{"id":1931,"date":"2026-09-01T01:01:33","date_gmt":"2026-09-01T04:01:33","guid":{"rendered":"https:\/\/tatianamendonca.com\/?p=1931"},"modified":"2026-08-15T10:20:27","modified_gmt":"2026-08-15T13:20:27","slug":"antikriegstag-entre-o-nunca-mais-a-staatsrson-e-a-alemanha-que-volta-a-se-armar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tatianamendonca.com\/temas\/geopolitica-diplomacia\/antikriegstag-entre-o-nunca-mais-a-staatsrson-e-a-alemanha-que-volta-a-se-armar\/","title":{"rendered":"01\/09\/2026 Antikriegstag: entre o \u2018Nunca Mais\u2019, a Staatsr\u00e4son e o rearmamento da Alemanha"},"content":{"rendered":"<?xml encoding=\"utf-8\" ?><h1>Antikriegstag: entre o &lsquo;Nunca Mais&rsquo;, a Staatsr&auml;son e o rearmamento da Alemanha<\/h1>\n<p><em>Em 1&ordm; de setembro de 1939, a Alemanha nazista invadiu a Pol&ocirc;nia e deu in&iacute;cio &agrave; Segunda Guerra Mundial na Europa. Oitenta e sete anos depois, o Antikriegstag encontra o pa&iacute;s diante de outra transforma&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica: a Alemanha amplia drasticamente seus gastos militares, pretende construir a for&ccedil;a convencional mais poderosa da Europa, tornou-se o quarto maior exportador mundial de grandes sistemas de armas e &eacute; um dos principais fornecedores militares da Ucr&acirc;nia e de Israel. Ao mesmo tempo, afirma investir em diplomacia e em uma ordem internacional baseada em regras. A quest&atilde;o n&atilde;o &eacute; se a Alemanha deve permanecer indefesa. &Eacute; que tipo de pot&ecirc;ncia pretende tornar-se &mdash; e se aplica aos aliados os mesmos princ&iacute;pios que exige dos advers&aacute;rios.<\/em><\/p>\n<h2>Do &ldquo;Nie wieder Krieg&rdquo; &agrave; <em>Zeitenwende<\/em><\/h2>\n<p>O <strong>Antikriegstag<\/strong>, celebrado pelo movimento sindical alem&atilde;o desde 1957, n&atilde;o representa uma condena&ccedil;&atilde;o abstrata de todas as guerras. Sua origem est&aacute; diretamente ligada &agrave; responsabilidade hist&oacute;rica alem&atilde;. Em 1&ordm; de setembro de 1939, a Wehrmacht invadiu a Pol&ocirc;nia como parte do projeto expansionista, racista e imperial do regime nazista.<\/p>\n<p>A mem&oacute;ria &eacute; relevante porque guerras n&atilde;o come&ccedil;am apenas quando o primeiro m&iacute;ssil &eacute; lan&ccedil;ado. Elas tamb&eacute;m s&atilde;o preparadas por discursos, constru&ccedil;&atilde;o de inimigos, propaganda, expans&atilde;o de estruturas militares e normaliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da ideia de que a viol&ecirc;ncia ser&aacute; inevit&aacute;vel.<\/p>\n<p>Em 2026, a <strong>Confedera&ccedil;&atilde;o Alem&atilde; de Sindicatos (Deutscher Gewerkschaftsbund &ndash; DGB)<\/strong> escolheu para o Antikriegstag o lema <strong>&ldquo;Friedensf&auml;hig statt kriegst&uuml;chtig&rdquo;<\/strong> &mdash; algo como &ldquo;capaz de construir a paz, em vez de preparado para a guerra&rdquo;. A escolha responde diretamente a uma palavra que voltou ao centro da pol&iacute;tica alem&atilde;: <em>kriegst&uuml;chtig<\/em>, utilizada pelo ministro da Defesa Boris Pistorius para defender uma <strong>Bundeswehr &mdash; as For&ccedil;as Armadas alem&atilde;s &mdash;<\/strong> preparada para combater.<\/p>\n<p>Essa transforma&ccedil;&atilde;o come&ccedil;ou politicamente com a <strong>Zeitenwende<\/strong> anunciada por Olaf Scholz depois da invas&atilde;o russa da Ucr&acirc;nia, em fevereiro de 2022, mas avan&ccedil;ou sob Friedrich Merz.<\/p>\n<p>Estudos recentes mostram que essa mudan&ccedil;a n&atilde;o &eacute; apenas or&ccedil;ament&aacute;ria. L&ouml;fflmann e Riemann interpretam a <em>Zeitenwende<\/em> como uma ruptura com uma identidade alem&atilde; de p&oacute;s-guerra marcada pela conten&ccedil;&atilde;o militar, pela <em>Ostpolitik<\/em> e pela ideia da Alemanha como pot&ecirc;ncia sobretudo econ&ocirc;mica e civil (L&Ouml;FFLMANN; RIEMANN, 2026). O&rsquo;Neal, por sua vez, observa que a tradicional &ldquo;cultura de conten&ccedil;&atilde;o&rdquo; alem&atilde; n&atilde;o desapareceu, mas est&aacute; sendo progressivamente reformulada diante de um ambiente europeu percebido como mais amea&ccedil;ador (O&rsquo;NEAL, 2024).<\/p>\n<p>Merz deu &agrave; mudan&ccedil;a uma formula&ccedil;&atilde;o particularmente ambiciosa:<\/p>\n<blockquote><p><strong>&ldquo;Wir werden die Bundeswehr schnellstm&ouml;glich zur st&auml;rksten konventionellen Armee Europas machen.&rdquo;<\/strong><br>\n&ldquo;Faremos da Bundeswehr, o mais rapidamente poss&iacute;vel, o ex&eacute;rcito convencional mais forte da Europa.&rdquo;<\/p><\/blockquote>\n<p>E sintetizou a l&oacute;gica da dissuas&atilde;o em sua primeira declara&ccedil;&atilde;o de governo:<\/p>\n<blockquote><p><strong>&ldquo;Wir wollen uns verteidigen k&ouml;nnen, damit wir uns nicht verteidigen m&uuml;ssen.&rdquo;<\/strong><br>\n&ldquo;Queremos ser capazes de nos defender para que n&atilde;o precisemos nos defender.&rdquo;<\/p><\/blockquote>\n<p>O argumento n&atilde;o &eacute; desprovido de fundamento. A invas&atilde;o russa demonstrou que guerras de conquista territorial continuam poss&iacute;veis na Europa. Mas isso n&atilde;o elimina uma quest&atilde;o hist&oacute;rica especificamente alem&atilde;: <strong>como conciliar uma expans&atilde;o acelerada do poder militar com uma cultura pol&iacute;tica constru&iacute;da depois de 1945 justamente em rea&ccedil;&atilde;o ao militarismo?<\/strong><\/p>\n<h2>Mais de 100 bilh&otilde;es de euros e uma nova ind&uacute;stria de defesa<\/h2>\n<p>A dimens&atilde;o da transforma&ccedil;&atilde;o aparece no or&ccedil;amento. Para 2026, o or&ccedil;amento do Minist&eacute;rio Federal da Defesa prev&ecirc; cerca de <strong>&euro;82,7 bilh&otilde;es<\/strong>. Considerando a defini&ccedil;&atilde;o federal mais ampla de gastos relacionados &agrave; defesa e &agrave; seguran&ccedil;a, o total alcan&ccedil;a aproximadamente <strong>&euro;100,9 bilh&otilde;es<\/strong>.<\/p>\n<p>Merz tamb&eacute;m passou a tratar o rearmamento como pol&iacute;tica industrial. Na Confer&ecirc;ncia de Seguran&ccedil;a de Munique de 2026, destacou novas f&aacute;bricas, empregos, tecnologias militares e o crescimento do setor de <em>defence-tech<\/em>.<\/p>\n<p>Isso n&atilde;o torna a ind&uacute;stria de defesa ileg&iacute;tima. Um Estado democr&aacute;tico necessita de meios para proteger seu territ&oacute;rio e cumprir compromissos de defesa coletiva. Mas cria um problema cl&aacute;ssico das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais: <strong>quanto maior a ind&uacute;stria militar, maior tamb&eacute;m o conjunto de empresas, empregos, regi&otilde;es e investimentos economicamente dependentes da demanda por seguran&ccedil;a e armamentos<\/strong>.<\/p>\n<p>&Eacute; justamente por isso que o debate sobre defesa n&atilde;o pode limitar-se &agrave; pergunta &ldquo;quanto gastar?&rdquo;, mas deve incluir &ldquo;para qu&ecirc;?&rdquo;, &ldquo;para quem?&rdquo; e &ldquo;sob quais controles?&rdquo;.<\/p>\n<h2>Do or&ccedil;amento alem&atilde;o aos campos de batalha<\/h2>\n<p>A Alemanha foi respons&aacute;vel por aproximadamente <strong>5,7% das exporta&ccedil;&otilde;es mundiais de grandes sistemas de armas entre 2021 e 2025<\/strong>, segundo o <strong>Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Stockholm International Peace Research Institute &ndash; SIPRI)<\/strong>, ocupando a quarta posi&ccedil;&atilde;o mundial. A Ucr&acirc;nia respondeu por cerca de <strong>24% das exporta&ccedil;&otilde;es alem&atilde;s<\/strong> nesse per&iacute;odo (SIPRI, 2026).<\/p>\n<p>Equipamentos alem&atilde;es ou de origem alem&atilde; n&atilde;o aparecem apenas na Ucr&acirc;nia. Foram empregados ou identificados tamb&eacute;m nas opera&ccedil;&otilde;es israelenses, na ofensiva turca no norte da S&iacute;ria e, em epis&oacute;dios anteriores, em contextos relacionados ao conflito do I&ecirc;men e &agrave; viol&ecirc;ncia das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a no M&eacute;xico.<\/p>\n<p>No caso mexicano, aproximadamente dez mil fuzis G36 da Heckler &amp; Koch foram exportados ao pa&iacute;s, e parte chegou ilegalmente a estados para os quais as entregas n&atilde;o haviam sido autorizadas, incluindo Guerrero. Armas desse modelo apareceram no contexto de Iguala\/Ayotzinapa, onde 43 estudantes desapareceram em 2014.<\/p>\n<p>O problema do <strong>Endverbleib<\/strong> &mdash; o destino final da arma depois de exportada &mdash; mostra que responsabilidade pol&iacute;tica n&atilde;o termina automaticamente quando o material cruza a fronteira.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m existem obriga&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas. O <strong>Tratado sobre o Com&eacute;rcio de Armas (Arms Trade Treaty &ndash; ATT)<\/strong>, adotado pela Assembleia Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas em 2013, estabelece que os Estados devem avaliar os riscos associados &agrave; exporta&ccedil;&atilde;o de armas convencionais. O <strong>artigo 6&ordm;<\/strong> prev&ecirc; situa&ccedil;&otilde;es em que uma transfer&ecirc;ncia deve ser proibida, enquanto o <strong>artigo 7&ordm;<\/strong> exige que o Estado exportador avalie, antes da autoriza&ccedil;&atilde;o, o risco de que o material possa contribuir para viola&ccedil;&otilde;es graves do Direito Internacional Humanit&aacute;rio ou dos direitos humanos.<\/p>\n<p>A <strong>Posi&ccedil;&atilde;o Comum 2008\/944\/PESC da Uni&atilde;o Europeia<\/strong>, atualizada em 2025, estabelece regras comuns para o controle das exporta&ccedil;&otilde;es de tecnologia e equipamentos militares e determina que os Estados-membros considerem, entre outros crit&eacute;rios, o respeito aos direitos humanos e ao Direito Internacional Humanit&aacute;rio no pa&iacute;s de destino.<\/p>\n<p>No direito interno, a <strong>Lei Fundamental da Rep&uacute;blica Federal da Alemanha (Grundgesetz), que exerce a fun&ccedil;&atilde;o de Constitui&ccedil;&atilde;o alem&atilde;<\/strong>, tamb&eacute;m estabelece limites. Seu <strong>artigo 26<\/strong> declara inconstitucionais atos praticados com a inten&ccedil;&atilde;o de perturbar a conviv&ecirc;ncia pac&iacute;fica entre os povos, especialmente a prepara&ccedil;&atilde;o de uma guerra de agress&atilde;o. O mesmo dispositivo determina que armas destinadas &agrave; guerra somente podem ser fabricadas, transportadas e comercializadas com autoriza&ccedil;&atilde;o do governo federal.<\/p>\n<h2>Ucr&acirc;nia: armas, autodefesa e diplomacia<\/h2>\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o ucraniana possui uma base jur&iacute;dica relativamente clara.<\/p>\n<p>O <strong>artigo 2&ordm;, par&aacute;grafo 4&ordm;, da Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas<\/strong> pro&iacute;be a amea&ccedil;a ou o uso da for&ccedil;a contra a integridade territorial ou a independ&ecirc;ncia pol&iacute;tica de qualquer Estado. Ao mesmo tempo, o <strong>artigo 51 da Carta<\/strong> reconhece o direito inerente de autodefesa individual ou coletiva quando ocorre um ataque armado.<\/p>\n<p>A R&uacute;ssia iniciou uma invas&atilde;o em larga escala da Ucr&acirc;nia em 24 de fevereiro de 2022. Portanto, fornecer armamentos ao Estado atacado para que exer&ccedil;a seu direito de autodefesa possui fundamento jur&iacute;dico diferente do fornecimento de armas destinadas &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de uma guerra de agress&atilde;o.<\/p>\n<p>A Alemanha tornou-se um dos principais apoiadores de Kyiv. At&eacute; agosto de 2026, o governo federal contabilizava mais de <strong>&euro;43 bilh&otilde;es em apoio civil bilateral<\/strong> e aproximadamente <strong>&euro;57,6 bilh&otilde;es em apoio militar disponibilizado ou previsto<\/strong>. Entre os equipamentos fornecidos est&atilde;o carros de combate Leopard 1 e 2, blindados Marder, sistemas antia&eacute;reos Gepard e IRIS-T, sistemas Patriot e obuses Panzerhaubitze 2000.<\/p>\n<p>Mas isso n&atilde;o significa que Berlim tenha simplesmente substitu&iacute;do diplomacia por armamentos.<\/p>\n<p>Poucos dias antes da invas&atilde;o, Scholz viajou a Moscou na tentativa de convencer Vladimir Putin a n&atilde;o iniciar a guerra. Em novembro de 2024, voltou a telefonar ao presidente russo &mdash; contato criticado por Volodymyr Zelenskyy, que temia o enfraquecimento do isolamento de Putin.<\/p>\n<p>Sob Merz, o apoio militar continuou, mas tamb&eacute;m as discuss&otilde;es sobre cessar-fogo e negocia&ccedil;&atilde;o. Em junho de 2026, o chanceler declarou:<\/p>\n<blockquote><p><strong>&ldquo;Es ist jetzt Zeit, in ernsthafte Verhandlungen einzutreten. Jetzt liegt es an Moskau.&rdquo;<\/strong><br>\n&ldquo;Agora &eacute; hora de entrar em negocia&ccedil;&otilde;es s&eacute;rias. Agora depende de Moscou.&rdquo;<\/p><\/blockquote>\n<p>Sua estrat&eacute;gia combina dissuas&atilde;o, apoio militar, san&ccedil;&otilde;es e negocia&ccedil;&atilde;o. A literatura acad&ecirc;mica sobre a <em>Zeitenwende<\/em> ajuda a explicar essa aparente contradi&ccedil;&atilde;o: a Alemanha n&atilde;o abandonou completamente sua tradi&ccedil;&atilde;o multilateral e diplom&aacute;tica; est&aacute; tentando acrescentar a ela uma capacidade militar muito maior (STENGEL, 2025; O&rsquo;NEAL, 2024).<\/p>\n<p>A discuss&atilde;o relevante, portanto, n&atilde;o &eacute; se houve diplomacia &mdash; houve. &Eacute; <strong>qual &eacute; a propor&ccedil;&atilde;o entre recursos militares e instrumentos dedicados &agrave; preven&ccedil;&atilde;o de conflitos, negocia&ccedil;&atilde;o, controle de armamentos e reconstru&ccedil;&atilde;o da seguran&ccedil;a europeia<\/strong>.<\/p>\n<h2>Israel: Staatsr&auml;son, armas e prote&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica<\/h2>\n<p>Israel apresenta um problema diferente.<\/p>\n<p>A rela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; descrita por Berlim como uma rela&ccedil;&atilde;o bilateral comum. Ela &eacute; marcada pelo Holocausto e pela responsabilidade alem&atilde; pelo assassinato de seis milh&otilde;es de judeus europeus. Berensk&ouml;tter e Mitrani mostram que mem&oacute;ria, reconcilia&ccedil;&atilde;o e seguran&ccedil;a de Israel formaram uma estrutura excepcional na rela&ccedil;&atilde;o bilateral, que tamb&eacute;m se manifesta em coopera&ccedil;&atilde;o militar e apoio alem&atilde;o a Israel em institui&ccedil;&otilde;es multilaterais (BERENSK&Ouml;TTER; MITRANI, 2022).<\/p>\n<p>Merz reafirmou essa posi&ccedil;&atilde;o em maio de 2025:<\/p>\n<blockquote><p><strong>&ldquo;Existenz und Sicherheit des Staates Israel sind und bleiben unsere Staatsr&auml;son.&rdquo;<\/strong><br>\n&ldquo;A exist&ecirc;ncia e a seguran&ccedil;a do Estado de Israel s&atilde;o e continuar&atilde;o sendo nossa raz&atilde;o de Estado.&rdquo;<\/p><\/blockquote>\n<p>Um m&ecirc;s depois, formulou-a novamente:<\/p>\n<blockquote><p><strong>&ldquo;Unsere Staatsr&auml;son ist die Verteidigung des Staates Israel in seiner Existenz.&rdquo;<\/strong><br>\n&ldquo;Nossa raz&atilde;o de Estado &eacute; a defesa da exist&ecirc;ncia do Estado de Israel.&rdquo;<\/p><\/blockquote>\n<p>A quest&atilde;o pol&iacute;tica come&ccedil;a justamente depois dessa frase: <strong>defender a exist&ecirc;ncia e a seguran&ccedil;a de Israel significa apoiar at&eacute; onde as pol&iacute;ticas de um governo israelense espec&iacute;fico?<\/strong><\/p>\n<p>Entre 7 de outubro de 2023 e 13 de maio de 2025, Berlim autorizou aproximadamente <strong>&euro;485 milh&otilde;es em exporta&ccedil;&otilde;es de equipamentos militares para Israel<\/strong>. Entre novembro de 2025 e mar&ccedil;o de 2026, foram autorizados cerca de <strong>&euro;167 milh&otilde;es adicionais<\/strong>.<\/p>\n<p>O SIPRI estima que a Alemanha respondeu por aproximadamente <strong>31% das importa&ccedil;&otilde;es israelenses de grandes sistemas de armas em 2021&ndash;2025<\/strong>. A rela&ccedil;&atilde;o inclui navios, torpedos, motores e outros equipamentos; fragatas Sa&rsquo;ar 6 fornecidas pela Alemanha foram utilizadas durante a guerra de Gaza.&nbsp;Berlim &eacute; um <strong>fornecedor militar estruturalmente importante para Israel<\/strong>.<\/p>\n<p>O apoio tamb&eacute;m &eacute; diplom&aacute;tico.<\/p>\n<p>A Alemanha n&atilde;o possui poder de veto no Conselho de Seguran&ccedil;a da <strong>Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU)<\/strong> e, portanto, n&atilde;o pode ser responsabilizada pelos vetos norte-americanos a resolu&ccedil;&otilde;es sobre Gaza. Mas utiliza seu voto na Assembleia Geral, sua influ&ecirc;ncia na <strong>Uni&atilde;o Europeia (UE)<\/strong> e sua rela&ccedil;&atilde;o bilateral privilegiada.<\/p>\n<p>Em maio de 2024, por exemplo, a Assembleia Geral aprovou por <strong>143 votos contra 9, com 25 absten&ccedil;&otilde;es<\/strong>, uma resolu&ccedil;&atilde;o que considerava a Palestina qualificada para ades&atilde;o plena &agrave; ONU e recomendava nova aprecia&ccedil;&atilde;o pelo Conselho de Seguran&ccedil;a. A Alemanha <strong>se absteve<\/strong>. Berlim continuou defendendo que o reconhecimento de um Estado palestino deveria ocorrer como resultado de um processo pol&iacute;tico negociado.<\/p>\n<p>Isso n&atilde;o equivale a apoio alem&atilde;o autom&aacute;tico a Israel em todas as vota&ccedil;&otilde;es. A Alemanha tamb&eacute;m apoiou resolu&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o e, em 2025, a Declara&ccedil;&atilde;o de Nova York sobre a solu&ccedil;&atilde;o de dois Estados. Mas, em diversas ocasi&otilde;es, preferiu <strong>negocia&ccedil;&atilde;o e press&atilde;o bilateral a san&ccedil;&otilde;es ou medidas mais coercitivas<\/strong>.<\/p>\n<p>Essa prefer&ecirc;ncia tamb&eacute;m aparece dentro da UE. O governo alem&atilde;o resistiu durante parte do conflito a algumas propostas de press&atilde;o econ&ocirc;mica ampla contra Israel e apresentou os contatos estreitos com o governo israelense como um instrumento para influenci&aacute;-lo.<\/p>\n<p>Nesse sentido, <strong>&ldquo;prote&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica&rdquo;<\/strong> &eacute; uma descri&ccedil;&atilde;o mais precisa do que simplesmente <strong>&ldquo;lobby&rdquo;<\/strong>: a literatura acad&ecirc;mica j&aacute; identificava, antes da guerra atual, a pr&aacute;tica alem&atilde; de apoiar Israel em f&oacute;runs multilaterais, evitar determinadas cr&iacute;ticas p&uacute;blicas e atuar nos bastidores entre Israel e seus cr&iacute;ticos (BERENSK&Ouml;TTER; MITRANI, 2022).<\/p>\n<p>Mas a pol&iacute;tica de Merz tamb&eacute;m apresentou limites.<\/p>\n<p>Em agosto de 2025, diante da expans&atilde;o das opera&ccedil;&otilde;es em Gaza, o chanceler suspendeu temporariamente autoriza&ccedil;&otilde;es de exporta&ccedil;&atilde;o de armamentos que pudessem ser utilizados no territ&oacute;rio:<\/p>\n<blockquote><p><strong>&ldquo;Wir k&ouml;nnen nicht Waffen in einen Konflikt liefern, der jetzt ausschlie&szlig;lich milit&auml;risch gel&ouml;st werden soll.&rdquo;<\/strong><br>\n&ldquo;N&atilde;o podemos fornecer armas para um conflito que agora pretende ser resolvido exclusivamente por meios militares.&rdquo;<\/p><\/blockquote>\n<p>A restri&ccedil;&atilde;o foi retirada em novembro de 2025, ap&oacute;s o cessar-fogo, e as autoriza&ccedil;&otilde;es voltaram a ser avaliadas individualmente.<\/p>\n<p>Em julho de 2026, Merz tamb&eacute;m advertiu Benjamin Netanyahu contra medidas que levassem a uma <strong>anexa&ccedil;&atilde;o de fato da Cisjord&acirc;nia<\/strong>.<\/p>\n<p>Portanto, <em>Staatsr&auml;son<\/em> n&atilde;o equivale juridicamente a um cheque em branco. Politicamente, por&eacute;m, permanece leg&iacute;timo perguntar se ela produz para Israel <strong>um grau de toler&acirc;ncia e prote&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica que n&atilde;o seria concedido a outros Estados<\/strong>.<\/p>\n<h2>Um Direito Internacional para advers&aacute;rios e aliados<\/h2>\n<p>&Eacute; aqui que a discuss&atilde;o sobre o Antikriegstag deixa de ser apenas alem&atilde; e se torna uma quest&atilde;o de universalidade jur&iacute;dica.<\/p>\n<p>O Direito Internacional n&atilde;o exige que todos os conflitos sejam tratados como se fossem iguais. Mas exige que as mesmas normas sejam aplicadas independentemente da identidade do aliado.<\/p>\n<p>As regras aplic&aacute;veis &agrave; condu&ccedil;&atilde;o das hostilidades est&atilde;o previstas nas <strong>Conven&ccedil;&otilde;es de Genebra de 1949, em seus Protocolos Adicionais e no Direito Internacional Humanit&aacute;rio consuetudin&aacute;rio<\/strong>.<\/p>\n<p>O <strong>artigo 48 do Protocolo Adicional I &agrave;s Conven&ccedil;&otilde;es de Genebra, de 1977<\/strong>, estabelece o princ&iacute;pio da distin&ccedil;&atilde;o: as partes em conflito devem distinguir permanentemente entre popula&ccedil;&atilde;o civil e combatentes, bem como entre bens civis e objetivos militares.<\/p>\n<p>O <strong>artigo 52 do mesmo Protocolo<\/strong> determina que bens civis n&atilde;o podem ser objeto de ataque e define em quais circunst&acirc;ncias um bem pode transformar-se em objetivo militar.<\/p>\n<p>O <strong>artigo 51, par&aacute;grafo 5&ordm;, al&iacute;nea &ldquo;b&rdquo;<\/strong>, pro&iacute;be ataques nos quais se possa esperar que as perdas civis incidentais sejam excessivas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; vantagem militar concreta e direta prevista. J&aacute; o <strong>artigo 57<\/strong> estabelece o dever de tomar todas as precau&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis para evitar ou, pelo menos, reduzir ao m&iacute;nimo as perdas civis.<\/p>\n<p>Esses princ&iacute;pios tamb&eacute;m s&atilde;o reconhecidos e sistematizados pelo <strong>Comit&ecirc; Internacional da Cruz Vermelha (CICV)<\/strong> como normas centrais do Direito Internacional Humanit&aacute;rio consuetudin&aacute;rio.<\/p>\n<p>Isso ajuda a compreender a controv&eacute;rsia provocada por Annalena Baerbock em 2024. Ao discutir o uso militar de instala&ccedil;&otilde;es civis pelo Hamas, a ent&atilde;o ministra afirmou:<\/p>\n<blockquote><p><strong>&ldquo;Dann k&ouml;nnen auch zivile Orte ihren Schutzstatus verlieren.&rdquo;<\/strong><br>\n&ldquo;Ent&atilde;o locais civis tamb&eacute;m podem perder seu status de prote&ccedil;&atilde;o.&rdquo;<\/p><\/blockquote>\n<p>Juridicamente, um <strong>bem civil<\/strong> pode perder sua prote&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica contra ataques quando passa a preencher os requisitos de um objetivo militar previstos no <strong>artigo 52 do Protocolo Adicional I<\/strong>. Isso, por&eacute;m, <strong>n&atilde;o significa que as pessoas civis que estejam naquele local percam sua prote&ccedil;&atilde;o<\/strong>.<\/p>\n<p>Mesmo quando existe um objetivo militar leg&iacute;timo, continuam aplic&aacute;veis as regras de <strong>distin&ccedil;&atilde;o, proporcionalidade e precau&ccedil;&atilde;o<\/strong> previstas nos artigos 48, 51 e 57 do Protocolo Adicional I e reconhecidas pelo Direito Internacional Humanit&aacute;rio consuetudin&aacute;rio.<\/p>\n<p>Essa distin&ccedil;&atilde;o &eacute; particularmente importante no debate alem&atilde;o porque a <em>Staatsr&auml;son<\/em> &eacute; uma <strong>doutrina pol&iacute;tica<\/strong>, e n&atilde;o uma categoria jur&iacute;dica superior &agrave;s obriga&ccedil;&otilde;es internacionais da Alemanha.<\/p>\n<p>A afirma&ccedil;&atilde;o de que a exist&ecirc;ncia e a seguran&ccedil;a de Israel constituem parte da <em>Staatsr&auml;son<\/em> alem&atilde; n&atilde;o cria uma exce&ccedil;&atilde;o &agrave;s <strong>Conven&ccedil;&otilde;es de Genebra<\/strong>, &agrave; <strong>Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas<\/strong>, ao <strong>Tratado sobre o Com&eacute;rcio de Armas<\/strong> ou &agrave;s demais obriga&ccedil;&otilde;es internacionais assumidas pela Rep&uacute;blica Federal da Alemanha.<\/p>\n<p>A <em>Staatsr&auml;son<\/em> pode orientar decis&otilde;es pol&iacute;ticas. <strong>Ela n&atilde;o modifica as normas do Direito Internacional.<\/strong><\/p>\n<p>O mesmo racioc&iacute;nio vale para a Ucr&acirc;nia. A agress&atilde;o russa n&atilde;o transforma civis russos em alvos leg&iacute;timos, assim como os crimes do Hamas n&atilde;o retiram direitos da popula&ccedil;&atilde;o palestina.<\/p>\n<p>Se soberania e integridade territorial s&atilde;o fundamentais na Ucr&acirc;nia, precisam ser levadas a s&eacute;rio tamb&eacute;m nos territ&oacute;rios palestinos ocupados. Se crimes internacionais cometidos por advers&aacute;rios exigem responsabiliza&ccedil;&atilde;o, a avalia&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica de aliados tamb&eacute;m precisa permanecer independente da alian&ccedil;a pol&iacute;tica.<\/p>\n<h2>Rearmamento, servi&ccedil;o militar e resist&ecirc;ncia interna<\/h2>\n<p>A transforma&ccedil;&atilde;o militar alem&atilde; tamb&eacute;m produz conflito dentro do pr&oacute;prio pa&iacute;s.<\/p>\n<p>O novo modelo de servi&ccedil;o militar ampliou o recrutamento e criou mecanismos que podem permitir maior obrigatoriedade caso os n&uacute;meros de volunt&aacute;rios sejam insuficientes ou a situa&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a se agrave.<\/p>\n<p>Em <strong>8 de maio de 2026<\/strong>, anivers&aacute;rio do fim da Segunda Guerra Mundial na Europa, milhares de jovens participaram de manifesta&ccedil;&otilde;es contra a poss&iacute;vel expans&atilde;o da conscri&ccedil;&atilde;o. Em Hamburgo, a pol&iacute;cia contabilizou aproximadamente 2.300 participantes. Em Berlim, mais de mil segundo n&uacute;meros policiais, com estimativas maiores dos organizadores.<\/p>\n<p>Cartazes traziam mensagens como <strong>&ldquo;Bildung statt Bomben&rdquo;<\/strong> &mdash; &ldquo;Educa&ccedil;&atilde;o em vez de bombas&rdquo; &mdash; e <strong>&ldquo;Nie wieder Faschismus. Nie wieder Krieg.&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>Isso n&atilde;o demonstra que toda a juventude alem&atilde; rejeite a Bundeswehr. Demonstra algo mais b&aacute;sico: quando um Estado pretende ampliar significativamente sua capacidade de guerra e potencialmente convocar jovens para servir, essa decis&atilde;o precisa permanecer sujeita a disputa democr&aacute;tica.<\/p>\n<p>Como observa Stengel, a suposta tradi&ccedil;&atilde;o &ldquo;pacifista&rdquo; alem&atilde; sempre foi mais complexa do que uma recusa absoluta ao emprego da for&ccedil;a (STENGEL, 2025). A Alemanha participou de opera&ccedil;&otilde;es militares internacionais muito antes de 2022. A <em>Zeitenwende<\/em> representa uma mudan&ccedil;a de escala, prioridade e discurso.<\/p>\n<h2>O &ldquo;Nunca Mais&rdquo; precisa valer para todos<\/h2>\n<p>O passado alem&atilde;o n&atilde;o exige impot&ecirc;ncia militar.<\/p>\n<p>&Eacute; poss&iacute;vel sustentar simultaneamente que a R&uacute;ssia violou a <strong>proibi&ccedil;&atilde;o do uso da for&ccedil;a prevista no artigo 2&ordm;, par&aacute;grafo 4&ordm;, da Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas<\/strong> ao invadir a Ucr&acirc;nia; que a Ucr&acirc;nia possui o <strong>direito de autodefesa reconhecido pelo artigo 51 da Carta<\/strong>; que Israel possui direito &agrave; seguran&ccedil;a; que os crimes cometidos pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 n&atilde;o retiram da popula&ccedil;&atilde;o palestina a prote&ccedil;&atilde;o conferida pelo Direito Internacional Humanit&aacute;rio; e que Estados aliados continuam submetidos &agrave;s mesmas normas internacionais aplic&aacute;veis aos advers&aacute;rios.<\/p>\n<p>O problema surge quando esses princ&iacute;pios deixam de ser aplicados com o mesmo rigor.<\/p>\n<p>A prote&ccedil;&atilde;o dos israelenses n&atilde;o pode depender da desprote&ccedil;&atilde;o dos palestinos. A responsabilidade hist&oacute;rica alem&atilde; perante o povo judeu n&atilde;o suspende obriga&ccedil;&otilde;es internacionais. A solidariedade com a Ucr&acirc;nia n&atilde;o elimina a obriga&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de buscar caminhos diplom&aacute;ticos. E o fortalecimento da Bundeswehr n&atilde;o deveria tornar a guerra a &uacute;nica linguagem dispon&iacute;vel para a seguran&ccedil;a europeia.<\/p>\n<p>L&ouml;fflmann e Riemann observam que a nova identidade militar alem&atilde; continua tensionada justamente pela mem&oacute;ria de seu passado militarista (L&Ouml;FFLMANN; RIEMANN, 2026). Essa tens&atilde;o n&atilde;o deveria ser tratada como fraqueza. Pode funcionar como controle democr&aacute;tico.<\/p>\n<p>Uma democracia deve ser capaz de se defender. Mas uma democracia marcada pela experi&ecirc;ncia hist&oacute;rica alem&atilde; precisa tamb&eacute;m saber <strong>quando n&atilde;o utilizar for&ccedil;a, para quem n&atilde;o vender armas, quando pressionar um aliado e quando investir seu poder pol&iacute;tico na diplomacia antes que outra guerra pare&ccedil;a inevit&aacute;vel<\/strong>.<\/p>\n<p>Merz afirma que a Alemanha precisa ser capaz de se defender para n&atilde;o ter de faz&ecirc;-lo. <strong>O DGB responde que ela precisa ser <em>friedensf&auml;hig<\/em>, n&atilde;o apenas <em>kriegst&uuml;chtig<\/em>.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1>Refer&ecirc;ncias<\/h1>\n<p>ALEMANHA. <strong>Grundgesetz f&uuml;r die Bundesrepublik Deutschland: Artikel 26<\/strong>. Berlim: Bundesministerium der Justiz, 1949. Dispon&iacute;vel em:<br>\n<a href=\"https:\/\/www.gesetze-im-internet.de\/gg\/art_26.html\" rel=\"nofollow\">https:\/\/www.gesetze-im-internet.de\/gg\/art_26.html<\/a><br>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>ALEMANHA. Bundesregierung. <strong>Erste Regierungserkl&auml;rung von Bundeskanzler Friedrich Merz<\/strong>. Berlim, 14 maio 2025. Dispon&iacute;vel em:<br>\n<a href=\"https:\/\/www.bundesregierung.de\/breg-de\/aktuelles\/erste-regierungserklaerung-kanzler-merz-2347354\" rel=\"nofollow\">https:\/\/www.bundesregierung.de\/breg-de\/aktuelles\/erste-regierungserklaerung-kanzler-merz-2347354<\/a><br>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>ALEMANHA. Bundesregierung. <strong>Rede von Bundeskanzler Friedrich Merz auf der M&uuml;nchner Sicherheitskonferenz 2026<\/strong>. Berlim, 13 fev. 2026. Dispon&iacute;vel em:<br>\n<a href=\"https:\/\/www.bundesregierung.de\/breg-de\/aktuelles\/rede-kanzler-msc-2407218\" rel=\"nofollow\">https:\/\/www.bundesregierung.de\/breg-de\/aktuelles\/rede-kanzler-msc-2407218<\/a><br>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>ALEMANHA. Bundesregierung. <strong>Germany&rsquo;s support for Ukraine<\/strong>. Berlim, atualiza&ccedil;&atilde;o de 3 ago. 2026. Dispon&iacute;vel em:<br>\n<a href=\"https:\/\/www.bundesregierung.de\/breg-en\/news\/germany-aid-for-ukraine-2192480\" rel=\"nofollow\">https:\/\/www.bundesregierung.de\/breg-en\/news\/germany-aid-for-ukraine-2192480<\/a><br>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>ALEMANHA. Bundesregierung. <strong>Statement by Federal Chancellor Friedrich Merz on the development in Gaza<\/strong>. Berlim, 8 ago. 2025. Dispon&iacute;vel em:<br>\n<a href=\"https:\/\/www.bundesregierung.de\/breg-en\/news\/statement-by-federal-chancellor-friedrich-merz-on-the-development-in-gaza-2377368\" rel=\"nofollow\">https:\/\/www.bundesregierung.de\/breg-en\/news\/statement-by-federal-chancellor-friedrich-merz-on-the-development-in-gaza-2377368<\/a><br>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>ALEMANHA. Bundesregierung. <strong>Bundeskanzler Merz telefoniert mit dem israelischen Ministerpr&auml;sidenten Netanjahu<\/strong>. Berlim, 9 jul. 2026. Dispon&iacute;vel em:<br>\n<a href=\"https:\/\/www.bundesregierung.de\/breg-de\/aktuelles\/bundeskanzler-merz-telefoniert-mit-dem-israelischen-ministerpraesidenten-netanjahu-2446526\" rel=\"nofollow\">https:\/\/www.bundesregierung.de\/breg-de\/aktuelles\/bundeskanzler-merz-telefoniert-mit-dem-israelischen-ministerpraesidenten-netanjahu-2446526<\/a><br>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>ALEMANHA. Bundesministerium der Finanzen. <strong>Sollbericht 2026: Verteidigung und Sicherheit<\/strong>. Berlim, 2026. Dispon&iacute;vel em:<br>\n<a href=\"https:\/\/www.bundesfinanzministerium.de\/Monatsberichte\/Ausgabe\/2026\/02\/Inhalte\/Kapitel-2-Analysen\/2-3-sollbericht-2026.html\" rel=\"nofollow\">https:\/\/www.bundesfinanzministerium.de\/Monatsberichte\/Ausgabe\/2026\/02\/Inhalte\/Kapitel-2-Analysen\/2-3-sollbericht-2026.html<\/a><br>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>ALEMANHA. Deutscher Bundestag. <strong>R&uuml;stungsexporte nach Israel: 2023&ndash;2025<\/strong>. Berlim, 2025. Dispon&iacute;vel em:<br>\n<a href=\"https:\/\/www.bundestag.de\/presse\/hib\/kurzmeldungen-1082536\" rel=\"nofollow\">https:\/\/www.bundestag.de\/presse\/hib\/kurzmeldungen-1082536<\/a><br>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>ALEMANHA. Deutscher Bundestag. <strong>Waffenexporte nach Israel: novembro de 2025 a mar&ccedil;o de 2026<\/strong>. Berlim, 2026. Dispon&iacute;vel em:<br>\n<a href=\"https:\/\/www.bundestag.de\/presse\/hib\/kurzmeldungen-1178776\" rel=\"nofollow\">https:\/\/www.bundestag.de\/presse\/hib\/kurzmeldungen-1178776<\/a><br>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>ALEMANHA. Ausw&auml;rtiges Amt. <strong>Rede de Annalena Baerbock no Deutscher Bundestag<\/strong>. Berlim, 10 out. 2024. Dispon&iacute;vel em:<br>\n<a href=\"https:\/\/www.auswaertiges-amt.de\/de\/newsroom\/2679468-2679468\" rel=\"nofollow\">https:\/\/www.auswaertiges-amt.de\/de\/newsroom\/2679468-2679468<\/a><br>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>BERENSK&Ouml;TTER, Felix; MITRANI, Mor. <strong>Is it friendship? An analysis of contemporary German&ndash;Israeli relations<\/strong>. <em>International Studies Quarterly<\/em>, v. 66, n. 1, sqac001, 2022. DOI: 10.1093\/isq\/sqac001. Dispon&iacute;vel em:<br>\n<a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/isq\/article\/66\/1\/sqac001\/6529741\" rel=\"nofollow\">https:\/\/academic.oup.com\/isq\/article\/66\/1\/sqac001\/6529741<\/a><br>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>COMIT&Ecirc; INTERNACIONAL DA CRUZ VERMELHA &ndash; CICV. <strong>Protocol Additional to the Geneva Conventions of 12 August 1949 (Protocol I)<\/strong>. Genebra, 8 jun. 1977. Arts. 48, 51, 52 e 57. Dispon&iacute;vel em:<br>\n<a href=\"https:\/\/ihl-databases.icrc.org\/en\/ihl-treaties\/api-1977\" rel=\"nofollow\">https:\/\/ihl-databases.icrc.org\/en\/ihl-treaties\/api-1977<\/a><br>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>DEUTSCHER GEWERKSCHAFTSBUND &ndash; DGB. <strong>Antikriegstag 2026: Friedensf&auml;hig statt kriegst&uuml;chtig<\/strong>. Berlim, 2026. Dispon&iacute;vel em:<br>\n<a href=\"https:\/\/www.dgb.de\/aktuelles\/news\/antikriegstag-2026-friedensfaehig-statt-kriegstuechtig\/\" rel=\"nofollow\">https:\/\/www.dgb.de\/aktuelles\/news\/antikriegstag-2026-friedensfaehig-statt-kriegstuechtig\/<\/a><br>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>L&Ouml;FFLMANN, Georg; RIEMANN, Malte. <strong>&lsquo;If I could turn back time&rsquo;: temporal security narratives, ontological disruption, and Germany&rsquo;s Zeitenwende<\/strong>. <em>European Journal of International Security<\/em>, v. 11, n. 3, p. 460&ndash;478, 2026. DOI: 10.1017\/eis.2025.10008. Dispon&iacute;vel em:<br>\n<a href=\"https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/european-journal-of-international-security\/article\/if-i-could-turn-back-time-temporal-security-narratives-ontological-disruption-and-germanys-zeitenwende\/E49394BAB427E4DA0549926CC5FE5EA3\" rel=\"nofollow\">https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/european-journal-of-international-security\/article\/if-i-could-turn-back-time-temporal-security-narratives-ontological-disruption-and-germanys-zeitenwende\/E49394BAB427E4DA0549926CC5FE5EA3<\/a><br>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>NA&Ccedil;&Otilde;ES UNIDAS. <strong>Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas<\/strong>. S&atilde;o Francisco, 26 jun. 1945. Dispon&iacute;vel em:<br>\n<a href=\"https:\/\/www.un.org\/en\/about-us\/un-charter\/full-text\" rel=\"nofollow\">https:\/\/www.un.org\/en\/about-us\/un-charter\/full-text<\/a><br>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>NA&Ccedil;&Otilde;ES UNIDAS. <strong>Arms Trade Treaty<\/strong>. Nova York, 2 abr. 2013. Dispon&iacute;vel em:<br>\n<a href=\"https:\/\/treaties.un.org\/doc\/treaties\/2013\/04\/20130410%2012-01%20pm\/ch_xxvi_08.pdf\" rel=\"nofollow\">https:\/\/treaties.un.org\/doc\/treaties\/2013\/04\/20130410%2012-01%20pm\/ch_xxvi_08.pdf<\/a><br>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>O&rsquo;NEAL, Molly. <strong>Zeitenwende, Europe and Germany&rsquo;s culture of restraint<\/strong>. <em>The International Spectator<\/em>, v. 59, n. 2, 2024. DOI: 10.1080\/03932729.2024.2331547. Dispon&iacute;vel em:<br>\n<a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/abs\/10.1080\/03932729.2024.2331547\" rel=\"nofollow\">https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/abs\/10.1080\/03932729.2024.2331547<\/a><br>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>SIPRI &ndash; STOCKHOLM INTERNATIONAL PEACE RESEARCH INSTITUTE. <strong>Trends in International Arms Transfers, 2025<\/strong>. Estocolmo: SIPRI, 2026. Dispon&iacute;vel em:<br>\n<a href=\"https:\/\/www.sipri.org\/publications\/2026\/sipri-fact-sheets\/trends-international-arms-transfers-2025\" rel=\"nofollow\">https:\/\/www.sipri.org\/publications\/2026\/sipri-fact-sheets\/trends-international-arms-transfers-2025<\/a><br>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>SIPRI &ndash; STOCKHOLM INTERNATIONAL PEACE RESEARCH INSTITUTE. <strong>How top arms exporters have responded to the war in Gaza: 2025 update<\/strong>. Estocolmo, 2025. Dispon&iacute;vel em:<br>\n<a href=\"https:\/\/www.sipri.org\/commentary\/topical-backgrounder\/2025\/how-top-arms-exporters-have-responded-war-gaza-2025-update\" rel=\"nofollow\">https:\/\/www.sipri.org\/commentary\/topical-backgrounder\/2025\/how-top-arms-exporters-have-responded-war-gaza-2025-update<\/a><br>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>STENGEL, Frank A. <strong>German &ldquo;pacifism&rdquo; and the Zeitenwende<\/strong>. <em>Defence Studies<\/em>, 2025. DOI: 10.1080\/14751798.2025.2513782. Dispon&iacute;vel em:<br>\n<a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/abs\/10.1080\/14751798.2025.2513782\" rel=\"nofollow\">https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/abs\/10.1080\/14751798.2025.2513782<\/a><br>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>UNI&Atilde;O EUROPEIA. Conselho da Uni&atilde;o Europeia. <strong>Common Position 2008\/944\/CFSP defining common rules governing control of exports of military technology and equipment<\/strong>, com altera&ccedil;&otilde;es da Decis&atilde;o (PESC) 2025\/779. Bruxelas, 2008-2025. Dispon&iacute;vel em:<br>\n<a href=\"https:\/\/eur-lex.europa.eu\/legal-content\/EN\/TXT\/PDF\/?uri=CELEX:02008E0944-20250415\" rel=\"nofollow\">https:\/\/eur-lex.europa.eu\/legal-content\/EN\/TXT\/PDF\/?uri=CELEX:02008E0944-20250415<\/a><br>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>UNITED NATIONS. General Assembly. <strong>Admission of new Members to the United Nations: Palestine<\/strong>. Nova York, 10 maio 2024. Dispon&iacute;vel em:<br>\n<a href=\"https:\/\/www.un.org\/unispal\/document\/general-assembly-meeting-coverage-10may24\/\" rel=\"nofollow\">https:\/\/www.un.org\/unispal\/document\/general-assembly-meeting-coverage-10may24\/<\/a><br>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antikriegstag: entre o &lsquo;Nunca Mais&rsquo;, a Staatsr&auml;son e o rearmamento da Alemanha Em 1&ordm; de setembro de 1939, a Alemanha nazista invadiu a Pol&ocirc;nia e deu in&iacute;cio &agrave; Segunda Guerra Mundial na Europa. Oitenta e sete anos depois, o Antikriegstag encontra o pa&iacute;s diante de outra transforma&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica: a Alemanha amplia drasticamente seus gastos militares, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2006,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","rop_custom_images_group":[],"rop_custom_messages_group":[],"rop_publish_now":"no","rop_publish_now_accounts":{"facebook_1005035685341291_1168996842959697":""},"rop_publish_now_history":[{"account":"facebook_1005035685341291_1168996842959697","service":"facebook","timestamp":1788238831,"status":"queued"}],"rop_publish_now_status":"queued","ngg_post_thumbnail":0,"wpai_generated_summary":"","_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"wpai_meta_description":"","footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[1149,3],"tags":[1097,43,1159,829,195,103,589,458,462,70,14,134,840,132,105,17,118,106,1098,548,570,535,465,847,486,593,87,571,1185,862,626,501,756,859,500,91,124],"class_list":["post-1931","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alemanha","category-geopolitica-diplomacia","tag-7-de-outubro","tag-alemanha","tag-alemanha-europa","tag-armas","tag-carta-das-nacoes-unidas","tag-conselho-de-seguranca","tag-controle","tag-convencoes-de-genebra","tag-diplomacia","tag-direito-internacional","tag-direitos-humanos","tag-estado","tag-estados","tag-europa","tag-gaza","tag-geopolitica","tag-guerra","tag-guerra-mundial","tag-hamas","tag-identidade","tag-israel","tag-memoria","tag-merz","tag-militar","tag-negociacao","tag-normas","tag-ordem-internacional","tag-palestina","tag-paz-resolucao-de-conflitos","tag-potencia","tag-responsabilidade-historica","tag-seguranca-europeia","tag-sistemas","tag-transformacao","tag-ucrania","tag-uniao-europeia","tag-uso-da-forca","et-has-post-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cju-bkskm1k.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1931","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1931"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1931\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2005,"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1931\/revisions\/2005"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2006"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1931"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1931"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1931"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}