{"id":1897,"date":"2026-08-14T19:45:47","date_gmt":"2026-08-14T22:45:47","guid":{"rendered":"https:\/\/tatianamendonca.com\/?p=1897"},"modified":"2026-09-13T21:17:13","modified_gmt":"2026-09-14T00:17:13","slug":"guerra-fria-da-fe-como-religiao-entrou-na-disputa-de-poder-dos-estados-unidos-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tatianamendonca.com\/uncategorized\/guerra-fria-da-fe-como-religiao-entrou-na-disputa-de-poder-dos-estados-unidos-na-america-latina\/","title":{"rendered":"Guerra Fria da f\u00e9: como religi\u00e3o entrou na disputa de poder dos Estados Unidos na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<?xml encoding=\"utf-8\" ?><h1>Guerra Fria da f&eacute;: como religi&atilde;o entrou na disputa de poder dos Estados Unidos na Am&eacute;rica Latina<\/h1>\n<p><em>Durante a Guerra Fria, a disputa entre Estados Unidos e movimentos de esquerda na Am&eacute;rica Latina n&atilde;o aconteceu apenas nos quart&eacute;is, partidos, sindicatos ou governos. Ela atravessou tamb&eacute;m igrejas, miss&otilde;es religiosas e comunidades crist&atilde;s. Documentos desclassificados da CIA mostram que Washington avaliava a Teologia da Liberta&ccedil;&atilde;o segundo seus efeitos sobre os interesses norte-americanos. Investiga&ccedil;&otilde;es da &eacute;poca denunciaram rela&ccedil;&otilde;es entre organiza&ccedil;&otilde;es religiosas, governos e estruturas de intelig&ecirc;ncia. No Brasil, bispos cat&oacute;licos chegaram a acusar a CIA de infiltrar grupos religiosos n&atilde;o cat&oacute;licos. As evid&ecirc;ncias n&atilde;o sustentam uma explica&ccedil;&atilde;o simples segundo a qual Washington teria &ldquo;criado&rdquo; o evangelicalismo latino-americano. Sustentam, por&eacute;m, uma conclus&atilde;o importante: <strong>religi&atilde;o foi parte da disputa pol&iacute;tica e geopol&iacute;tica da Guerra Fria nas Am&eacute;ricas.<\/strong><\/em><\/p>\n<h2>Quando a f&eacute; virou assunto de intelig&ecirc;ncia<\/h2>\n<p>Em abril de 1986, a Diretoria de Intelig&ecirc;ncia da CIA produziu um relat&oacute;rio secreto de 32 p&aacute;ginas intitulado <em><strong>Liberation Theology: Religion, Reform, and Revolution<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>O documento n&atilde;o surgiu de uma curiosidade acad&ecirc;mica.<\/p>\n<p>Na pr&oacute;pria &ldquo;Scope Note&rdquo;, a CIA informa que sua Diretoria de Intelig&ecirc;ncia havia patrocinado, no ano anterior, uma confer&ecirc;ncia sobre <strong>Teologia da Liberta&ccedil;&atilde;o e comunismo<\/strong> para examinar sua rela&ccedil;&atilde;o com a instabilidade pol&iacute;tica no chamado &ldquo;Terceiro Mundo&rdquo; e avaliar suas <strong>implica&ccedil;&otilde;es para os Estados Unidos<\/strong>.<\/p>\n<p>A ag&ecirc;ncia descrevia a Teologia da Liberta&ccedil;&atilde;o como um movimento que promovia reformas socioecon&ocirc;micas mediante organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de base, aproximando duas for&ccedil;as que Washington considerava particularmente poderosas: <strong>cristianismo e marxismo<\/strong>. O relat&oacute;rio observava ainda seu car&aacute;ter abertamente cr&iacute;tico aos Estados Unidos e ao capitalismo.<\/p>\n<p>Mais adiante, o documento &eacute; expl&iacute;cito ao afirmar que a Teologia da Liberta&ccedil;&atilde;o, embora pudesse contribuir para processos de democratiza&ccedil;&atilde;o contra regimes autorit&aacute;rios, tamb&eacute;m havia representado uma <strong>grande amea&ccedil;a aos interesses norte-americanos<\/strong>, especialmente quando religiosos colaboravam com movimentos marxistas ou revolucion&aacute;rios.<\/p>\n<p>A pr&oacute;pria intelig&ecirc;ncia norte-americana estava classificando uma corrente do cristianismo latino-americano de acordo com sua rela&ccedil;&atilde;o com <strong>interesses estrat&eacute;gicos dos Estados Unidos<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Documento prim&aacute;rio:<\/strong><br>\nCIA, Directorate of Intelligence &mdash; <em>Liberation Theology: Religion, Reform, and Revolution<\/em>, abril de 1986.<\/p>\n<h2>Por que a Teologia da Liberta&ccedil;&atilde;o preocupava Washington?<\/h2>\n<p>A Teologia da Liberta&ccedil;&atilde;o ganhou for&ccedil;a na Am&eacute;rica Latina a partir das d&eacute;cadas de 1960 e 1970 em um contexto marcado por pobreza extrema, concentra&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria, desigualdade e ditaduras militares.<\/p>\n<p>Ela deslocava parte do cristianismo latino-americano para quest&otilde;es concretas: fome, explora&ccedil;&atilde;o, direitos humanos, organiza&ccedil;&atilde;o popular e estruturas econ&ocirc;micas.<\/p>\n<p>Essa transforma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o era apenas teol&oacute;gica.<\/p>\n<p>Em pa&iacute;ses como <strong>Brasil, Nicar&aacute;gua, El Salvador, Guatemala e Chile,<\/strong> sacerdotes, religiosos e leigos passaram a participar de movimentos comunit&aacute;rios, sindicatos, organiza&ccedil;&otilde;es camponesas e campanhas de direitos humanos. A historiografia sobre o per&iacute;odo reconhece que a Guerra Fria acrescentou a esses conflitos sociais locais uma disputa ideol&oacute;gica internacional entre revolu&ccedil;&atilde;o e contrarrevolu&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O relat&oacute;rio da CIA oferece uma demonstra&ccedil;&atilde;o particularmente clara de como Washington enxergava o fen&ocirc;meno.<\/p>\n<p>Ao analisar o Brasil, a ag&ecirc;ncia estimava entre <strong>70 mil e 100 mil Comunidades Eclesiais de Base<\/strong> e dizia que a Teologia da Liberta&ccedil;&atilde;o havia estimulado organiza&ccedil;&otilde;es de base que ampliavam a participa&ccedil;&atilde;o popular nas reformas pol&iacute;ticas e sociais.<\/p>\n<p>O mesmo trecho registrava a aproxima&ccedil;&atilde;o de setores cat&oacute;licos com sindicatos e com o ent&atilde;o emergente <strong>Partido dos Trabalhadores<\/strong>, especialmente em S&atilde;o Paulo.<\/p>\n<p>Isso ajuda a explicar a aten&ccedil;&atilde;o da intelig&ecirc;ncia norte-americana. N&atilde;o se tratava simplesmente de saber no que os cat&oacute;licos acreditavam. Tratava-se de compreender <strong>quem conseguia organizar os pobres, mobilizar trabalhadores e transformar autoridade religiosa em participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica<\/strong>.<\/p>\n<h2>O Brasil aparece diretamente nos documentos<\/h2>\n<p>Outro documento conservado no arquivo da CIA &eacute; uma reportagem de 16 de fevereiro de 1985 com o t&iacute;tulo <em><strong>Bishops&rsquo; Report Names CIA &mdash; Says U.S. Has &lsquo;Infiltrated&rsquo; Non-Catholic Groups in Brazil<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>Aqui a distin&ccedil;&atilde;o de autoria &eacute; importante: <strong>o texto n&atilde;o foi escrito pela CIA<\/strong>. &Eacute; uma mat&eacute;ria da Associated Press, publicada pelo <em>Washington Post<\/em>, cuja c&oacute;pia acabou preservada nos arquivos da ag&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Mas seu conte&uacute;do &eacute; historicamente significativo.<\/p>\n<p>A reportagem informa que um estudo elaborado no &acirc;mbito da Igreja Cat&oacute;lica brasileira e enviado ao Vaticano acusava a CIA de ter <strong>infiltrado grupos religiosos n&atilde;o cat&oacute;licos<\/strong> e afirmava que organiza&ccedil;&otilde;es norte-americanas enviavam grandes quantias de dinheiro para grupos religiosos independentes no Brasil.<\/p>\n<p>Segundo a mat&eacute;ria, o documento tamb&eacute;m afirmava que CIA e miss&otilde;es norte-americanas teriam ajudado determinados grupos a entrar no Brasil, inclusive facilitando vistos.<\/p>\n<p>A porta-voz da CIA citada na reportagem respondeu que a ag&ecirc;ncia n&atilde;o comentava acusa&ccedil;&otilde;es relativas &agrave;s suas atividades. O pr&oacute;prio levantamento dos bispos, entretanto, n&atilde;o explicava como teria sido estabelecida a infiltra&ccedil;&atilde;o nem identificava claramente quais grupos teriam recebido apoio financeiro.<\/p>\n<p>Esse detalhe muda o peso da evid&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>O documento prova que <strong>bispos brasileiros formularam a acusa&ccedil;&atilde;o e que ela foi considerada suficientemente relevante para circular na imprensa internacional e chegar aos arquivos da CIA<\/strong>.<\/p>\n<p>N&atilde;o prova, isoladamente, que todas as acusa&ccedil;&otilde;es eram verdadeiras.<\/p>\n<p>Mas tamb&eacute;m seria errado tratar essas suspeitas como se tivessem surgido d&eacute;cadas depois na internet. Elas existiam <strong>durante o pr&oacute;prio per&iacute;odo hist&oacute;rico investigado<\/strong>.<\/p>\n<h2>Mission&aacute;rios dos Estados Unidos j&aacute; transformavam o campo religioso brasileiro<\/h2>\n<p>Independentemente de qualquer opera&ccedil;&atilde;o clandestina, a influ&ecirc;ncia norte-americana sobre o protestantismo brasileiro est&aacute; amplamente documentada pela historiografia.<\/p>\n<p>Em sua tese de doutorado na Ohio State University, o historiador Markus Schoof analisou a expans&atilde;o do evangelicalismo norte-americano no Brasil entre 1911 e 1969.<\/p>\n<p>Sua conclus&atilde;o &eacute; clara: mission&aacute;rios protestantes dos Estados Unidos foram <strong>agentes relevantes de transforma&ccedil;&atilde;o cultural<\/strong> e transmitiram a comunidades brasileiras elementos de suas pr&oacute;prias perspectivas anticomunistas, paternalistas e conservadoras. Ao mesmo tempo, Schoof enfatiza que os brasileiros n&atilde;o foram receptores passivos dessas ideias: apropriaram-se delas, transformaram institui&ccedil;&otilde;es e criaram suas pr&oacute;prias formas de evangelicalismo.<\/p>\n<p>Essa nuance &eacute; essencial.<\/p>\n<p>Influ&ecirc;ncia norte-americana n&atilde;o significa controle absoluto.<\/p>\n<p>Uma religi&atilde;o importada ou difundida por mission&aacute;rios pode posteriormente adquirir autonomia, produzir lideran&ccedil;as locais e desenvolver objetivos completamente pr&oacute;prios.<\/p>\n<p>Mas isso n&atilde;o apaga sua hist&oacute;ria transnacional.<\/p>\n<h2>Protestantismo e anticomunismo se encontraram antes da CIA entrar na discuss&atilde;o<\/h2>\n<p>O v&iacute;nculo entre parte do evangelicalismo norte-americano e o anticomunismo n&atilde;o nasceu na d&eacute;cada de 1980.<\/p>\n<p>Pesquisa publicada pelo <em>Journal of American Studies<\/em>, da Cambridge University Press, mostra que organiza&ccedil;&otilde;es mission&aacute;rias protestantes norte-americanas j&aacute; politizavam deliberadamente sua mensagem anticomunista desde pelo menos os anos 1930.<\/p>\n<p>Na Guerra Fria, essa rela&ccedil;&atilde;o se intensificou.<\/p>\n<p>A pesquisa demonstra que mission&aacute;rios, organiza&ccedil;&otilde;es evang&eacute;licas e figuras como Billy Graham desenvolveram redes que se cruzavam com diplomatas, autoridades pol&iacute;ticas e formuladores de pol&iacute;tica externa dos Estados Unidos. Em determinados momentos, os pr&oacute;prios representantes dessas organiza&ccedil;&otilde;es recorriam ao Departamento de Estado para defender seus interesses na Am&eacute;rica Latina.<\/p>\n<p>A intera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o precisa ser reduzida a uma cadeia de comando governamental para possuir relev&acirc;ncia geopol&iacute;tica.<\/p>\n<p>Estados, igrejas, empresas, funda&ccedil;&otilde;es, organiza&ccedil;&otilde;es mission&aacute;rias e movimentos pol&iacute;ticos podem perseguir objetivos semelhantes sem funcionar como uma &uacute;nica organiza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Esse &eacute; precisamente o tipo de rede transnacional que torna a hist&oacute;ria da religi&atilde;o durante a Guerra Fria mais complexa.<\/p>\n<h2>Guatemala: quando religi&atilde;o, anticomunismo e repress&atilde;o convergiram<\/h2>\n<p>A Guatemala oferece um dos exemplos mais extremos.<\/p>\n<p>Em mar&ccedil;o de 1982, o general <strong>Efra&iacute;n R&iacute;os Montt<\/strong> chegou ao poder por meio de um golpe militar.<\/p>\n<p>R&iacute;os Montt era membro de uma igreja evang&eacute;lica ligada &agrave; Gospel Outreach, organiza&ccedil;&atilde;o baseada na Calif&oacute;rnia.<\/p>\n<p>Uma edi&ccedil;&atilde;o de 1983 do <em><strong>Covert Action Information Bulletin<\/strong><\/em> dedicou extensa investiga&ccedil;&atilde;o &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es entre grupos evang&eacute;licos norte-americanos e o regime guatemalteco.<\/p>\n<p>A publica&ccedil;&atilde;o descrevia encontros e campanhas de apoio envolvendo l&iacute;deres religiosos dos Estados Unidos e organiza&ccedil;&otilde;es que arrecadavam recursos para programas conduzidos na Guatemala durante a campanha de contrainsurg&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>O boletim era uma publica&ccedil;&atilde;o independente e explicitamente cr&iacute;tica &agrave; CIA. Portanto, suas acusa&ccedil;&otilde;es precisam ser tratadas como <strong>investiga&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica e pol&iacute;tica<\/strong>, n&atilde;o como admiss&atilde;o da ag&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Mas pesquisas acad&ecirc;micas posteriores confirmam aspectos centrais daquele contexto.<\/p>\n<p>A <em>Oxford Research Encyclopedia of Latin American History<\/em> registra que grupos pentecostais norte-americanos ganharam influ&ecirc;ncia nas rela&ccedil;&otilde;es entre Estados Unidos e Am&eacute;rica Central durante os anos 1980 e que importantes l&iacute;deres evang&eacute;licos norte-americanos apoiaram R&iacute;os Montt devido ao seu forte anticomunismo. Ronald Reagan tamb&eacute;m defendeu publicamente o governante guatemalteco.<\/p>\n<p>Essa converg&ecirc;ncia ocorreu enquanto for&ccedil;as de seguran&ccedil;a guatemaltecas eram acusadas de graves viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos.<\/p>\n<p>O ponto relevante n&atilde;o &eacute; afirmar que &ldquo;os evang&eacute;licos produziram a ditadura&rdquo;.<\/p>\n<p>&Eacute; reconhecer que <strong>setores religiosos norte-americanos forneceram legitimidade pol&iacute;tica, redes internacionais, recursos e discurso moral a um regime militar anticomunista<\/strong>.<\/p>\n<h2>Ajuda humanit&aacute;ria ou parte da contrainsurg&ecirc;ncia?<\/h2>\n<p>O <em>Covert Action Information Bulletin<\/em> apresentou uma acusa&ccedil;&atilde;o ainda mais grave.<\/p>\n<p>Segundo sua investiga&ccedil;&atilde;o, organiza&ccedil;&otilde;es religiosas norte-americanas participavam de programas de assist&ecirc;ncia nas regi&otilde;es de combate guatemaltecas enquanto mantinham rela&ccedil;&otilde;es estreitas com estruturas militares respons&aacute;veis pela pol&iacute;tica de contrainsurg&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>A edi&ccedil;&atilde;o menciona organiza&ccedil;&otilde;es como International Love Lift, Youth With a Mission e Gospel Outreach e descreve miss&otilde;es que distribu&iacute;am alimentos, medicamentos e outros recursos em regi&otilde;es onde as for&ccedil;as armadas estavam tentando reorganizar popula&ccedil;&otilde;es rurais.<\/p>\n<p>O boletim argumentava que a assist&ecirc;ncia humanit&aacute;ria podia, naquele contexto, integrar uma estrat&eacute;gia pol&iacute;tica de pacifica&ccedil;&atilde;o e controle territorial.<\/p>\n<p>Essas acusa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o podem ser automaticamente generalizadas para todas as organiza&ccedil;&otilde;es mission&aacute;rias. Mas mostram como, em guerras internas, a fronteira entre <strong>assist&ecirc;ncia religiosa, interven&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria, evangeliza&ccedil;&atilde;o e pol&iacute;tica de Estado<\/strong> pode tornar-se extremamente dif&iacute;cil de separar.<\/p>\n<h2>Nicar&aacute;gua: a religi&atilde;o estava dos dois lados<\/h2>\n<p>A Nicar&aacute;gua demonstra por que qualquer narrativa simples sobre &ldquo;religi&atilde;o versus comunismo&rdquo; tamb&eacute;m &eacute; insuficiente.<\/p>\n<p>Setores cat&oacute;licos participaram diretamente da Revolu&ccedil;&atilde;o Sandinista.<\/p>\n<p>O relat&oacute;rio de 1986 da CIA descreve a alian&ccedil;a formada entre crist&atilde;os ligados &agrave; chamada Igreja Popular e o movimento sandinista. A ag&ecirc;ncia acompanhava padres e Comunidades Eclesiais de Base que haviam participado de atividades revolucion&aacute;rias ou continuavam apoiando o governo depois de 1979.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, outros l&iacute;deres cat&oacute;licos se tornaram opositores do sandinismo.<\/p>\n<p>Ou seja, a disputa pol&iacute;tica atravessava a pr&oacute;pria Igreja.<\/p>\n<p>Para Washington, entretanto, a participa&ccedil;&atilde;o de religiosos em movimentos revolucion&aacute;rios era especialmente preocupante porque lhes conferia algo que partidos marxistas muitas vezes n&atilde;o possu&iacute;am:<\/p>\n<p><strong>legitimidade moral e acesso a comunidades profundamente religiosas.<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; essa capacidade de transformar o cristianismo em linguagem de mobiliza&ccedil;&atilde;o popular que aparece repetidamente no relat&oacute;rio da CIA.<\/p>\n<h2>A pr&oacute;pria CIA reconheceu rela&ccedil;&otilde;es com pessoas ligadas a igrejas<\/h2>\n<p>Existe outro documento oficial que ajuda a contextualizar as den&uacute;ncias sobre religi&atilde;o e intelig&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Em fevereiro de 1976, depois das investiga&ccedil;&otilde;es do Congresso norte-americano sobre abusos dos servi&ccedil;os de intelig&ecirc;ncia, o diretor da CIA publicou uma nova pol&iacute;tica sobre rela&ccedil;&otilde;es com jornalistas e religiosos.<\/p>\n<p>O texto reconhecia que a ag&ecirc;ncia havia feito <strong>&ldquo;uso limitado&rdquo; de pessoas ligadas a organiza&ccedil;&otilde;es religiosas e mission&aacute;rias<\/strong>, embora negasse impropriedade. A nova pol&iacute;tica afirmava que n&atilde;o haveria rela&ccedil;&atilde;o secreta remunerada ou contratual com cl&eacute;rigos ou mission&aacute;rios norte-americanos, embora a CIA continuasse aceitando informa&ccedil;&otilde;es fornecidas voluntariamente por pessoas desses grupos.<\/p>\n<p>Esse documento n&atilde;o confirma todas as acusa&ccedil;&otilde;es feitas posteriormente sobre miss&otilde;es espec&iacute;ficas.<\/p>\n<p>Mas estabelece um ponto relevante: <strong>a rela&ccedil;&atilde;o entre intelig&ecirc;ncia e pessoas ligadas a organiza&ccedil;&otilde;es religiosas n&atilde;o era uma fantasia inventada por cr&iacute;ticos latino-americanos<\/strong>.<\/p>\n<p>Era suficientemente real e politicamente controversa para gerar uma pol&iacute;tica formal da pr&oacute;pria ag&ecirc;ncia ap&oacute;s as investiga&ccedil;&otilde;es do chamado Church Committee, criado pelo Senado para investigar abusos de poder da CIA, FBI e outras estruturas de intelig&ecirc;ncia.<\/p>\n<h2>O Summer Institute of Linguistics e a controv&eacute;rsia mission&aacute;ria<\/h2>\n<p>O <em>Covert Action Information Bulletin<\/em> dedica ainda um cap&iacute;tulo ao <strong>Summer Institute of Linguistics\/Wycliffe Bible Translators<\/strong>, organiza&ccedil;&atilde;o mission&aacute;ria que atuava entre popula&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas e traduzia a B&iacute;blia para l&iacute;nguas locais.<\/p>\n<p>A publica&ccedil;&atilde;o relata acusa&ccedil;&otilde;es, especialmente na Col&ocirc;mbia e em outras &aacute;reas da Am&eacute;rica Latina, de que o trabalho lingu&iacute;stico tamb&eacute;m criava rela&ccedil;&otilde;es privilegiadas com comunidades ind&iacute;genas e governos nacionais.<\/p>\n<p>Novamente, o documento &eacute; uma fonte cr&iacute;tica, n&atilde;o uma decis&atilde;o judicial nem uma admiss&atilde;o da CIA.<\/p>\n<p>Mas &eacute; significativo que miss&otilde;es religiosas ocupassem posi&ccedil;&atilde;o t&atilde;o sens&iacute;vel em pa&iacute;ses onde territ&oacute;rios ind&iacute;genas, recursos naturais, guerrilhas e pol&iacute;ticas de seguran&ccedil;a nacional frequentemente se sobrepunham.<\/p>\n<p>&Eacute; justamente nesse espa&ccedil;o que miss&atilde;o religiosa e geopol&iacute;tica podiam convergir.<\/p>\n<h2>Ent&atilde;o os Estados Unidos &ldquo;evangelizaram&rdquo; a Am&eacute;rica Latina?<\/h2>\n<p>A evid&ecirc;ncia dispon&iacute;vel permite responder de maneira mais precisa.<\/p>\n<p><strong>Os Estados Unidos tiveram enorme influ&ecirc;ncia sobre a expans&atilde;o do protestantismo na Am&eacute;rica Latina.<\/strong><\/p>\n<p>Isso est&aacute; bem documentado.<\/p>\n<p>Mission&aacute;rios, recursos financeiros, institui&ccedil;&otilde;es teol&oacute;gicas, literatura religiosa, r&aacute;dio, televis&atilde;o, universidades e redes de evangeliza&ccedil;&atilde;o atravessaram o continente durante todo o s&eacute;culo XX. Estudos recentes mostram que o crescimento mission&aacute;rio ocorreu paralelamente ao aumento do poder pol&iacute;tico, econ&ocirc;mico e diplom&aacute;tico norte-americano na regi&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Parte importante dessas redes era explicitamente anticomunista.<\/strong><\/p>\n<p>Isso tamb&eacute;m est&aacute; documentado.<\/p>\n<p><strong>A CIA acompanhava as transforma&ccedil;&otilde;es religiosas e avaliava determinadas correntes crist&atilde;s segundo os interesses dos Estados Unidos.<\/strong><\/p>\n<p>O relat&oacute;rio secreto de 1986 demonstra isso diretamente.<\/p>\n<p><strong>Existiram rela&ccedil;&otilde;es entre servi&ccedil;os de intelig&ecirc;ncia e indiv&iacute;duos vinculados a institui&ccedil;&otilde;es religiosas.<\/strong><\/p>\n<p>A pr&oacute;pria pol&iacute;tica da CIA de 1976 confirma que tais rela&ccedil;&otilde;es haviam se tornado objeto de controv&eacute;rsia institucional, ainda que a ag&ecirc;ncia negasse rela&ccedil;&otilde;es secretas remuneradas com cl&eacute;rigos e mission&aacute;rios americanos.<\/p>\n<p>O que os tr&ecirc;s documentos analisados aqui <strong>n&atilde;o demonstram<\/strong>, por&eacute;m, &eacute; a exist&ecirc;ncia de uma ordem central da CIA estabelecendo algo como &ldquo;substituir o catolicismo da Am&eacute;rica Latina pelo evangelicalismo&rdquo;.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio inventar essa ordem para reconhecer o problema hist&oacute;rico.<\/p>\n<h2>O Brasil n&atilde;o foi um receptor passivo<\/h2>\n<p>Tamb&eacute;m seria um erro reduzir o evangelicalismo brasileiro a uma importa&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>As igrejas que chegaram ou cresceram sob influ&ecirc;ncia estrangeira foram progressivamente apropriadas por brasileiros.<\/p>\n<p>Novas denomina&ccedil;&otilde;es surgiram.<\/p>\n<p>Lideran&ccedil;as locais constru&iacute;ram institui&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias.<\/p>\n<p>Redes brasileiras desenvolveram televis&atilde;o, r&aacute;dio, editoras, universidades, partidos e miss&otilde;es internacionais.<\/p>\n<p>Hoje o Brasil n&atilde;o &eacute; simplesmente receptor de miss&otilde;es: &eacute; tamb&eacute;m um grande exportador de mission&aacute;rios.<\/p>\n<p>A pesquisa de Schoof &eacute; particularmente importante justamente por mostrar os dois movimentos simultaneamente: <strong>influ&ecirc;ncia cultural norte-americana e ag&ecirc;ncia brasileira<\/strong>.<\/p>\n<p>D&eacute;cadas depois, Claudia Zilla mostra como igrejas pentecostais e neopentecostais brasileiras passaram a ocupar espa&ccedil;os sociais deixados pelo Estado e pelo catolicismo e transformaram sua for&ccedil;a social em representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica pr&oacute;pria.<\/p>\n<p>Isso significa que a hist&oacute;ria iniciada em redes mission&aacute;rias estrangeiras n&atilde;o termina nelas.<\/p>\n<h2>Uma disputa pelo significado do cristianismo<\/h2>\n<p>Talvez a conclus&atilde;o mais importante dos documentos seja outra.<\/p>\n<p>A Guerra Fria latino-americana tamb&eacute;m foi uma disputa <strong>dentro do cristianismo<\/strong>.<\/p>\n<p>De um lado estavam setores que associavam a f&eacute; &agrave; transforma&ccedil;&atilde;o das estruturas econ&ocirc;micas, organiza&ccedil;&atilde;o popular e justi&ccedil;a social.<\/p>\n<p>De outro, correntes que associavam cristianismo, anticomunismo, propriedade privada, iniciativa individual e defesa da ordem.<\/p>\n<p>Nenhum desses campos foi completamente homog&ecirc;neo.<\/p>\n<p>Mas Washington percebeu a diferen&ccedil;a.<\/p>\n<p>Quando um relat&oacute;rio da CIA identifica uma corrente religiosa como amea&ccedil;a potencial aos interesses norte-americanos porque ela responsabilizava os Estados Unidos e o capitalismo pela pobreza do chamado Terceiro Mundo, ele revela muito sobre a l&oacute;gica da &eacute;poca.<\/p>\n<p>A disputa n&atilde;o era apenas entre f&eacute; e ate&iacute;smo.<\/p>\n<p>Era tamb&eacute;m uma disputa sobre <strong>qual cristianismo teria maior capacidade de organizar a sociedade latino-americana<\/strong>.<\/p>\n<h2>O que os arquivos permitem afirmar<\/h2>\n<p>Os documentos analisados n&atilde;o oferecem uma explica&ccedil;&atilde;o total para a transforma&ccedil;&atilde;o religiosa da Am&eacute;rica Latina.<\/p>\n<p>Mas tornam dif&iacute;cil sustentar que religi&atilde;o e pol&iacute;tica externa norte-americana eram universos separados.<\/p>\n<p>A evid&ecirc;ncia dispon&iacute;vel mostra uma combina&ccedil;&atilde;o de:<\/p>\n<ul>\n<li>expans&atilde;o de miss&otilde;es protestantes norte-americanas;<\/li>\n<li>circula&ccedil;&atilde;o de dinheiro e institui&ccedil;&otilde;es religiosas transnacionais;<\/li>\n<li>anticomunismo presente em importantes organiza&ccedil;&otilde;es evang&eacute;licas;<\/li>\n<li>rela&ccedil;&otilde;es entre lideran&ccedil;as religiosas e autoridades pol&iacute;ticas dos Estados Unidos;<\/li>\n<li>acompanhamento sistem&aacute;tico da Teologia da Liberta&ccedil;&atilde;o pela intelig&ecirc;ncia norte-americana;<\/li>\n<li>apoio de setores religiosos dos EUA a governos anticomunistas na Am&eacute;rica Central;<\/li>\n<li>den&uacute;ncias contempor&acirc;neas de infiltra&ccedil;&atilde;o e utiliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de organiza&ccedil;&otilde;es religiosas;<\/li>\n<li>e reconhecimento, pela pr&oacute;pria CIA, de rela&ccedil;&otilde;es com indiv&iacute;duos ligados ao mundo religioso.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Isso n&atilde;o transforma cada mission&aacute;rio em agente secreto.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m n&atilde;o transforma milh&otilde;es de evang&eacute;licos latino-americanos em produtos de uma estrat&eacute;gia estrangeira.<\/p>\n<p>Mas impede a conclus&atilde;o oposta: a de que a extraordin&aacute;ria transforma&ccedil;&atilde;o religiosa do continente aconteceu <strong>fora da hist&oacute;ria do poder norte-americano na Am&eacute;rica Latina<\/strong>.<\/p>\n<p>Ela aconteceu dentro dessa hist&oacute;ria.<\/p>\n<p>E, em determinados momentos, f&eacute;, pol&iacute;tica externa, anticomunismo e intelig&ecirc;ncia estiveram muito mais pr&oacute;ximos do que a mem&oacute;ria oficial da Guerra Fria costuma sugerir.<\/p>\n<h2 class=\"PDq2pG_selectionAnchorContainer\" data-section-id=\"62m4fv\" data-start=\"216\" data-end=\"241\">Refer&ecirc;ncias principais<\/h2>\n<p data-start=\"243\" data-end=\"577\"><strong data-start=\"243\" data-end=\"281\">CENTRAL INTELLIGENCE AGENCY (CIA).<\/strong> <em data-start=\"282\" data-end=\"337\">Liberation Theology: Religion, Reform, and Revolution<\/em>. Directorate of Intelligence, abr. 1986. Documento originalmente classificado como secreto, posteriormente desclassificado. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"476\" data-end=\"479\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.cia.gov\/readingroom\/docs\/CIA-RDP97R00694R000600050001-9.pdf\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"479\" data-end=\"550\">https:\/\/www.cia.gov\/readingroom\/docs\/CIA-RDP97R00694R000600050001-9.pdf<\/a><br data-start=\"550\" data-end=\"553\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"579\" data-end=\"891\"><strong data-start=\"579\" data-end=\"600\">ASSOCIATED PRESS.<\/strong> <em data-start=\"601\" data-end=\"687\">Bishops&rsquo; Report Names CIA: Says U.S. Has &ldquo;Infiltrated&rdquo; Non-Catholic Groups in Brazil<\/em>. <em data-start=\"689\" data-end=\"710\">The Washington Post<\/em>, Washington, 16 fev. 1985. C&oacute;pia preservada no CIA Reading Room. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"790\" data-end=\"793\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.cia.gov\/readingroom\/docs\/CIA-RDP91-00587R000200880109-6.pdf?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"793\" data-end=\"864\">https:\/\/www.cia.gov\/readingroom\/docs\/CIA-RDP91-00587R000200880109-6.pdf<\/a><br data-start=\"864\" data-end=\"867\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"893\" data-end=\"1217\"><strong data-start=\"893\" data-end=\"932\">COVERT ACTION INFORMATION BULLETIN.<\/strong> <em data-start=\"933\" data-end=\"964\">Special: The CIA and Religion<\/em>. Washington, n. 18, Winter 1983. Publica&ccedil;&atilde;o independente cr&iacute;tica &agrave; CIA, posteriormente preservada em arquivo desclassificado da ag&ecirc;ncia. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"1116\" data-end=\"1119\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.cia.gov\/readingroom\/docs\/CIA-RDP90-00845R000100180004-4.pdf?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"1119\" data-end=\"1190\">https:\/\/www.cia.gov\/readingroom\/docs\/CIA-RDP90-00845R000100180004-4.pdf<\/a><br data-start=\"1190\" data-end=\"1193\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"1219\" data-end=\"1529\"><strong data-start=\"1219\" data-end=\"1238\">SCHOOF, Markus.<\/strong> <em data-start=\"1239\" data-end=\"1313\">Conform Rebels: The Rise of American Evangelicalism in Brazil, 1911&ndash;1969<\/em>. 2023. Tese (Doutorado) &mdash; The Ohio State University, Columbus, 2023. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"1397\" data-end=\"1400\"><a class=\"decorated-link cursor-pointer\" target=\"_new\" rel=\"noopener\" data-start=\"1400\" data-end=\"1502\">https:\/\/etd.ohiolink.edu\/acprod\/odb_etd\/r\/etd\/search\/10?clear=10&amp;p10_accession_num=osu1692095945435315<\/a><br data-start=\"1502\" data-end=\"1505\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"1531\" data-end=\"2008\"><strong data-start=\"1531\" data-end=\"1556\">KIRKPATRICK, David C.<\/strong> The Latin American Bullring: US Evangelicals and the Reception of Anti-Protestant Violence from Cold War Colombia. <em data-start=\"1672\" data-end=\"1701\">Journal of American Studies<\/em>, Cambridge: Cambridge University Press, 2023. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"1762\" data-end=\"1765\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/journal-of-american-studies\/article\/latin-american-bullring-us-evangelicals-and-the-reception-of-antiprotestant-violence-from-cold-war-colombia\/482D862E60D5C68EC1254705E1BFAE63?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"1765\" data-end=\"1981\">https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/journal-of-american-studies\/article\/latin-american-bullring-us-evangelicals-and-the-reception-of-antiprotestant-violence-from-cold-war-colombia\/482D862E60D5C68EC1254705E1BFAE63<\/a><br data-start=\"1981\" data-end=\"1984\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"2010\" data-end=\"2283\"><strong data-start=\"2010\" data-end=\"2072\">CATHOLICS, Evangelicals, and US Policy in Central America.<\/strong> In: <em data-start=\"2077\" data-end=\"2133\">Oxford Research Encyclopedia of Latin American History<\/em>. Oxford: Oxford University Press. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"2182\" data-end=\"2185\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/edited-volume\/61800\/chapter-abstract\/546346977?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"2185\" data-end=\"2256\">https:\/\/academic.oup.com\/edited-volume\/61800\/chapter-abstract\/546346977<\/a><br data-start=\"2256\" data-end=\"2259\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"2285\" data-end=\"2595\"><strong data-start=\"2285\" data-end=\"2304\">ZILLA, Claudia.<\/strong> <em data-start=\"2305\" data-end=\"2394\">Evangelicals and Politics in Brazil: The Relevance of Religious Change in Latin America<\/em>. Berlin: Stiftung Wissenschaft und Politik, 2020. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"2459\" data-end=\"2462\"><a class=\"decorated-link cursor-pointer\" target=\"_new\" rel=\"noopener\" data-start=\"2462\" data-end=\"2568\">https:\/\/www.swp-berlin.org\/publications\/products\/research_papers\/2020RP01_Evangelicals_Politics_Brazil.pdf<\/a><br data-start=\"2568\" data-end=\"2571\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"2597\" data-end=\"2909\"><strong data-start=\"2597\" data-end=\"2622\">UNITED STATES SENATE.<\/strong> <em data-start=\"2623\" data-end=\"2739\">Church Committee: Senate Select Committee to Study Governmental Operations with Respect to Intelligence Activities<\/em>. Washington, D.C.: U.S. Senate, 1975&ndash;1976. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"2797\" data-end=\"2800\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.senate.gov\/about\/powers-procedures\/investigations\/church-committee.htm\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"2800\" data-end=\"2882\">https:\/\/www.senate.gov\/about\/powers-procedures\/investigations\/church-committee.htm<\/a><br data-start=\"2882\" data-end=\"2885\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"2911\" data-end=\"3233\"><strong data-start=\"2911\" data-end=\"2949\">CENTRAL INTELLIGENCE AGENCY (CIA).<\/strong> <em data-start=\"2950\" data-end=\"2975\">DCI Statement of Policy<\/em>. 11 fev. 1976. Documento referente &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es da CIA com jornalistas, cl&eacute;rigos, mission&aacute;rios e pessoas vinculadas a organiza&ccedil;&otilde;es religiosas. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"3132\" data-end=\"3135\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.cia.gov\/readingroom\/document\/cia-rdp82b00421r000100020039-7?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"3135\" data-end=\"3206\">https:\/\/www.cia.gov\/readingroom\/document\/cia-rdp82b00421r000100020039-7<\/a><br data-start=\"3206\" data-end=\"3209\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guerra Fria da f&eacute;: como religi&atilde;o entrou na disputa de poder dos Estados Unidos na Am&eacute;rica Latina Durante a Guerra Fria, a disputa entre Estados Unidos e movimentos de esquerda na Am&eacute;rica Latina n&atilde;o aconteceu apenas nos quart&eacute;is, partidos, sindicatos ou governos. Ela atravessou tamb&eacute;m igrejas, miss&otilde;es religiosas e comunidades crist&atilde;s. Documentos desclassificados da CIA [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1900,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","rop_custom_images_group":[],"rop_custom_messages_group":[],"rop_publish_now":"no","rop_publish_now_accounts":{"facebook_1005035685341291_1168996842959697":""},"rop_publish_now_history":[{"account":"facebook_1005035685341291_1168996842959697","service":"facebook","timestamp":1786748003,"status":"queued"}],"rop_publish_now_status":"queued","ngg_post_thumbnail":0,"wpai_generated_summary":"","_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"wpai_meta_description":"","footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[1152,1151,3],"tags":[19,723,482,1066,14,134,840,452,158,845,645,17,892,118,1203,1064,1202,157,602,686,15,99,1035,714,547,1187,1065,859],"class_list":["post-1897","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-america-do-norte","category-america-latina-caribe","category-geopolitica-diplomacia","tag-america-latina","tag-americas","tag-brasil","tag-cia","tag-direitos-humanos","tag-estado","tag-estados","tag-estados-unidos","tag-estruturas","tag-eua","tag-evangelicos","tag-geopolitica","tag-governos","tag-guerra","tag-guerra-diplomacia","tag-guerra-fria","tag-hegemonia-imperio-informal","tag-historia","tag-instituicoes","tag-outro","tag-poder-global","tag-politica-externa","tag-politicas","tag-recursos","tag-religiao","tag-religiao-direitos","tag-teologia-da-libertacao","tag-transformacao","et-has-post-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Guerra-Fria-da-fe-como-religiao-entrou-na-disputa-de-poder-dos-Estados-Unidos-na-America-Latina.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1897","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1897"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1897\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1903,"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1897\/revisions\/1903"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1900"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1897"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1897"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1897"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}