{"id":1906,"date":"2026-11-02T01:01:44","date_gmt":"2026-11-02T04:01:44","guid":{"rendered":"https:\/\/tatianamendonca.com\/?p=1906"},"modified":"2026-09-16T23:04:40","modified_gmt":"2026-09-17T02:04:40","slug":"dia-internacional-pelo-fim-da-impunidade-dos-crimes-contra-jornalistas-quando-matar-quem-documenta-vira-mtodo-de-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tatianamendonca.com\/temas\/direitos-humanos\/dia-internacional-pelo-fim-da-impunidade-dos-crimes-contra-jornalistas-quando-matar-quem-documenta-vira-mtodo-de-guerra\/","title":{"rendered":"Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas \u2014 Quando matar quem documenta vira m\u00e9todo de guerra"},"content":{"rendered":"<?xml encoding=\"utf-8\" ?><p data-start=\"126\" data-end=\"599\"><em>Jornalistas n&atilde;o carregam apenas c&acirc;meras, gravadores e cadernos. Em guerras, ditaduras e territ&oacute;rios dominados pelo crime organizado, carregam algo igualmente perigoso para quem deseja agir sem testemunhas: a possibilidade de que uma morte, uma pris&atilde;o, um bombardeio ou uma execu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o desapare&ccedil;a sem registro. Quando jornalistas s&atilde;o assassinados e ningu&eacute;m responde pelo crime, a v&iacute;tima n&atilde;o &eacute; apenas a imprensa. &Eacute; tamb&eacute;m o direito da sociedade de saber o que aconteceu.<\/em><\/p>\n<h2 data-section-id=\"6uzve7\" data-start=\"601\" data-end=\"649\">2 de novembro: uma data contra o esquecimento<\/h2>\n<p data-start=\"651\" data-end=\"1169\">A Assembleia Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas instituiu o <strong data-start=\"700\" data-end=\"774\">Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas<\/strong>, celebrado em <strong data-start=\"789\" data-end=\"806\">2 de novembro<\/strong>, por meio da Resolu&ccedil;&atilde;o 68\/163. A data recorda os jornalistas franceses <strong data-start=\"878\" data-end=\"914\">Ghislaine Dupont e Claude Verlon<\/strong>, da Radio France Internationale, sequestrados e assassinados no Mali em 2 de novembro de 2013. Desde ent&atilde;o, a UNESCO mant&eacute;m um observat&oacute;rio que acompanha assassinatos de jornalistas e a resposta judicial dos Estados.<\/p>\n<p data-start=\"1171\" data-end=\"1553\">Os n&uacute;meros mostram por que a data continua necess&aacute;ria. Segundo a UNESCO, <strong data-start=\"1244\" data-end=\"1343\">85% dos assassinatos de jornalistas monitorados desde 2006 permanecem judicialmente sem solu&ccedil;&atilde;o<\/strong>. Houve algum avan&ccedil;o &mdash; a taxa de impunidade era de 95% em 2012 e 89% em 2018 &mdash;, mas a regra ainda &eacute; que matar um jornalista raramente resulte em responsabiliza&ccedil;&atilde;o completa.<\/p>\n<p data-start=\"1555\" data-end=\"1730\">A diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, resumiu o problema ao defender que processar e condenar respons&aacute;veis por esses crimes &eacute; tamb&eacute;m uma forma de prevenir novos ataques:<\/p>\n<blockquote data-start=\"1732\" data-end=\"2004\">\n<p data-start=\"1734\" data-end=\"2004\"><strong data-start=\"1734\" data-end=\"1842\">&ldquo;Prosecuting and convicting the perpetrators is a major lever to prevent future attacks on journalists.&rdquo;<\/strong><br data-start=\"1842\" data-end=\"1845\">&mdash; &ldquo;Processar e condenar os respons&aacute;veis &eacute; um instrumento fundamental para prevenir futuros ataques contra jornalistas.&rdquo;<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2 data-section-id=\"fe3c87\" data-start=\"2006\" data-end=\"2052\">O jornalista na guerra continua sendo civil<\/h2>\n<p data-start=\"2054\" data-end=\"2510\">O <strong data-start=\"2056\" data-end=\"2099\">Direito Internacional Humanit&aacute;rio (DIH)<\/strong> &eacute; expl&iacute;cito. O artigo 79 do <strong data-start=\"2128\" data-end=\"2186\">Protocolo Adicional I &agrave;s Conven&ccedil;&otilde;es de Genebra de 1949<\/strong> determina que jornalistas em miss&otilde;es profissionais perigosas em &aacute;reas de conflito armado devem ser considerados civis, desde que n&atilde;o participem diretamente das hostilidades. A prote&ccedil;&atilde;o n&atilde;o desaparece porque algu&eacute;m esteja usando uma c&acirc;mera a poucos quil&ocirc;metros de uma frente de combate.<\/p>\n<p data-start=\"2512\" data-end=\"3050\">Isso vale para rep&oacute;rteres, fot&oacute;grafos, cinegrafistas e profissionais locais que trabalham para jornais, ag&ecirc;ncias ou emissoras estrangeiras. Ser jornalista de um ve&iacute;culo vinculado politicamente a uma das partes tamb&eacute;m n&atilde;o transforma automaticamente algu&eacute;m em combatente; o elemento decisivo &eacute; a participa&ccedil;&atilde;o direta nas hostilidades. O pr&oacute;prio <strong data-start=\"2854\" data-end=\"2896\">Committee to Protect Journalists (CPJ)<\/strong> afirma excluir de suas estat&iacute;sticas pessoas quando surgem evid&ecirc;ncias de que participavam efetivamente dos combates.<\/p>\n<p data-start=\"3052\" data-end=\"3521\">O <strong data-start=\"3054\" data-end=\"3106\">Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional<\/strong>, em seu artigo 8, classifica como crime de guerra dirigir intencionalmente ataques contra civis que n&atilde;o estejam participando diretamente das hostilidades. Portanto, se um jornalista protegido como civil &eacute; atacado deliberadamente em raz&atilde;o de sua atividade jornal&iacute;stica, o caso pode ultrapassar a discuss&atilde;o sobre liberdade de imprensa e entrar no campo dos <strong data-start=\"3462\" data-end=\"3482\">crimes de guerra<\/strong>.<\/p>\n<h2 data-section-id=\"674ovs\" data-start=\"3523\" data-end=\"3578\">Gaza: uma ruptura hist&oacute;rica na seguran&ccedil;a da imprensa<\/h2>\n<p data-start=\"3580\" data-end=\"3939\">Nenhum conflito recente tornou esse problema t&atilde;o vis&iacute;vel quanto Gaza. As organiza&ccedil;&otilde;es divergem nos n&uacute;meros porque utilizam crit&eacute;rios distintos para verificar quem exercia atividade jornal&iacute;stica, se a morte estava ligada ao trabalho e se havia participa&ccedil;&atilde;o em hostilidades. Ainda assim, todas apontam para uma perda extraordin&aacute;ria de profissionais da imprensa.<\/p>\n<p data-start=\"3941\" data-end=\"4365\">Em <strong data-start=\"3944\" data-end=\"3967\">25 de junho de 2026<\/strong>, ap&oacute;s revisar parte de sua base de dados, o CPJ contabilizava <strong data-start=\"4030\" data-end=\"4165\">209 jornalistas e trabalhadores da m&iacute;dia mortos por Israel em Gaza ou em centros de deten&ccedil;&atilde;o israelenses desde 7 de outubro de 2023<\/strong>. A organiza&ccedil;&atilde;o informou ter retirado nomes quando surgiram evid&ecirc;ncias de participa&ccedil;&atilde;o em combate, justamente para preservar a consist&ecirc;ncia metodol&oacute;gica da lista.<\/p>\n<p data-start=\"4367\" data-end=\"4852\">A <strong data-start=\"4369\" data-end=\"4417\">Federa&ccedil;&atilde;o Internacional de Jornalistas (IFJ)<\/strong> utiliza uma metodologia mais ampla e, em atualiza&ccedil;&atilde;o de <strong data-start=\"4474\" data-end=\"4498\">13 de agosto de 2026<\/strong>, registrava <strong data-start=\"4511\" data-end=\"4590\">ao menos 240 jornalistas e trabalhadores da m&iacute;dia palestinos mortos em Gaza<\/strong>. A <strong data-start=\"4594\" data-end=\"4629\">Rep&oacute;rteres Sem Fronteiras (RSF)<\/strong> contabilizava mais de 220 jornalistas palestinos mortos e afirmava ter identificado ao menos 70 casos em que profissionais foram mortos em raz&atilde;o de seu trabalho ou enquanto o exerciam.<\/p>\n<p data-start=\"4854\" data-end=\"5265\">Essa diferen&ccedil;a entre 209, 220 e 240 n&atilde;o significa que uma organiza&ccedil;&atilde;o esteja necessariamente &ldquo;certa&rdquo; e as outras &ldquo;erradas&rdquo;: os crit&eacute;rios de inclus&atilde;o s&atilde;o diferentes e as bases continuam sendo atualizadas. O dado central &eacute; que <strong data-start=\"5079\" data-end=\"5226\">Gaza se tornou o per&iacute;odo mais letal para jornalistas j&aacute; documentado por v&aacute;rias das principais organiza&ccedil;&otilde;es internacionais de defesa da imprensa<\/strong>.<\/p>\n<p data-start=\"5267\" data-end=\"5798\">Em 2025, o CPJ registrou <strong data-start=\"5292\" data-end=\"5352\">129 jornalistas e trabalhadores da m&iacute;dia mortos no mundo<\/strong>, o maior n&uacute;mero anual desde que a organiza&ccedil;&atilde;o come&ccedil;ou a registrar os casos, em 1992. <strong data-start=\"5438\" data-end=\"5494\">104 dessas mortes ocorreram em contextos de conflito<\/strong>, e dois ter&ccedil;os do total foram atribu&iacute;dos a Israel. O CPJ tamb&eacute;m classificou 47 mortes em 2025 como assassinatos deliberados relacionados ao trabalho jornal&iacute;stico; segundo a entidade, nenhuma dessas 47 havia produzido responsabiliza&ccedil;&atilde;o at&eacute; a publica&ccedil;&atilde;o do relat&oacute;rio.<\/p>\n<p data-start=\"5800\" data-end=\"5858\">A diretora-executiva do CPJ, <strong data-start=\"5829\" data-end=\"5847\">Jodie Ginsberg<\/strong>, advertiu:<\/p>\n<blockquote data-start=\"5860\" data-end=\"6068\">\n<p data-start=\"5862\" data-end=\"6068\"><strong data-start=\"5862\" data-end=\"5938\">&ldquo;We are all at risk when journalists are killed for reporting the news.&rdquo;<\/strong><br data-start=\"5938\" data-end=\"5941\">&mdash; &ldquo;Todos n&oacute;s estamos em risco quando jornalistas s&atilde;o mortos por noticiarem os fatos.&rdquo;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p data-start=\"6070\" data-end=\"6575\">Israel afirma n&atilde;o ter como pol&iacute;tica deliberada atacar jornalistas. Organiza&ccedil;&otilde;es como CPJ e RSF, entretanto, sustentam ter documentado casos em que as evid&ecirc;ncias indicam ataques direcionados e exigem investiga&ccedil;&otilde;es independentes. O problema jur&iacute;dico, portanto, n&atilde;o deve ser resolvido por declara&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas de nenhuma das partes, mas pela preserva&ccedil;&atilde;o de provas e por investiga&ccedil;&otilde;es independentes capazes de determinar inten&ccedil;&atilde;o, alvo e circunst&acirc;ncias de cada ataque.<\/p>\n<h2 data-section-id=\"o3hrwh\" data-start=\"6577\" data-end=\"6629\">Antes de Gaza, Shireen Abu Akleh j&aacute; era um alerta<\/h2>\n<p data-start=\"6631\" data-end=\"7066\">A morte da jornalista palestino-americana <strong data-start=\"6673\" data-end=\"6694\">Shireen Abu Akleh<\/strong>, correspondente da Al Jazeera, em Jenin, em maio de 2022, tornou-se um dos s&iacute;mbolos dessa discuss&atilde;o. Ela estava identificada como imprensa quando foi atingida. Uma investiga&ccedil;&atilde;o do Escrit&oacute;rio do Alto Comissariado das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Direitos Humanos concluiu que os disparos que mataram Abu Akleh vieram de for&ccedil;as israelenses.<\/p>\n<p data-start=\"7068\" data-end=\"7336\">A UNESCO condenou sua morte. Audrey Azoulay declarou que matar uma profissional claramente identificada como imprensa em uma &aacute;rea de conflito constitu&iacute;a viola&ccedil;&atilde;o do direito internacional e pediu investiga&ccedil;&atilde;o e responsabiliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p data-start=\"7338\" data-end=\"7417\">A pr&oacute;pria Abu Akleh havia explicado pouco antes por que continuava trabalhando:<\/p>\n<blockquote data-start=\"7419\" data-end=\"7571\">\n<p data-start=\"7421\" data-end=\"7571\"><strong data-start=\"7421\" data-end=\"7472\">&ldquo;I chose journalism to be close to the people.&rdquo;<\/strong><br data-start=\"7472\" data-end=\"7475\">&mdash; &ldquo;Escolhi o jornalismo para estar perto das pessoas.&rdquo;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p data-start=\"7573\" data-end=\"7911\">O caso permanece relevante porque demonstra que a quest&atilde;o da impunidade n&atilde;o come&ccedil;ou em 7 de outubro de 2023. Uma investiga&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica do CPJ identificou <strong data-start=\"7728\" data-end=\"7805\">ao menos 20 jornalistas mortos pelas for&ccedil;as israelenses entre 2001 e 2022<\/strong>, sem responsabiliza&ccedil;&atilde;o em nenhum dos casos segundo a organiza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<h2 data-section-id=\"r7wuzg\" data-start=\"7913\" data-end=\"7969\">N&atilde;o &eacute; apenas Gaza: M&eacute;xico, Ucr&acirc;nia, Sud&atilde;o e Filipinas<\/h2>\n<p data-start=\"7971\" data-end=\"8323\">Fora das guerras, o assassinato de jornalistas tamb&eacute;m pode funcionar como instrumento de controle territorial e pol&iacute;tico. O <strong data-start=\"8095\" data-end=\"8105\">M&eacute;xico<\/strong> &eacute; o exemplo mais conhecido. O CPJ contabiliza <strong data-start=\"8152\" data-end=\"8205\">mais de 150 jornalistas mortos no pa&iacute;s desde 1992<\/strong>, muitos deles ligados &agrave; cobertura de cart&eacute;is, corrup&ccedil;&atilde;o e autoridades locais.<\/p>\n<p data-start=\"8325\" data-end=\"8710\">Pesquisa acad&ecirc;mica recente sobre a viol&ecirc;ncia contra a imprensa mexicana mostra que os assassinatos n&atilde;o podem ser explicados simplesmente pelo n&iacute;vel geral de criminalidade. Estudos apontam rela&ccedil;&otilde;es entre competi&ccedil;&atilde;o entre organiza&ccedil;&otilde;es criminosas, disputas pol&iacute;ticas locais e o assassinato seletivo de jornalistas capazes de revelar essas conex&otilde;es.<\/p>\n<p data-start=\"8712\" data-end=\"8857\">O jornalista mexicano <strong data-start=\"8734\" data-end=\"8751\">Javier Valdez<\/strong>, assassinado em 2017 ap&oacute;s anos investigando narcotr&aacute;fico, deixou uma formula&ccedil;&atilde;o particularmente poderosa:<\/p>\n<blockquote data-start=\"8859\" data-end=\"8975\">\n<p data-start=\"8861\" data-end=\"8975\"><strong data-start=\"8861\" data-end=\"8894\">&ldquo;Society as a whole suffers.&rdquo;<\/strong><br data-start=\"8894\" data-end=\"8897\">&mdash; &ldquo;&Eacute; a sociedade inteira que sofre.&rdquo;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p data-start=\"8977\" data-end=\"9279\">Na <strong data-start=\"8980\" data-end=\"8991\">Ucr&acirc;nia<\/strong>, o CPJ registrou quatro jornalistas mortos por drones russos em 2025 &mdash; o maior total anual no pa&iacute;s desde os 15 mortos em 2022. Entre eles estavam os jornalistas ucranianos Olena Hramova e Yevhen Karmazin e o fotojornalista franc&ecirc;s Antoni Lallican.<\/p>\n<p data-start=\"9281\" data-end=\"9583\">No <strong data-start=\"9284\" data-end=\"9293\">Sud&atilde;o<\/strong>, nove jornalistas e trabalhadores da m&iacute;dia foram mortos em 2025, contra seis em 2024 e um em 2023. O CPJ tamb&eacute;m documentou sequestros, estupros de jornalistas mulheres, ocupa&ccedil;&atilde;o de reda&ccedil;&otilde;es e transforma&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os de m&iacute;dia em centros de deten&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p data-start=\"9585\" data-end=\"9943\">Nas <strong data-start=\"9589\" data-end=\"9602\">Filipinas<\/strong>, quase 100 jornalistas foram mortos desde 1992 segundo o CPJ. O assassinato do radialista <strong data-start=\"9693\" data-end=\"9709\">Gerry Ortega<\/strong>, em 2011, mostra como a impunidade pode persistir mesmo quando executores s&atilde;o identificados: mais de uma d&eacute;cada depois, a responsabiliza&ccedil;&atilde;o de quem teria ordenado o crime permanecia incompleta.<\/p>\n<h2 data-section-id=\"1lwrqc6\" data-start=\"9945\" data-end=\"10013\">Quando o jornalista morre, parte da prova tamb&eacute;m pode desaparecer<\/h2>\n<p data-start=\"10015\" data-end=\"10171\">H&aacute; ainda uma dimens&atilde;o que a discuss&atilde;o sobre &ldquo;liberdade de imprensa&rdquo; nem sempre captura. Jornalistas s&atilde;o tamb&eacute;m <strong data-start=\"10126\" data-end=\"10170\">produtores e preservadores de evid&ecirc;ncias<\/strong>.<\/p>\n<p data-start=\"10173\" data-end=\"10621\">Fotografias geolocalizadas, v&iacute;deos, entrevistas, registros de hospitais, identifica&ccedil;&atilde;o de unidades militares, hor&aacute;rios de explos&otilde;es e depoimentos de testemunhas podem posteriormente ajudar investigadores, organiza&ccedil;&otilde;es de direitos humanos e tribunais a reconstruir acontecimentos. O material jornal&iacute;stico n&atilde;o substitui a prova pericial ou judicial, mas frequentemente indica onde procurar, quem entrevistar e quais eventos precisam ser investigados.<\/p>\n<p data-start=\"10623\" data-end=\"11024\">Esse papel se torna ainda mais importante quando jornalistas estrangeiros n&atilde;o conseguem entrar em um territ&oacute;rio. Desde o in&iacute;cio da guerra, Israel restringiu de forma ampla o acesso independente de correspondentes internacionais a Gaza, fazendo com que jornalistas palestinos locais se tornassem a principal fonte profissional de documenta&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria do conflito.<\/p>\n<p data-start=\"11026\" data-end=\"11215\">Nesse contexto, matar, prender ou intimidar quem documenta possui um efeito que vai al&eacute;m da v&iacute;tima imediata: <strong data-start=\"11135\" data-end=\"11214\">reduz a quantidade de testemunhas capazes de registrar aquilo que aconteceu<\/strong>.<\/p>\n<h2 data-section-id=\"1ejwqoy\" data-start=\"11217\" data-end=\"11280\">Impunidade n&atilde;o &eacute; aus&ecirc;ncia de mensagem &mdash; &eacute; a pr&oacute;pria mensagem<\/h2>\n<p data-start=\"11282\" data-end=\"11614\">Quando <strong data-start=\"11289\" data-end=\"11351\">85% dos assassinatos de jornalistas permanecem sem solu&ccedil;&atilde;o<\/strong>, a impunidade deixa de ser apenas defici&ecirc;ncia administrativa. Ela cria um incentivo. O assassino potencial aprende que o risco de puni&ccedil;&atilde;o &eacute; baixo; os jornalistas aprendem que determinadas investiga&ccedil;&otilde;es podem custar a vida.<\/p>\n<p data-start=\"11616\" data-end=\"11952\">&Eacute; por isso que proteger jornalistas exige mais do que homenagens ap&oacute;s suas mortes. Exige investiga&ccedil;&atilde;o independente, preserva&ccedil;&atilde;o de provas, prote&ccedil;&atilde;o de testemunhas, responsabiliza&ccedil;&atilde;o de mandantes, acesso de jornalistas a &aacute;reas de conflito e mecanismos internacionais quando os pr&oacute;prios Estados n&atilde;o conseguem &mdash; ou n&atilde;o querem &mdash; investigar.<\/p>\n<p data-start=\"11954\" data-end=\"12226\">O Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas n&atilde;o &eacute;, portanto, uma data corporativa dedicada apenas a uma profiss&atilde;o. <strong data-start=\"12098\" data-end=\"12226\">Quando quem documenta pode ser morto sem consequ&ecirc;ncia, a sociedade perde parte de sua capacidade de saber o que o poder fez.<\/strong><\/p>\n<p data-start=\"12228\" data-end=\"12454\">E quando matar a testemunha se torna mais f&aacute;cil do que responder &agrave;s provas que ela produziu, o assassinato de jornalistas deixa de ser apenas consequ&ecirc;ncia da viol&ecirc;ncia. Pode transformar-se em <strong data-start=\"12420\" data-end=\"12453\">m&eacute;todo para produzir sil&ecirc;ncio<\/strong>.<\/p>\n<h2 data-section-id=\"7f29y7\" data-start=\"12456\" data-end=\"12470\">Refer&ecirc;ncias<\/h2>\n<p data-start=\"12472\" data-end=\"12739\">COMMITTEE TO PROTECT JOURNALISTS (CPJ). <strong data-start=\"12512\" data-end=\"12585\">International Day to End Impunity for Crimes Against Journalists 2025<\/strong>. New York, 2025. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"12617\" data-end=\"12620\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/cpj.org\/issue\/international-day-to-end-impunity-for-crimes-against-journalists-2025\/?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"12620\" data-end=\"12712\">https:\/\/cpj.org\/issue\/international-day-to-end-impunity-for-crimes-against-journalists-2025\/<\/a><br data-start=\"12712\" data-end=\"12715\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"12741\" data-end=\"13068\">COMMITTEE TO PROTECT JOURNALISTS (CPJ). <strong data-start=\"12781\" data-end=\"12879\">CPJ undertakes review of its documentation of journalists killed in Israel-Gaza war since 2023<\/strong>. New York, 25 jun. 2026. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"12919\" data-end=\"12922\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/cpj.org\/2026\/06\/cpj-undertakes-review-of-its-documentation-of-journalists-killed-in-israel-gaza-war-since-2023\/?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"12922\" data-end=\"13041\">https:\/\/cpj.org\/2026\/06\/cpj-undertakes-review-of-its-documentation-of-journalists-killed-in-israel-gaza-war-since-2023\/<\/a><br data-start=\"13041\" data-end=\"13044\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"13070\" data-end=\"13373\">COMMITTEE TO PROTECT JOURNALISTS (CPJ). <strong data-start=\"13110\" data-end=\"13191\">Record 129 press members killed in 2025; Israel responsible for 2\/3 of deaths<\/strong>. New York, 25 fev. 2026. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"13231\" data-end=\"13234\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/cpj.org\/special-reports\/record-129-press-members-killed-in-2025-israel-responsible-for-2-of-3-of-deaths\/?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"13234\" data-end=\"13346\">https:\/\/cpj.org\/special-reports\/record-129-press-members-killed-in-2025-israel-responsible-for-2-of-3-of-deaths\/<\/a><br data-start=\"13346\" data-end=\"13349\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"13375\" data-end=\"13681\">COMIT&Ecirc; INTERNACIONAL DA CRUZ VERMELHA (CICV). <strong data-start=\"13421\" data-end=\"13554\">Protocol Additional to the Geneva Conventions of 12 August 1949 (Protocol I): Article 79 &mdash; Measures of protection for journalists<\/strong>. Genebra, 1977. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"13585\" data-end=\"13588\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/ihl-databases.icrc.org\/en\/ihl-treaties\/api-1977\/article-79\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"13588\" data-end=\"13654\">https:\/\/ihl-databases.icrc.org\/en\/ihl-treaties\/api-1977\/article-79<\/a><br data-start=\"13654\" data-end=\"13657\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"13683\" data-end=\"13917\">INTERNATIONAL FEDERATION OF JOURNALISTS (IFJ). <strong data-start=\"13730\" data-end=\"13802\">Palestine: at least 240 journalists and media workers killed in Gaza<\/strong>. Bruxelas, atualizado em 13 ago. 2026. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"13856\" data-end=\"13859\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.ifj.org\/war-in-gaza?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"13859\" data-end=\"13890\">https:\/\/www.ifj.org\/war-in-gaza<\/a><br data-start=\"13890\" data-end=\"13893\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"13919\" data-end=\"14113\">NA&Ccedil;&Otilde;ES UNIDAS. <strong data-start=\"13934\" data-end=\"13986\">Rome Statute of the International Criminal Court<\/strong>. Roma, 17 jul. 1998. Art. 8. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"14030\" data-end=\"14033\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/legal.un.org\/icc\/statute\/99_corr\/cstatute.htm?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"14033\" data-end=\"14086\">https:\/\/legal.un.org\/icc\/statute\/99_corr\/cstatute.htm<\/a><br data-start=\"14086\" data-end=\"14089\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"14115\" data-end=\"14423\">OFFICE OF THE UNITED NATIONS HIGH COMMISSIONER FOR HUMAN RIGHTS (OHCHR). <strong data-start=\"14188\" data-end=\"14251\">Killing of journalist in the occupied Palestinian territory<\/strong>. Genebra, 24 jun. 2022. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"14290\" data-end=\"14293\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.ohchr.org\/en\/press-briefing-notes\/2022\/06\/killing-journalist-occupied-palestinian-territory\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"14293\" data-end=\"14396\">https:\/\/www.ohchr.org\/en\/press-briefing-notes\/2022\/06\/killing-journalist-occupied-palestinian-territory<\/a><br data-start=\"14396\" data-end=\"14399\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"14425\" data-end=\"14591\">REPORTERS WITHOUT BORDERS (RSF). <strong data-start=\"14458\" data-end=\"14496\">Palestine: press freedom situation<\/strong>. Paris, 2026. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"14525\" data-end=\"14528\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/rsf.org\/en\/country\/palestine?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"14528\" data-end=\"14564\">https:\/\/rsf.org\/en\/country\/palestine<\/a><br data-start=\"14564\" data-end=\"14567\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"14593\" data-end=\"15101\">TREJO, Guillermo; et al. <strong data-start=\"14618\" data-end=\"14750\">Silencing the Press in Criminal Wars: Why the War on Drugs Turned Mexico into the World&rsquo;s Most Dangerous Country for Journalists<\/strong>. <em data-start=\"14752\" data-end=\"14778\">Perspectives on Politics<\/em>. Cambridge: Cambridge University Press, 2026. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"14839\" data-end=\"14842\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/perspectives-on-politics\/article\/silencing-the-press-in-criminal-wars-why-the-war-on-drugs-turned-mexico-into-the-worlds-most-dangerous-country-for-journalists\/A5C362BB9FA3B3CEB337567342E8A7E1?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"14842\" data-end=\"15074\">https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/perspectives-on-politics\/article\/silencing-the-press-in-criminal-wars-why-the-war-on-drugs-turned-mexico-into-the-worlds-most-dangerous-country-for-journalists\/A5C362BB9FA3B3CEB337567342E8A7E1<\/a><br data-start=\"15074\" data-end=\"15077\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"15103\" data-end=\"15275\">UNESCO. <strong data-start=\"15111\" data-end=\"15179\">International Day to End Impunity for Crimes against Journalists<\/strong>. Paris. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"15202\" data-end=\"15205\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.unesco.org\/en\/days\/end-impunity?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"15205\" data-end=\"15248\">https:\/\/www.unesco.org\/en\/days\/end-impunity<\/a><br data-start=\"15248\" data-end=\"15251\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"15277\" data-end=\"15508\">UNESCO. <strong data-start=\"15285\" data-end=\"15343\">85% of journalist killings remain unpunished worldwide<\/strong>. Paris, 2 nov. 2024. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"15379\" data-end=\"15382\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.unesco.org\/en\/articles\/85-journalist-killings-remain-unpunished-worldwide-unesco-report?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"15382\" data-end=\"15481\">https:\/\/www.unesco.org\/en\/articles\/85-journalist-killings-remain-unpunished-worldwide-unesco-report<\/a><br data-start=\"15481\" data-end=\"15484\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"15510\" data-end=\"15664\">UNESCO. <strong data-start=\"15518\" data-end=\"15555\">Observatory of Killed Journalists<\/strong>. Paris. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"15578\" data-end=\"15581\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.unesco.org\/en\/safety-journalists\/observatory\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"15581\" data-end=\"15637\">https:\/\/www.unesco.org\/en\/safety-journalists\/observatory<\/a><br data-start=\"15637\" data-end=\"15640\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"15666\" data-end=\"15964\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\">UNESCO. <strong data-start=\"15674\" data-end=\"15777\">Director-General condemns killing of prominent television journalist Shireen Abu Akleh in Palestine<\/strong>. Paris, 2022. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"15806\" data-end=\"15809\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.unesco.org\/en\/articles\/director-general-condemns-killing-prominent-television-journalist-shireen-abu-akleh-palestine\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"15809\" data-end=\"15937\">https:\/\/www.unesco.org\/en\/articles\/director-general-condemns-killing-prominent-television-journalist-shireen-abu-akleh-palestine<\/a><br data-start=\"15937\" data-end=\"15940\">Acesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jornalistas n&atilde;o carregam apenas c&acirc;meras, gravadores e cadernos. Em guerras, ditaduras e territ&oacute;rios dominados pelo crime organizado, carregam algo igualmente perigoso para quem deseja agir sem testemunhas: a possibilidade de que uma morte, uma pris&atilde;o, um bombardeio ou uma execu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o desapare&ccedil;a sem registro. 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