{"id":1935,"date":"2026-09-07T01:01:45","date_gmt":"2026-09-07T04:01:45","guid":{"rendered":"https:\/\/tatianamendonca.com\/?p=1935"},"modified":"2026-09-16T23:05:14","modified_gmt":"2026-09-17T02:05:14","slug":"independencia-do-brasil-soberania-politica-escravidao-e-a-dificil-construcao-de-autonomia-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tatianamendonca.com\/uncategorized\/independencia-do-brasil-soberania-politica-escravidao-e-a-dificil-construcao-de-autonomia-internacional\/","title":{"rendered":"Independ\u00eancia do Brasil: soberania pol\u00edtica, escravid\u00e3o e a dif\u00edcil constru\u00e7\u00e3o de autonomia internacional"},"content":{"rendered":"<?xml encoding=\"utf-8\" ?><div class=\"qMYqUG_convSearchResultHighlightRoot\">\n<div class=\"\" data-turn-id-container=\"request-6a803b6e-e400-83eb-b9bb-b9aa694ca98b-70\" data-is-intersecting=\"true\">\n<section class=\"text-token-text-primary w-full focus:outline-none has-data-writing-block:pointer-events-none [&amp;:has([data-writing-block])&gt;*]:pointer-events-auto R6Vx5W_threadScrollVars scroll-mb-[calc(var(--scroll-root-safe-area-inset-bottom,0px)+var(--thread-response-height))] scroll-mt-[calc(var(--header-height)+min(200px,max(70px,20svh)))]\" dir=\"auto\" data-turn-id=\"request-6a803b6e-e400-83eb-b9bb-b9aa694ca98b-70\" data-turn-id-container=\"request-6a803b6e-e400-83eb-b9bb-b9aa694ca98b-70\" data-testid=\"conversation-turn-226\" data-turn=\"assistant\">\n<div class=\"text-base my-auto mx-auto pb-8 [--thread-content-margin:var(--thread-content-margin-xs,calc(var(--spacing)*4))] @w-sm\/main:[--thread-content-margin:var(--thread-content-margin-sm,calc(var(--spacing)*6))] @w-lg\/main:[--thread-content-margin:var(--thread-content-margin-lg,calc(var(--spacing)*16))] px-(--thread-content-margin)\">\n<div class=\"[--thread-content-max-width:40rem] @w-lg\/main:[--thread-content-max-width:48rem] mx-auto max-w-(--thread-content-max-width) flex-1 group\/turn-messages focus-visible:outline-hidden relative flex w-full min-w-0 flex-col agent-turn\" data-conversation-screenshot-content=\"\">\n<div class=\"flex max-w-full flex-col gap-4 grow\">\n<div class=\"min-h-8 text-message relative flex w-full flex-col items-end gap-2 text-start break-words whitespace-normal outline-none keyboard-focused:focus-ring [.text-message+&amp;]:mt-1\" dir=\"auto\" tabindex=\"0\" data-message-author-role=\"assistant\" data-message-id=\"1b4e7406-6097-4d99-aed1-2dd3b5d20527\" data-turn-start-message=\"true\" data-message-model-slug=\"gpt-5-6-thinking\">\n<div class=\"flex w-full flex-col gap-1 empty:hidden\">\n<div class=\"markdown prose dark:prose-invert wrap-break-word w-full light markdown-new-styling\">\n<p class=\"PDq2pG_selectionAnchorContainer\" data-start=\"122\" data-end=\"736\"><em data-start=\"122\" data-end=\"736\">O 7 de setembro costuma ser resumido na imagem de Dom Pedro &agrave;s margens do Ipiranga, mas a independ&ecirc;ncia brasileira n&atilde;o se completou em uma tarde de 1822. Ela precisou ser defendida militarmente, reconhecida diplomaticamente e financiada em um sistema internacional dominado por pot&ecirc;ncias muito mais fortes. O novo Estado nasceu soberano perante Portugal, mas manteve a escravid&atilde;o, preservou grande parte das elites coloniais e entrou na economia mundial em posi&ccedil;&atilde;o desigual. Vista pelas Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais, a Independ&ecirc;ncia do Brasil &eacute; menos uma cena isolada do que o in&iacute;cio de uma longa busca por autonomia.<\/em><\/p>\n<h2 data-start=\"738\" data-end=\"772\">A independ&ecirc;ncia foi um processo<\/h2>\n<p data-start=\"774\" data-end=\"1118\">A ruptura de 1822 vinha sendo preparada por transforma&ccedil;&otilde;es anteriores. A transfer&ecirc;ncia da corte portuguesa para o Rio de Janeiro em <strong data-start=\"906\" data-end=\"914\">1808<\/strong>, a abertura dos portos, a eleva&ccedil;&atilde;o do Brasil a Reino Unido de Portugal e Algarves em 1815 e a Revolu&ccedil;&atilde;o Liberal do Porto, em 1820, alteraram profundamente a rela&ccedil;&atilde;o entre Lisboa e o territ&oacute;rio americano.<\/p>\n<p data-start=\"1120\" data-end=\"1577\">Quando as Cortes portuguesas tentaram recentralizar o poder e reduzir a autonomia conquistada pelo Rio de Janeiro, setores das elites brasileiras passaram a enxergar a separa&ccedil;&atilde;o como forma de preservar interesses pol&iacute;ticos e econ&ocirc;micos. A pr&oacute;pria FUNAG observa que a mem&oacute;ria coletiva condensou em 7 de setembro um processo &ldquo;longo e intrincado&rdquo;, que envolveu dimens&otilde;es institucionais, diplom&aacute;ticas, econ&ocirc;micas e sociais.<\/p>\n<p data-start=\"1579\" data-end=\"1879\">Por isso, a Independ&ecirc;ncia n&atilde;o deve ser descrita simplesmente como revolu&ccedil;&atilde;o popular nem como mera continuidade. Ela alterou profundamente a condi&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica internacional do Brasil, mas foi conduzida de maneira a preservar a monarquia, a unidade territorial e uma ordem social fortemente escravista.<\/p>\n<p data-start=\"1881\" data-end=\"1992\">O historiador <strong data-start=\"1895\" data-end=\"1917\">Jo&atilde;o Paulo Pimenta<\/strong>, da USP, sintetizou essa ambiguidade ao discutir a escravid&atilde;o no processo:<\/p>\n<blockquote data-start=\"1994\" data-end=\"2083\">\n<p data-start=\"1996\" data-end=\"2083\"><strong data-start=\"1996\" data-end=\"2083\">&ldquo;A Independ&ecirc;ncia foi um projeto fortemente centrado na continuidade da escravid&atilde;o.&rdquo;<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p data-start=\"2085\" data-end=\"2300\">Pimenta ressalta que, para muitos contempor&acirc;neos, havia forte elemento de continuidade, embora a cria&ccedil;&atilde;o de um Estado soberano tamb&eacute;m representasse transforma&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica real.<\/p>\n<h2 data-start=\"2302\" data-end=\"2362\">Um pa&iacute;s n&atilde;o se torna soberano apenas porque declara que &eacute;<\/h2>\n<p data-start=\"2364\" data-end=\"2716\">Depois de setembro de 1822, uma das primeiras tarefas da diplomacia brasileira foi convencer outros governos de que o novo Estado existia e deveria ser tratado como tal. Reconhecimento internacional significava poder enviar representantes diplom&aacute;ticos, negociar tratados, obter cr&eacute;dito e estabelecer rela&ccedil;&otilde;es comerciais sem a intermedia&ccedil;&atilde;o de Portugal.<\/p>\n<p data-start=\"2718\" data-end=\"3151\">Jos&eacute; Bonif&aacute;cio, primeiro respons&aacute;vel pela pol&iacute;tica externa do Brasil independente, compreendeu cedo essa dimens&atilde;o. Durante sua gest&atilde;o foram enviadas miss&otilde;es a <strong data-start=\"2877\" data-end=\"2950\">Buenos Aires, Londres, Paris, Viena, Estados alem&atilde;es e Estados Unidos<\/strong>, buscando reconhecimento e apoio internacional. Para ele, pol&iacute;tica externa, unidade territorial e capacidade de defesa faziam parte do mesmo projeto de soberania.<\/p>\n<p data-start=\"3153\" data-end=\"3403\">Os <strong data-start=\"3156\" data-end=\"3248\">Estados Unidos reconheceram formalmente a independ&ecirc;ncia brasileira em 26 de maio de 1824<\/strong>, quando o presidente James Monroe recebeu o diplomata Jos&eacute; Silvestre Rebello como encarregado de neg&oacute;cios do Brasil.<\/p>\n<p data-start=\"3405\" data-end=\"3860\">Portugal demorou mais. O reconhecimento veio pelo <strong data-start=\"3455\" data-end=\"3500\">Tratado de Paz, Amizade e Alian&ccedil;a de 1825<\/strong>, negociado com participa&ccedil;&atilde;o decisiva da diplomacia brit&acirc;nica. A pr&oacute;pria C&acirc;mara dos Deputados destacou recentemente que 7 de setembro &ldquo;n&atilde;o encerrou a luta pela soberania nacional&rdquo;: entre 1822 e 1825, o Brasil precisou enfrentar press&otilde;es internacionais e complexas negocia&ccedil;&otilde;es com Portugal e as grandes pot&ecirc;ncias europeias.<\/p>\n<h2 data-start=\"3862\" data-end=\"3892\">O reconhecimento teve pre&ccedil;o<\/h2>\n<p data-start=\"3894\" data-end=\"3997\">A diplomacia da independ&ecirc;ncia mostra tamb&eacute;m que soberania formal n&atilde;o significa aus&ecirc;ncia de depend&ecirc;ncia.<\/p>\n<p data-start=\"3999\" data-end=\"4400\">A Gr&atilde;-Bretanha era a principal pot&ecirc;ncia econ&ocirc;mica e mar&iacute;tima da &eacute;poca e desempenhou papel central na media&ccedil;&atilde;o entre Brasil e Portugal. Em <strong data-start=\"4137\" data-end=\"4145\">1824<\/strong>, representantes brasileiros negociaram em Londres um empr&eacute;stimo externo de cerca de <strong data-start=\"4230\" data-end=\"4263\">1 milh&atilde;o de libras esterlinas<\/strong>, utilizado, entre outras finalidades, para financiar os custos da pr&oacute;pria guerra de independ&ecirc;ncia.<\/p>\n<p data-start=\"4402\" data-end=\"4701\">O acordo com Portugal envolveu ainda uma indeniza&ccedil;&atilde;o de <strong data-start=\"4458\" data-end=\"4492\">2 milh&otilde;es de libras esterlinas<\/strong>, financiada com recursos obtidos junto ao capital brit&acirc;nico. O Arquivo Nacional registra que esse pagamento integrou as condi&ccedil;&otilde;es que cercaram o reconhecimento portugu&ecirc;s.<\/p>\n<p data-start=\"4703\" data-end=\"4843\">Assim, uma das primeiras opera&ccedil;&otilde;es internacionais do Brasil soberano foi assumir d&iacute;vida externa para consolidar politicamente sua separa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p data-start=\"4845\" data-end=\"5050\">Esse epis&oacute;dio oferece uma imagem quase perfeita do paradoxo da independ&ecirc;ncia: o pa&iacute;s conquistava autonomia jur&iacute;dica ao mesmo tempo em que entrava no sistema financeiro internacional em posi&ccedil;&atilde;o assim&eacute;trica.<\/p>\n<h2 data-start=\"5052\" data-end=\"5110\">A escravid&atilde;o era a contradi&ccedil;&atilde;o no centro do novo Estado<\/h2>\n<p data-start=\"5112\" data-end=\"5265\">Nenhuma an&aacute;lise da independ&ecirc;ncia brasileira pode ignorar que o Estado que se proclamava livre continuou sustentado pelo trabalho de pessoas escravizadas.<\/p>\n<p data-start=\"5267\" data-end=\"5723\">O Senado observa que os interesses das elites pol&iacute;ticas e econ&ocirc;micas envolvidas na independ&ecirc;ncia estavam profundamente ligados ao <strong data-start=\"5397\" data-end=\"5470\">latif&uacute;ndio escravista e &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;rias-primas para exporta&ccedil;&atilde;o<\/strong>. A monarquia e a centraliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica ajudaram a conservar a unidade territorial, mas tamb&eacute;m preservaram uma estrutura social que excluiria milh&otilde;es de pessoas da liberdade e da cidadania por mais de seis d&eacute;cadas.<\/p>\n<p data-start=\"5725\" data-end=\"6165\">A escravid&atilde;o tamb&eacute;m se tornou quest&atilde;o diplom&aacute;tica. A Gr&atilde;-Bretanha condicionou parte de suas rela&ccedil;&otilde;es com o Brasil ao compromisso de combater o tr&aacute;fico transatl&acirc;ntico. Em <strong data-start=\"5895\" data-end=\"5903\">1826<\/strong>, o governo brasileiro assumiu obriga&ccedil;&atilde;o internacional de encerr&aacute;-lo em tr&ecirc;s anos, e uma lei de 1831 declararia livres os africanos desembarcados ilegalmente. O tr&aacute;fico, contudo, continuaria em grande escala durante d&eacute;cadas.<\/p>\n<p data-start=\"6167\" data-end=\"6371\">A pol&iacute;tica externa brasileira nasceu, portanto, diante de um dilema que reapareceria muitas vezes na hist&oacute;ria do pa&iacute;s: como conciliar press&otilde;es internacionais com interesses de grupos dom&eacute;sticos poderosos?<\/p>\n<h2 data-start=\"6373\" data-end=\"6437\">Independ&ecirc;ncia pol&iacute;tica n&atilde;o significou independ&ecirc;ncia econ&ocirc;mica<\/h2>\n<p data-start=\"6439\" data-end=\"6662\">O Brasil ingressou no chamado &ldquo;concerto das na&ccedil;&otilde;es&rdquo; como monarquia independente, mas sua economia permaneceu baseada principalmente na exporta&ccedil;&atilde;o de produtos prim&aacute;rios e na importa&ccedil;&atilde;o de manufaturas, capitais e tecnologias.<\/p>\n<p data-start=\"6664\" data-end=\"6967\">Essa posi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deve ser confundida com aus&ecirc;ncia de soberania. O Brasil era juridicamente um Estado independente e gradualmente construiu diplomacia pr&oacute;pria, for&ccedil;as armadas e capacidade de negociar com outros pa&iacute;ses. Mas sua autonomia encontrava limites impostos pela estrutura econ&ocirc;mica internacional.<\/p>\n<p data-start=\"6969\" data-end=\"7085\">&Eacute; justamente dessa tens&atilde;o que surgiria um dos temas mais persistentes da pol&iacute;tica externa brasileira: <strong data-start=\"7071\" data-end=\"7084\">autonomia<\/strong>.<\/p>\n<p data-start=\"7087\" data-end=\"7524\">A literatura diplom&aacute;tica brasileira utiliza o conceito de formas diferentes, mas uma caracter&iacute;stica reaparece ao longo dos s&eacute;culos: a tentativa de ampliar a margem de decis&atilde;o nacional sem simplesmente romper com o sistema internacional. Estudo publicado pela FUNAG identifica essa busca como uma linha recorrente da pol&iacute;tica externa brasileira, apesar de mudan&ccedil;as de governos e contextos hist&oacute;ricos.<\/p>\n<p data-start=\"7526\" data-end=\"7876\">D&eacute;cadas depois, o chanceler <strong data-start=\"7554\" data-end=\"7574\">San Tiago Dantas<\/strong>, ao formular a Pol&iacute;tica Externa Independente dos anos 1960, definiria esse princ&iacute;pio de modo bastante direto: a pol&iacute;tica internacional deveria partir da <strong data-start=\"7728\" data-end=\"7779\">&ldquo;considera&ccedil;&atilde;o exclusiva do interesse do Brasil&rdquo;<\/strong>, associada ao desenvolvimento e &agrave; emancipa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica.<\/p>\n<p data-start=\"7878\" data-end=\"8068\">A formula&ccedil;&atilde;o pertence a outro momento hist&oacute;rico, mas revela a perman&ecirc;ncia da mesma quest&atilde;o aberta em 1822: soberania jur&iacute;dica existe; autonomia material precisa ser continuamente constru&iacute;da.<\/p>\n<h2 data-start=\"8070\" data-end=\"8104\">De 1822 ao Brasil contempor&acirc;neo<\/h2>\n<p data-start=\"8106\" data-end=\"8524\">&Eacute; por isso que express&otilde;es atuais como <strong data-start=\"8144\" data-end=\"8237\">autonomia estrat&eacute;gica, multipolaridade, Sul Global ou reforma da governan&ccedil;a internacional<\/strong> n&atilde;o surgem do nada. Elas fazem parte de uma tradi&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica moldada pela condi&ccedil;&atilde;o de um pa&iacute;s territorialmente grande e formalmente soberano, mas historicamente inserido em estruturas internacionais nas quais poder econ&ocirc;mico, militar e tecnol&oacute;gico &eacute; distribu&iacute;do de maneira desigual.<\/p>\n<p data-start=\"8526\" data-end=\"8850\">Isso n&atilde;o significa que exista uma linha reta ligando Dom Pedro I &agrave; pol&iacute;tica externa contempor&acirc;nea. Os objetivos, regimes pol&iacute;ticos e alian&ccedil;as mudaram profundamente. O que permanece &eacute; o problema estrutural: <strong data-start=\"8732\" data-end=\"8850\">como aumentar a capacidade de escolha de um Estado que n&atilde;o controla sozinho as condi&ccedil;&otilde;es do sistema internacional?<\/strong><\/p>\n<p data-start=\"8852\" data-end=\"9212\">A Independ&ecirc;ncia tamb&eacute;m ajuda a evitar uma interpreta&ccedil;&atilde;o equivocada de soberania como isolamento. O Brasil de 1822 precisou justamente do contr&aacute;rio: diplomatas, negocia&ccedil;&otilde;es, tratados, reconhecimento e rela&ccedil;&otilde;es comerciais. Soberania nunca significou n&atilde;o depender de ningu&eacute;m; significou conquistar capacidade pr&oacute;pria para decidir como negociar essas depend&ecirc;ncias.<\/p>\n<h2 data-start=\"9214\" data-end=\"9239\">Independ&ecirc;ncia de quem?<\/h2>\n<p data-start=\"9241\" data-end=\"9549\">H&aacute;, finalmente, uma pergunta que as comemora&ccedil;&otilde;es nacionais frequentemente deixam de lado. Se milh&otilde;es de pessoas permaneciam escravizadas, ind&iacute;genas eram violentamente deslocados e a participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica estava concentrada em uma parcela reduzida da popula&ccedil;&atilde;o, quem exatamente se tornou independente em 1822?<\/p>\n<p data-start=\"9551\" data-end=\"9829\">A resposta n&atilde;o precisa negar a import&acirc;ncia hist&oacute;rica da ruptura com Portugal. O Brasil tornou-se efetivamente um Estado soberano, criou institui&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias e passou a atuar diretamente no sistema internacional. Mas independ&ecirc;ncia estatal e emancipa&ccedil;&atilde;o social n&atilde;o s&atilde;o sin&ocirc;nimos.<\/p>\n<p data-start=\"9831\" data-end=\"10227\">Talvez por isso o 7 de setembro continue relevante para al&eacute;m do patriotismo ritual. Ele permite pensar a diferen&ccedil;a entre <strong data-start=\"9952\" data-end=\"9992\">independ&ecirc;ncia, soberania e autonomia<\/strong>: independ&ecirc;ncia &eacute; n&atilde;o estar juridicamente subordinado a outro Estado; soberania &eacute; possuir autoridade pol&iacute;tica pr&oacute;pria; autonomia &eacute; dispor de condi&ccedil;&otilde;es reais para fazer escolhas sem depend&ecirc;ncia excessiva de poderes externos ou internos.<\/p>\n<p data-start=\"10229\" data-end=\"10367\">Em 1822, o Brasil conquistou a primeira e come&ccedil;ou a construir a segunda. A terceira permanece, em diferentes formas, um projeto hist&oacute;rico.<\/p>\n<p data-start=\"10369\" data-end=\"10820\">Celebrar criticamente a Independ&ecirc;ncia n&atilde;o reduz sua import&acirc;ncia. Ao contr&aacute;rio, devolve-lhe densidade: o Brasil nasceu soberano, mas nasceu escravista, endividado e inserido em uma ordem mundial desigual. <strong data-start=\"10573\" data-end=\"10820\">A quest&atilde;o que atravessa seus mais de dois s&eacute;culos de pol&iacute;tica externa n&atilde;o &eacute; apenas se o pa&iacute;s &eacute; independente, mas quanto poder real possui para transformar essa independ&ecirc;ncia em escolhas pr&oacute;prias &mdash; e para quem essas escolhas produzem liberdade.<\/strong><\/p>\n<h2 data-start=\"10822\" data-end=\"10836\">Refer&ecirc;ncias<\/h2>\n<p data-start=\"10838\" data-end=\"11103\">ANJOS, Jo&atilde;o Alfredo dos. <strong data-start=\"10863\" data-end=\"10911\">Jos&eacute; Bonif&aacute;cio, primeiro chanceler do Brasil<\/strong>. Bras&iacute;lia: Funda&ccedil;&atilde;o Alexandre de Gusm&atilde;o, 2022. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"10973\" data-end=\"10976\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/funag.gov.br\/boletim-editorial\/boletim-bicentenario\/\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"10976\" data-end=\"11036\">https:\/\/funag.gov.br\/boletim-editorial\/boletim-bicentenario\/<\/a><br data-start=\"11036\" data-end=\"11039\">Acesso em: 16 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"11105\" data-end=\"11413\">ARQUIVO NACIONAL. <strong data-start=\"11123\" data-end=\"11162\">Legisla&ccedil;&atilde;o abolicionista no Imp&eacute;rio<\/strong>. Rio de Janeiro. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"11194\" data-end=\"11197\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/arquivonacional\/pt-br\/sites_eventos\/sites-tematicos-1\/brasil-oitocentista\/temas-oitocentistas\/legislacao-abolicionista-no-imperio\/?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"11197\" data-end=\"11346\">https:\/\/www.gov.br\/arquivonacional\/pt-br\/sites_eventos\/sites-tematicos-1\/brasil-oitocentista\/temas-oitocentistas\/legislacao-abolicionista-no-imperio\/<\/a><br data-start=\"11346\" data-end=\"11349\">Acesso em: 16 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"11415\" data-end=\"11692\">ARQUIVO NACIONAL. <strong data-start=\"11433\" data-end=\"11457\">Marqu&ecirc;s de Barbacena<\/strong>. Rio de Janeiro. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"11489\" data-end=\"11492\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/arquivonacional\/pt-br\/sites_eventos\/sites-tematicos-1\/brasil-oitocentista\/conheca-o-acervo\/marques-de-barbacena-q1?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"11492\" data-end=\"11625\">https:\/\/www.gov.br\/arquivonacional\/pt-br\/sites_eventos\/sites-tematicos-1\/brasil-oitocentista\/conheca-o-acervo\/marques-de-barbacena-q1<\/a><br data-start=\"11625\" data-end=\"11628\">Acesso em: 16 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"11694\" data-end=\"11944\">BRASIL. C&Acirc;MARA DOS DEPUTADOS. <strong data-start=\"11724\" data-end=\"11777\">1825: o ingresso do Brasil no Concerto das Na&ccedil;&otilde;es<\/strong>. Bras&iacute;lia: Edi&ccedil;&otilde;es C&acirc;mara, 2026. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"11825\" data-end=\"11828\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/bd.camara.leg.br\/bd\/handle\/bdcamara\/57614\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"11828\" data-end=\"11877\">https:\/\/bd.camara.leg.br\/bd\/handle\/bdcamara\/57614<\/a><br data-start=\"11877\" data-end=\"11880\">Acesso em: 16 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"11946\" data-end=\"12192\">BRASIL. FUNDA&Ccedil;&Atilde;O ALEXANDRE DE GUSM&Atilde;O. <strong data-start=\"11984\" data-end=\"12032\">As singularidades da Independ&ecirc;ncia do Brasil<\/strong>. Bras&iacute;lia: FUNAG, 2022. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"12071\" data-end=\"12074\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/funag.gov.br\/biblioteca-nova\/produto\/1-1186\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"12074\" data-end=\"12125\">https:\/\/funag.gov.br\/biblioteca-nova\/produto\/1-1186<\/a><br data-start=\"12125\" data-end=\"12128\">Acesso em: 16 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"12194\" data-end=\"12500\">BRASIL. FUNDA&Ccedil;&Atilde;O ALEXANDRE DE GUSM&Atilde;O. <strong data-start=\"12232\" data-end=\"12292\">Hist&oacute;ria das rela&ccedil;&otilde;es bilaterais do Brasil: Gr&atilde;-Bretanha<\/strong>. Bras&iacute;lia. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"12318\" data-end=\"12321\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/funag\/pt-br\/chdd\/historia-diplomatica\/historia-das-relacoes-bilaterais-do-brasil\/gra-bretanha?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"12321\" data-end=\"12433\">https:\/\/www.gov.br\/funag\/pt-br\/chdd\/historia-diplomatica\/historia-das-relacoes-bilaterais-do-brasil\/gra-bretanha<\/a><br data-start=\"12433\" data-end=\"12436\">Acesso em: 16 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"12502\" data-end=\"12800\">BRASIL. FUNDA&Ccedil;&Atilde;O ALEXANDRE DE GUSM&Atilde;O. <strong data-start=\"12540\" data-end=\"12596\">Hist&oacute;ria das rela&ccedil;&otilde;es bilaterais do Brasil: Portugal<\/strong>. Bras&iacute;lia. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"12622\" data-end=\"12625\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/funag\/pt-br\/chdd\/historia-diplomatica\/historia-das-relacoes-bilaterais-do-brasil\/portugal?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"12625\" data-end=\"12733\">https:\/\/www.gov.br\/funag\/pt-br\/chdd\/historia-diplomatica\/historia-das-relacoes-bilaterais-do-brasil\/portugal<\/a><br data-start=\"12733\" data-end=\"12736\">Acesso em: 16 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"12802\" data-end=\"13050\">DANTAS, San Tiago. <strong data-start=\"12821\" data-end=\"12854\">Pol&iacute;tica Externa Independente<\/strong>. 2. ed. Bras&iacute;lia: FUNAG, 2011. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"12900\" data-end=\"12903\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/funag.gov.br\/biblioteca-nova\/produto\/1-877-politica_externa_independente\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"12903\" data-end=\"12983\">https:\/\/funag.gov.br\/biblioteca-nova\/produto\/1-877-politica_externa_independente<\/a><br data-start=\"12983\" data-end=\"12986\">Acesso em: 16 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"13052\" data-end=\"13425\">LIGI&Eacute;RO, Luiz Fernando. <strong data-start=\"13076\" data-end=\"13122\">A autonomia na pol&iacute;tica externa brasileira<\/strong>. Bras&iacute;lia: FUNAG, 2011. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"13161\" data-end=\"13164\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/funag.gov.br\/biblioteca-nova\/produto\/1-24-autonomia_na_politica_externa_brasileira_a_politica_externa_independente_e_o_pragmatismo_responsavel_momentos_diferentes_politicas_semelhantes_a\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"13164\" data-end=\"13358\">https:\/\/funag.gov.br\/biblioteca-nova\/produto\/1-24-autonomia_na_politica_externa_brasileira_a_politica_externa_independente_e_o_pragmatismo_responsavel_momentos_diferentes_politicas_semelhantes_a<\/a><br data-start=\"13358\" data-end=\"13361\">Acesso em: 16 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"13427\" data-end=\"13742\">SENADO FEDERAL. <strong data-start=\"13443\" data-end=\"13516\">Afinal, a Independ&ecirc;ncia do Brasil foi revolucion&aacute;ria ou conservadora?<\/strong> Bras&iacute;lia, 2022. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"13547\" data-end=\"13550\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/infomaterias\/2022\/09\/afinal-a-independencia-do-brasil-foi-revolucionaria-ou-conservadora?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"13550\" data-end=\"13675\">https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/infomaterias\/2022\/09\/afinal-a-independencia-do-brasil-foi-revolucionaria-ou-conservadora<\/a><br data-start=\"13675\" data-end=\"13678\">Acesso em: 16 ago. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"13744\" data-end=\"14050\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\">UNITED STATES. DEPARTMENT OF STATE. OFFICE OF THE HISTORIAN. <strong data-start=\"13805\" data-end=\"13905\">Brazil: A Guide to the United States&rsquo; History of Recognition, Diplomatic, and Consular Relations<\/strong>. Washington, D.C. Dispon&iacute;vel em:<br data-start=\"13938\" data-end=\"13941\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/history.state.gov\/countries\/brazil?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_new\" rel=\"noopener nofollow\" data-start=\"13941\" data-end=\"13983\">https:\/\/history.state.gov\/countries\/brazil<\/a><br data-start=\"13983\" data-end=\"13986\">Acesso em: 16 ago. 2026.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O 7 de setembro costuma ser resumido na imagem de Dom Pedro &agrave;s margens do Ipiranga, mas a independ&ecirc;ncia brasileira n&atilde;o se completou em uma tarde de 1822. Ela precisou ser defendida militarmente, reconhecida diplomaticamente e financiada em um sistema internacional dominado por pot&ecirc;ncias muito mais fortes. O novo Estado nasceu soberano perante Portugal, mas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2234,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","rop_custom_images_group":[],"rop_custom_messages_group":[],"rop_publish_now":"no","rop_publish_now_accounts":{"facebook_1005035685341291_1168996842959697":""},"rop_publish_now_history":[{"account":"facebook_1005035685341291_1168996842959697","service":"facebook","timestamp":1788772276,"status":"queued"}],"rop_publish_now_status":"queued","ngg_post_thumbnail":0,"wpai_generated_summary":"","_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"wpai_meta_description":"","footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[1148,3],"tags":[483,482,706,462,238,883,253,134,840,452,765,757,535,300,99,331,532,98,869,78,206,18,534],"class_list":["post-1935","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","category-geopolitica-diplomacia","tag-autonomia","tag-brasil","tag-brasil-no-sul-global","tag-diplomacia","tag-diplomacia-brasileira","tag-elites","tag-escravidao","tag-estado","tag-estados","tag-estados-unidos","tag-imagem","tag-interesses-politicos","tag-memoria","tag-memoria-coletiva","tag-politica-externa","tag-politica-externa-brasileira","tag-potencias","tag-relacoes-internacionais","tag-ruptura","tag-sistema-internacional","tag-soberania","tag-sul-global","tag-territorio","et-has-post-format-content","et_post_format-et-post-format-standard"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Independencia.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1935","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1935"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1935\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2233,"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1935\/revisions\/2233"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2234"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1935"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1935"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1935"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}