oacute;pria inf&acirc;ncia e passou a denunciar sua rela&ccedil;&atilde;o direta com exclus&atilde;o social e viola&ccedil;&atilde;o de direitos humanos. Em 17 de outubro de 1987, dezenas de milhares de pessoas se reuniram no Trocad&eacute;ro, em Paris, para afirmar que a pobreza extrema n&atilde;o deveria ser tratada como fatalidade. A ONU reconheceu posteriormente a import&acirc;ncia dessa mobiliza&ccedil;&atilde;o e instituiu oficialmente a data em 1992.<\/p>\n<p data-start=\"1433\" data-end=\"1787\">Wresinski insistia em uma ideia que permanece atual: pobreza n&atilde;o &eacute; apenas insufici&ecirc;ncia de dinheiro, mas perda de capacidade de participar plenamente da sociedade. Essa vis&atilde;o influenciou a abordagem posterior das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, que passou a tratar pobreza extrema tamb&eacute;m como quest&atilde;o de dignidade e direitos humanos.<\/p>\n<h2 data-start=\"1789\" data-end=\"1835\">A pobreza diminuiu<\/h2>\n<p data-start=\"1837\" data-end=\"2230\">Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, houve uma queda extraordin&aacute;ria da pobreza extrema global. Segundo o Banco Mundial, o n&uacute;mero de pessoas vivendo abaixo da linha internacional de extrema pobreza caiu de cerca de <strong data-start=\"2035\" data-end=\"2100\">2,3 bilh&otilde;es em 1990 para algo em torno de 830 milh&otilde;es em 2025<\/strong>. Ainda assim, a trajet&oacute;ria recente &eacute; muito menos favor&aacute;vel do que a das d&eacute;cadas anteriores.<\/p>\n<p data-start=\"2232\" data-end=\"2611\">Em junho de 2025, o Banco Mundial atualizou sua linha internacional de pobreza extrema de <strong data-start=\"2322\" data-end=\"2366\">US$ 2,15 para US$ 3,00 por pessoa ao dia<\/strong>, em valores ajustados pela paridade do poder de compra de 2021. A mudan&ccedil;a n&atilde;o significa que as pessoas ficaram subitamente mais pobres; ela reflete a atualiza&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica das compara&ccedil;&otilde;es internacionais.<\/p>\n<p data-start=\"2613\" data-end=\"2974\">Com a nova metodologia, o Banco Mundial estimou que aproximadamente <strong data-start=\"2681\" data-end=\"2745\">9,9% da popula&ccedil;&atilde;o mundial viveria em extrema pobreza em 2025<\/strong>. Uma atualiza&ccedil;&atilde;o posterior colocou a estimativa em cerca de <strong data-start=\"2806\" data-end=\"2815\">10,1%<\/strong>, mostrando tamb&eacute;m como os n&uacute;meros podem variar quando novas pesquisas domiciliares e revis&otilde;es de dados s&atilde;o incorporadas.<\/p>\n<p data-start=\"2976\" data-end=\"3301\">O problema mais preocupante &eacute; a desacelera&ccedil;&atilde;o. O relat&oacute;rio <em data-start=\"3035\" data-end=\"3073\">Poverty, Prosperity, and Planet 2024<\/em> advertiu que a redu&ccedil;&atilde;o da pobreza global havia praticamente estagnado e que, sob a trajet&oacute;ria ent&atilde;o projetada, cerca de <strong data-start=\"3194\" data-end=\"3262\">622 milh&otilde;es de pessoas ainda viveriam em extrema pobreza em 2030<\/strong>.<\/p>\n<h2 data-start=\"3303\" data-end=\"3336\">Pobreza depende da r&eacute;gua usada<\/h2>\n<p data-start=\"3338\" data-end=\"3555\">N&atilde;o existe uma &uacute;nica medida capaz de resumir toda a pobreza mundial. O Banco Mundial utiliza diferentes linhas internacionais porque o significado de priva&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica muda conforme o n&iacute;vel de renda de uma sociedade.<\/p>\n<p data-start=\"3557\" data-end=\"3842\">Desde a revis&atilde;o de 2025, a linha de <strong data-start=\"3593\" data-end=\"3613\">US$ 3,00 por dia<\/strong> &eacute; utilizada como refer&ecirc;ncia para extrema pobreza em pa&iacute;ses de baixa renda. H&aacute; ainda linhas de <strong data-start=\"3708\" data-end=\"3720\">US$ 4,20<\/strong> para economias de renda m&eacute;dia-baixa e <strong data-start=\"3759\" data-end=\"3771\">US$ 8,30<\/strong> para pa&iacute;ses de renda m&eacute;dia-alta.<\/p>\n<p data-start=\"3844\" data-end=\"4108\">Isso ajuda a explicar por que algu&eacute;m pode tecnicamente n&atilde;o estar em &ldquo;extrema pobreza&rdquo; e ainda viver em situa&ccedil;&atilde;o muito prec&aacute;ria. Uma renda ligeiramente acima de US$ 3 por dia n&atilde;o garante moradia adequada, saneamento, medicamentos, transporte ou seguran&ccedil;a econ&ocirc;mica.<\/p>\n<p data-start=\"4110\" data-end=\"4536\">Tamb&eacute;m significa que rankings de &ldquo;pa&iacute;ses mais pobres do mundo&rdquo; devem ser lidos com cautela. Guerras, deslocamentos e aus&ecirc;ncia de pesquisas domiciliares confi&aacute;veis tornam os dados especialmente fr&aacute;geis em pa&iacute;ses como Sud&atilde;o do Sul, Rep&uacute;blica Centro-Africana ou Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo. Em muitos dos contextos mais pobres, justamente onde medir a pobreza &eacute; mais importante, obter dados consistentes &eacute; tamb&eacute;m mais dif&iacute;cil.<\/p>\n<h2 data-start=\"4538\" data-end=\"4613\">O mundo ficou mais rico, mas os ganhos n&atilde;o foram distribu&iacute;dos igualmente<\/h2>\n<p data-start=\"4615\" data-end=\"4896\">Crescimento econ&ocirc;mico importa. Pa&iacute;ses que aumentam produtividade, emprego e renda conseguem reduzir pobreza mais rapidamente quando esse crescimento alcan&ccedil;a parcelas amplas da popula&ccedil;&atilde;o. O problema &eacute; que aumento do PIB, sozinho, n&atilde;o determina como os benef&iacute;cios ser&atilde;o distribu&iacute;dos.<\/p>\n<p data-start=\"4898\" data-end=\"5340\">O pr&oacute;prio Banco Mundial passou a dar maior aten&ccedil;&atilde;o &agrave; ideia de <strong data-start=\"4960\" data-end=\"4990\">prosperidade compartilhada<\/strong>, reconhecendo que o crescimento m&eacute;dio pode esconder diferen&ccedil;as profundas entre grupos sociais. Em 2023, a institui&ccedil;&atilde;o introduziu novas medidas, entre elas o <em data-start=\"5148\" data-end=\"5171\">Global Prosperity Gap<\/em>, justamente para avaliar o quanto as rendas precisam crescer para que a popula&ccedil;&atilde;o se aproxime de um padr&atilde;o m&iacute;nimo de prosperidade.<\/p>\n<p data-start=\"5342\" data-end=\"5736\">Quando crescimento econ&ocirc;mico vem acompanhado de empregos formais, sal&aacute;rios mais altos, tributa&ccedil;&atilde;o eficiente e investimento em servi&ccedil;os p&uacute;blicos, ele pode reduzir pobreza de maneira expressiva. Quando os ganhos se concentram no topo ou em setores pouco conectados ao restante da economia, &eacute; poss&iacute;vel ter expans&atilde;o do PIB convivendo com moradia prec&aacute;ria, inseguran&ccedil;a alimentar e trabalho informal.<\/p>\n<p data-start=\"5738\" data-end=\"5868\">A quest&atilde;o central, portanto, n&atilde;o &eacute; simplesmente se uma economia cresce, mas <strong data-start=\"5814\" data-end=\"5867\">como os ganhos desse crescimento s&atilde;o distribu&iacute;dos<\/strong>.<\/p>\n<h2 data-start=\"5870\" data-end=\"5904\">Pobreza tamb&eacute;m &eacute; falta de poder<\/h2>\n<p data-start=\"5906\" data-end=\"6314\">A abordagem de direitos humanos amplia ainda mais essa discuss&atilde;o. Os <strong data-start=\"5975\" data-end=\"6050\">Princ&iacute;pios Orientadores da ONU sobre Extrema Pobreza e Direitos Humanos<\/strong>, adotados em 2012, definem pobreza como uma condi&ccedil;&atilde;o caracterizada pela priva&ccedil;&atilde;o persistente de recursos, capacidades, escolhas, seguran&ccedil;a e poder necess&aacute;rios para desfrutar de um padr&atilde;o adequado de vida e de outros direitos.<\/p>\n<p data-start=\"6316\" data-end=\"6678\">Essa formula&ccedil;&atilde;o &eacute; importante porque evita reduzir pobreza a uma falha individual. Uma pessoa pode trabalhar e continuar pobre porque recebe sal&aacute;rio insuficiente; pode ter alguma renda e continuar sem acesso a transporte, moradia segura ou atendimento m&eacute;dico; pode viver formalmente acima da linha de pobreza e ainda estar a uma doen&ccedil;a ou demiss&atilde;o de perder tudo.<\/p>\n<p data-start=\"6680\" data-end=\"6803\">O Escrit&oacute;rio do Alto Comissariado das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Direitos Humanos sintetiza esse princ&iacute;pio de forma contundente:<\/p>\n<blockquote data-start=\"6805\" data-end=\"6979\">\n<p data-start=\"6807\" data-end=\"6979\"><strong data-start=\"6807\" data-end=\"6869\">&ldquo;Human dignity is at the very foundation of human rights.&rdquo;<\/strong><br data-start=\"6869\" data-end=\"6872\">&mdash; &ldquo;A dignidade humana est&aacute; na pr&oacute;pria base dos direitos humanos.&rdquo;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p data-start=\"6981\" data-end=\"7130\">A pobreza extrema, nessa perspectiva, n&atilde;o &eacute; apenas um problema estat&iacute;stico. Ela limita autonomia, participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e capacidade real de escolha.<\/p>\n<h2 data-start=\"7132\" data-end=\"7184\">Amartya Sen: pobreza como priva&ccedil;&atilde;o de capacidades<\/h2>\n<p data-start=\"7186\" data-end=\"7484\">A abordagem contempor&acirc;nea da pobreza tamb&eacute;m deve muito ao economista e fil&oacute;sofo <strong data-start=\"7266\" data-end=\"7281\">Amartya Sen<\/strong>, vencedor do Pr&ecirc;mio Nobel de Economia. Sen argumentou que desenvolvimento n&atilde;o deveria ser medido apenas por renda, mas pelas <strong data-start=\"7407\" data-end=\"7483\">capacidades reais que as pessoas possuem para viver a vida que valorizam<\/strong>.<\/p>\n<p data-start=\"7486\" data-end=\"7850\">Isso significa que duas pessoas com a mesma renda podem enfrentar condi&ccedil;&otilde;es muito diferentes. Uma pessoa com defici&ecirc;ncia pode precisar de mais recursos para alcan&ccedil;ar o mesmo grau de mobilidade; algu&eacute;m em uma regi&atilde;o sem hospitais ou escolas possui menos oportunidades mesmo que sua renda seja semelhante &agrave; de outra pessoa em uma &aacute;rea com servi&ccedil;os p&uacute;blicos robustos.<\/p>\n<p data-start=\"7852\" data-end=\"8047\">Essa abordagem influenciou profundamente o desenvolvimento humano e pol&iacute;ticas internacionais porque deslocou o foco de &ldquo;quanto algu&eacute;m ganha&rdquo; para &ldquo;o que algu&eacute;m efetivamente consegue fazer e ser&rdquo;.<\/p>\n<h2 data-start=\"8049\" data-end=\"8092\">Desigualdade n&atilde;o &eacute; um detalhe secund&aacute;rio<\/h2>\n<p data-start=\"8094\" data-end=\"8408\">A concentra&ccedil;&atilde;o de renda e patrim&ocirc;nio tamb&eacute;m influencia a velocidade com que o crescimento econ&ocirc;mico reduz pobreza. Quando uma parcela pequena da popula&ccedil;&atilde;o captura grande parte dos ganhos, o mesmo crescimento do PIB produz menos redu&ccedil;&atilde;o da pobreza do que ocorreria em uma economia com distribui&ccedil;&atilde;o mais equilibrada.<\/p>\n<p data-start=\"8410\" data-end=\"8713\">Por isso, pol&iacute;ticas como <strong data-start=\"8435\" data-end=\"8551\">tributa&ccedil;&atilde;o progressiva, sal&aacute;rio m&iacute;nimo, negocia&ccedil;&atilde;o coletiva, educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, sa&uacute;de universal e prote&ccedil;&atilde;o social<\/strong> n&atilde;o s&atilde;o apenas instrumentos de redistribui&ccedil;&atilde;o posterior. Elas influenciam diretamente a maneira como o crescimento econ&ocirc;mico &eacute; transformado em condi&ccedil;&otilde;es de vida.<\/p>\n<p data-start=\"8715\" data-end=\"8961\">O relat&oacute;rio do Banco Mundial sobre pobreza e prosperidade chama aten&ccedil;&atilde;o justamente para a necessidade de combinar crescimento com redu&ccedil;&atilde;o das desigualdades e prote&ccedil;&atilde;o contra choques econ&ocirc;micos e clim&aacute;ticos.<\/p>\n<h2 data-start=\"8963\" data-end=\"9000\">D&iacute;vida e desigualdade entre pa&iacute;ses<\/h2>\n<p data-start=\"9002\" data-end=\"9222\">A pobreza tamb&eacute;m &eacute; condicionada pela estrutura econ&ocirc;mica internacional. Pa&iacute;ses de baixa renda frequentemente pagam juros mais altos, dependem da exporta&ccedil;&atilde;o de poucas commodities e possuem menor capacidade de arrecada&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p data-start=\"9224\" data-end=\"9678\">Quando grande parte da receita p&uacute;blica precisa ser direcionada ao servi&ccedil;o da d&iacute;vida, sobra menos para hospitais, escolas, saneamento, infraestrutura e prote&ccedil;&atilde;o social. Isso n&atilde;o significa que toda d&iacute;vida seja necessariamente injusta ou que governos nacionais n&atilde;o tenham responsabilidade sobre suas pr&oacute;prias escolhas fiscais. Significa que a capacidade de combater pobreza tamb&eacute;m depende das condi&ccedil;&otilde;es em que pa&iacute;ses conseguem financiar seu desenvolvimento.<\/p>\n<p data-start=\"9680\" data-end=\"9943\">Essa discuss&atilde;o ganhou relev&acirc;ncia diante do crescimento da d&iacute;vida p&uacute;blica em economias vulner&aacute;veis, levando organismos internacionais a defender mecanismos mais r&aacute;pidos de reestrutura&ccedil;&atilde;o, financiamento concessional e aumento da capacidade fiscal dos pa&iacute;ses pobres.<\/p>\n<p data-start=\"9945\" data-end=\"10181\">O mesmo vale para evas&atilde;o e elis&atilde;o tribut&aacute;ria internacional. Quando lucros s&atilde;o deslocados para jurisdi&ccedil;&otilde;es de baixa tributa&ccedil;&atilde;o, pa&iacute;ses onde a atividade econ&ocirc;mica realmente ocorre podem perder receitas que financiariam pol&iacute;ticas p&uacute;blicas.<\/p>\n<h2 data-start=\"10183\" data-end=\"10217\">Pobreza, conflito e fragilidade<\/h2>\n<p data-start=\"10219\" data-end=\"10378\">Outra mudan&ccedil;a importante &eacute; geogr&aacute;fica. A pobreza extrema est&aacute; cada vez mais concentrada na <strong data-start=\"10310\" data-end=\"10377\">&Aacute;frica Subsaariana e em pa&iacute;ses fr&aacute;geis ou afetados por conflito<\/strong>.<\/p>\n<p data-start=\"10380\" data-end=\"10575\">Com as novas linhas de pobreza, o Banco Mundial estimou que cerca de <strong data-start=\"10449\" data-end=\"10534\">73% das pessoas extremamente pobres do mundo em 2025 viviam na &Aacute;frica Subsaariana<\/strong>.<\/p>\n<p data-start=\"10577\" data-end=\"10865\">Essa concentra&ccedil;&atilde;o torna a erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza mais dif&iacute;cil porque as &uacute;ltimas parcelas da popula&ccedil;&atilde;o em extrema pobreza est&atilde;o justamente em lugares onde as institui&ccedil;&otilde;es s&atilde;o mais fr&aacute;geis, guerras interrompem atividades econ&ocirc;micas e mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas afetam agricultura e infraestrutura.<\/p>\n<p data-start=\"10867\" data-end=\"11091\">Por isso, repetir as estrat&eacute;gias que funcionaram em economias est&aacute;veis pode n&atilde;o ser suficiente. Reduzir pobreza em Estados fr&aacute;geis exige tamb&eacute;m paz, seguran&ccedil;a, institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e capacidade de fornecer servi&ccedil;os b&aacute;sicos.<\/p>\n<h2 data-start=\"11093\" data-end=\"11125\">O que realmente reduz pobreza<\/h2>\n<p data-start=\"11127\" data-end=\"11286\">N&atilde;o existe uma pol&iacute;tica &uacute;nica capaz de erradicar pobreza, mas d&eacute;cadas de experi&ecirc;ncia internacional mostram uma combina&ccedil;&atilde;o relativamente consistente de medidas.<\/p>\n<p data-start=\"11288\" data-end=\"11700\"><strong data-start=\"11288\" data-end=\"11315\">Transfer&ecirc;ncias de renda<\/strong> podem impedir que fam&iacute;lias caiam em extrema pobreza durante crises. Educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de universais reduzem despesas que poderiam empurr&aacute;-las para a mis&eacute;ria. Sal&aacute;rio m&iacute;nimo, formaliza&ccedil;&atilde;o do trabalho e negocia&ccedil;&atilde;o coletiva podem melhorar a participa&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores nos ganhos de produtividade. Creches e pol&iacute;ticas de emprego para mulheres ampliam renda familiar e autonomia econ&ocirc;mica.<\/p>\n<p data-start=\"11702\" data-end=\"12060\">Infraestrutura rural, eletrifica&ccedil;&atilde;o, transporte e acesso &agrave; internet conectam comunidades a mercados e servi&ccedil;os. Moradia acess&iacute;vel reduz uma das principais despesas familiares, enquanto seguros sociais e sistemas de prote&ccedil;&atilde;o contra desemprego, doen&ccedil;a e desastres clim&aacute;ticos diminuem a probabilidade de fam&iacute;lias retornarem &agrave; pobreza depois de terem sa&iacute;do dela.<\/p>\n<p data-start=\"12062\" data-end=\"12257\">Nenhuma dessas medidas produz resultados isoladamente. A experi&ecirc;ncia mais consistente &eacute; justamente a combina&ccedil;&atilde;o entre crescimento econ&ocirc;mico, servi&ccedil;os p&uacute;blicos, trabalho decente e prote&ccedil;&atilde;o social.<\/p>\n<h2 data-start=\"12259\" data-end=\"12318\">A pergunta deixou de ser se sabemos como reduzir pobreza<\/h2>\n<p data-start=\"12320\" data-end=\"12659\">A humanidade disp&otilde;e hoje de riqueza, conhecimento e capacidade tecnol&oacute;gica muito superiores aos existentes quando a pobreza extrema come&ccedil;ou a cair rapidamente no final do s&eacute;culo XX. O desafio &eacute; que a parte mais dif&iacute;cil permanece: transformar recursos econ&ocirc;micos em seguran&ccedil;a material e oportunidades para quem est&aacute; na base da distribui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p data-start=\"12661\" data-end=\"12968\">O Dia Internacional para a Erradica&ccedil;&atilde;o da Pobreza serve para lembrar que pobreza n&atilde;o deve ser tratada como caracter&iacute;stica inevit&aacute;vel de determinadas pessoas ou pa&iacute;ses. Ela resulta de uma combina&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas, institui&ccedil;&otilde;es, guerras, desigualdades e decis&otilde;es pol&iacute;ticas que podem ser modificadas.<\/p>\n<p data-start=\"12970\" data-end=\"13484\">Crescimento continua sendo necess&aacute;rio, especialmente em pa&iacute;ses pobres. Mas crescimento sem distribui&ccedil;&atilde;o, servi&ccedil;os p&uacute;blicos e prote&ccedil;&atilde;o contra riscos pode aumentar a riqueza de uma sociedade sem garantir que todos tenham condi&ccedil;&otilde;es m&iacute;nimas para viver com dignidade. A quest&atilde;o central do s&eacute;culo XXI n&atilde;o &eacute; apenas <strong data-start=\"13278\" data-end=\"13319\">quanto uma economia consegue produzir<\/strong>, mas <strong data-start=\"13325\" data-end=\"13443\">quanto dessa prosperidade se transforma em liberdade real para as pessoas que possuem menos recursos e menos poder<\/strong>.<\/p>\n<h2 data-start=\"13486\" data-end=\"13500\">Refer&ecirc;ncias<\/h2>\n<p data-start=\"13502\" data-end=\"13773\">BANCO MUNDIAL. <strong data-start=\"13517\" data-end=\"13561\">June 2025 Update to Global Poverty Lines<\/strong>. Washington, D.C., 5 jun. 2025. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"13608\" data-end=\"13611\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.worldbank.org\/en\/news\/factsheet\/2025\/06\/05\/june-2025-update-to-global-poverty-lines?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"13611\" data-end=\"13706\">https:\/\/www.worldbank.org\/en\/news\/factsheet\/2025\/06\/05\/june-2025-update-to-global-poverty-lines<\/a><br data-start=\"13706\" data-end=\"13709\">Acesso em: 16 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"13775\" data-end=\"14063\">BANCO MUNDIAL. <strong data-start=\"13790\" data-end=\"13850\">The World Bank&rsquo;s new global poverty lines in 2021 prices<\/strong>. Washington, D.C., 9 jun. 2025. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"13897\" data-end=\"13900\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/blogs.worldbank.org\/en\/opendata\/the-world-bank-s-new-global-poverty-lines-in-2021-prices?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"13900\" data-end=\"13996\">https:\/\/blogs.worldbank.org\/en\/opendata\/the-world-bank-s-new-global-poverty-lines-in-2021-prices<\/a><br data-start=\"13996\" data-end=\"13999\">Acesso em: 16 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"14065\" data-end=\"14307\">BANCO MUNDIAL. <strong data-start=\"14080\" data-end=\"14127\">Poverty, Prosperity, and Planet Report 2024<\/strong>. Washington, D.C., 2024. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"14167\" data-end=\"14170\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.worldbank.org\/en\/publication\/poverty-prosperity-and-planet?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"14170\" data-end=\"14240\">https:\/\/www.worldbank.org\/en\/publication\/poverty-prosperity-and-planet<\/a><br data-start=\"14240\" data-end=\"14243\">Acesso em: 16 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"14309\" data-end=\"14512\">BANCO MUNDIAL. <strong data-start=\"14324\" data-end=\"14345\">Measuring Poverty<\/strong>. Washington, D.C. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"14378\" data-end=\"14381\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.worldbank.org\/ext\/en\/topic\/poverty\/measuring-poverty?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"14381\" data-end=\"14445\">https:\/\/www.worldbank.org\/ext\/en\/topic\/poverty\/measuring-poverty<\/a><br data-start=\"14445\" data-end=\"14448\">Acesso em: 16 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"14514\" data-end=\"14689\">BANCO MUNDIAL. <strong data-start=\"14529\" data-end=\"14540\">Poverty<\/strong>. Washington, D.C. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"14573\" data-end=\"14576\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.worldbank.org\/ext\/en\/topic\/poverty?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"14576\" data-end=\"14622\">https:\/\/www.worldbank.org\/ext\/en\/topic\/poverty<\/a><br data-start=\"14622\" data-end=\"14625\">Acesso em: 16 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"14691\" data-end=\"14950\">BANCO MUNDIAL. <strong data-start=\"14706\" data-end=\"14762\">Growth of the Bottom 40: Monitoring Inclusive Growth<\/strong>. Washington, D.C. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"14795\" data-end=\"14798\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.worldbank.org\/en\/topic\/poverty\/brief\/global-database-of-shared-prosperity?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"14798\" data-end=\"14883\">https:\/\/www.worldbank.org\/en\/topic\/poverty\/brief\/global-database-of-shared-prosperity<\/a><br data-start=\"14883\" data-end=\"14886\">Acesso em: 16 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"14952\" data-end=\"15137\">NA&Ccedil;&Otilde;ES UNIDAS. <strong data-start=\"14967\" data-end=\"15019\">International Day for the Eradication of Poverty<\/strong>. Nova York. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"15046\" data-end=\"15049\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.un.org\/en\/observances\/day-for-eradicating-poverty\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"15049\" data-end=\"15110\">https:\/\/www.un.org\/en\/observances\/day-for-eradicating-poverty<\/a><br data-start=\"15110\" data-end=\"15113\">Acesso em: 16 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"15139\" data-end=\"15515\">UNITED NATIONS DEPARTMENT OF ECONOMIC AND SOCIAL AFFAIRS &mdash; UN DESA. <strong data-start=\"15207\" data-end=\"15294\">Building an inclusive world of universal respect for human rights and human dignity<\/strong>. Nova York. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"15321\" data-end=\"15324\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/social.desa.un.org\/issues\/poverty-eradication\/news\/building-an-inclusive-world-of-universal-respect-for-human-rights?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"15324\" data-end=\"15448\">https:\/\/social.desa.un.org\/issues\/poverty-eradication\/news\/building-an-inclusive-world-of-universal-respect-for-human-rights<\/a><br data-start=\"15448\" data-end=\"15451\">Acesso em: 16 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"15517\" data-end=\"15835\">UNITED NATIONS OFFICE OF THE HIGH COMMISSIONER FOR HUMAN RIGHTS &mdash; OHCHR. <strong data-start=\"15590\" data-end=\"15648\">Guiding Principles on Extreme Poverty and Human Rights<\/strong>. Genebra, 2012. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"15679\" data-end=\"15682\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.ohchr.org\/Documents\/Publications\/OHCHR_ExtremePovertyandHumanRights_EN.pdf?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"15682\" data-end=\"15768\">https:\/\/www.ohchr.org\/Documents\/Publications\/OHCHR_ExtremePovertyandHumanRights_EN.pdf<\/a><br data-start=\"15768\" data-end=\"15771\">Acesso em: 16 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"15837\" data-end=\"15917\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\">SEN, Amartya. <strong data-start=\"15851\" data-end=\"15877\">Development as Freedom<\/strong>. Oxford: Oxford University Press, 1999.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pobreza extrema caiu de forma hist&oacute;rica desde 1990, mas esse progresso perdeu velocidade e se tornou muito mais desigual. 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