{"id":1808,"date":"2026-10-01T01:01:57","date_gmt":"2026-10-01T04:01:57","guid":{"rendered":"https:\/\/tatianamendonca.com\/?p=1808"},"modified":"2026-09-16T23:04:40","modified_gmt":"2026-09-17T02:04:40","slug":"dia-internacional-das-pessoas-idosas-quem-cuidara-das-sociedades-que-envelhecem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tatianamendonca.com\/temas\/desenvolvimento-global\/dia-internacional-das-pessoas-idosas-quem-cuidara-das-sociedades-que-envelhecem\/","title":{"rendered":"Dia Internacional das Pessoas Idosas \u2014 Quem cuidar\u00e1 das sociedades que envelhecem?"},"content":{"rendered":"<?xml encoding=\"utf-8\" ?><p>&nbsp;<\/p>\n<h1>Dia Internacional das Pessoas Idosas &mdash; Quem cuidar&aacute; das sociedades que envelhecem?<\/h1>\n<p><em>Viver mais &eacute; uma das grandes conquistas das sociedades contempor&acirc;neas. Mas a longevidade tamb&eacute;m exp&otilde;e um desafio que governos, fam&iacute;lias e economias ainda n&atilde;o resolveram: como garantir uma velhice digna quando cresce o n&uacute;mero de idosos, diminui proporcionalmente a popula&ccedil;&atilde;o em idade de trabalhar e milh&otilde;es de pessoas chegam &agrave; aposentadoria com poucos recursos? Do Jap&atilde;o &agrave; Alemanha, da Coreia do Sul ao sul da Europa, o envelhecimento j&aacute; est&aacute; transformando sistemas previdenci&aacute;rios, mercados de trabalho e estruturas familiares. A pergunta sobre o futuro, por&eacute;m, n&atilde;o &eacute; apenas quem pagar&aacute; as aposentadorias. &Eacute; tamb&eacute;m <strong>quem cuidar&aacute; de quem envelhece &mdash; e como essas pessoas ser&atilde;o tratadas quando precisarem de ajuda<\/strong>.<\/em><\/p>\n<h2>O mundo est&aacute; ficando mais velho<\/h2>\n<p>O envelhecimento populacional n&atilde;o &eacute; uma proje&ccedil;&atilde;o distante. Ele j&aacute; est&aacute; acontecendo.<\/p>\n<p>Segundo as Na&ccedil;&otilde;es Unidas, at&eacute; meados da d&eacute;cada de 2030 haver&aacute; aproximadamente <strong>265 milh&otilde;es de pessoas com 80 anos ou mais no mundo<\/strong>, n&uacute;mero superior ao de crian&ccedil;as com menos de um ano. No final da d&eacute;cada de 2070, a popula&ccedil;&atilde;o mundial com 65 anos ou mais dever&aacute; alcan&ccedil;ar cerca de <strong>2,2 bilh&otilde;es de pessoas<\/strong>.<\/p>\n<p>Em v&aacute;rias sociedades desenvolvidas, mais de um quinto dos habitantes j&aacute; passou dos 65 anos. Jap&atilde;o permanece entre os casos mais extremos, enquanto It&aacute;lia, Portugal, Alemanha, Gr&eacute;cia, Espanha, Finl&acirc;ndia e outros pa&iacute;ses europeus apresentam estruturas populacionais cada vez mais envelhecidas. Canad&aacute;, Fran&ccedil;a e Su&eacute;cia tamb&eacute;m j&aacute; tinham mais de 20% de suas popula&ccedil;&otilde;es nessa faixa et&aacute;ria em 2024.<\/p>\n<p>N&atilde;o se trata apenas de viver mais. A combina&ccedil;&atilde;o entre <strong>maior expectativa de vida e taxas de natalidade persistentemente baixas<\/strong> significa que h&aacute; proporcionalmente menos jovens entrando na for&ccedil;a de trabalho.<\/p>\n<p>Na m&eacute;dia dos pa&iacute;ses da OCDE, existiam cerca de <strong>33 pessoas com 65 anos ou mais para cada 100 pessoas entre 20 e 64 anos em 2025<\/strong>. Em 2050, essa propor&ccedil;&atilde;o dever&aacute; chegar a aproximadamente 52 para cada 100.<\/p>\n<p>Em pa&iacute;ses como It&aacute;lia, Jap&atilde;o, Coreia do Sul, Pol&ocirc;nia e Espanha, a transforma&ccedil;&atilde;o ser&aacute; ainda mais profunda. A OCDE estima que a popula&ccedil;&atilde;o em idade de trabalhar dever&aacute; diminuir mais de 30% nas pr&oacute;ximas quatro d&eacute;cadas em v&aacute;rios desses pa&iacute;ses.<\/p>\n<h2>O que uma sociedade envelhecida significa para a economia<\/h2>\n<p>Durante grande parte do s&eacute;culo XX, sistemas de previd&ecirc;ncia social foram constru&iacute;dos em sociedades com muitos trabalhadores e proporcionalmente menos aposentados.<\/p>\n<p>Essa rela&ccedil;&atilde;o est&aacute; mudando.<\/p>\n<p>Quando aumenta o n&uacute;mero de aposentados enquanto diminui a popula&ccedil;&atilde;o economicamente ativa, Estados precisam decidir como financiar o sistema: elevar contribui&ccedil;&otilde;es, aumentar impostos, reduzir benef&iacute;cios, incentivar aposentadorias mais tardias, aumentar a produtividade ou combinar diferentes estrat&eacute;gias.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, os gastos com sa&uacute;de e cuidados de longa dura&ccedil;&atilde;o tendem a crescer.<\/p>\n<p>Isso n&atilde;o significa que idosos sejam simplesmente um &ldquo;peso econ&ocirc;mico&rdquo;. Pessoas mais velhas continuam consumindo, trabalhando, cuidando de familiares, realizando trabalho volunt&aacute;rio, transmitindo conhecimento e contribuindo socialmente de in&uacute;meras maneiras.<\/p>\n<p>O problema &eacute; estrutural: <strong>uma economia organizada para uma pir&acirc;mide demogr&aacute;fica jovem precisa adaptar-se a uma pir&acirc;mide que est&aacute; se invertendo.<\/strong><\/p>\n<p>A OCDE calcula que a rela&ccedil;&atilde;o entre pessoas idosas e pessoas em idade ativa continuar&aacute; crescendo de maneira significativa nas pr&oacute;ximas d&eacute;cadas. Em 2060, ela poder&aacute; superar 75 idosos para cada 100 pessoas em idade de trabalhar em pa&iacute;ses como It&aacute;lia, Jap&atilde;o, Pol&ocirc;nia, Espanha e Coreia do Sul.<\/p>\n<p>A Coreia do Sul oferece um dos exemplos mais extremos. Atualmente ainda n&atilde;o possui a estrutura et&aacute;ria mais envelhecida da OCDE, mas seu envelhecimento ocorre em velocidade extraordin&aacute;ria. A organiza&ccedil;&atilde;o projeta que poder&aacute; passar de cerca de 29 pessoas acima de 65 anos por 100 pessoas em idade ativa em 2024 para <strong>122 em 2084<\/strong>.<\/p>\n<p>O desafio econ&ocirc;mico do s&eacute;culo XXI poder&aacute; ser, portanto, menos &ldquo;como sustentar uma popula&ccedil;&atilde;o que cresce&rdquo; e cada vez mais <strong>como organizar sociedades em que uma parcela enorme da popula&ccedil;&atilde;o j&aacute; passou da idade tradicional de aposentadoria<\/strong>.<\/p>\n<h2>Envelhecer em um pa&iacute;s rico n&atilde;o significa escapar da pobreza<\/h2>\n<p>A Alemanha oferece um exemplo importante.<\/p>\n<p>Em 2025, <strong>19,5% das pessoas com 65 anos ou mais estavam em risco de pobreza<\/strong>, segundo o instituto federal de estat&iacute;stica Destatis. Entre pessoas com mais de 75 anos, a propor&ccedil;&atilde;o era de 19,1%. Para uma pessoa vivendo sozinha, o limiar de risco de pobreza correspondia a uma renda l&iacute;quida de 1.445 euros mensais.<\/p>\n<p>S&atilde;o n&uacute;meros particularmente relevantes em um pa&iacute;s que possui uma das maiores economias do mundo.<\/p>\n<div id=\"attachment_1875\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1875\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1875 size-medium\" src=\"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Pfand_-300x200.webp\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Pfand_-300x200.webp 300w, https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Pfand_-1024x683.webp 1024w, https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Pfand_-768x512.webp 768w, https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Pfand_-1080x720.webp 1080w, https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Pfand_-600x400.webp 600w, https:\/\/tatianamendonca.com\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Pfand_.webp 1536w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\"><p id=\"caption-attachment-1875\" class=\"wp-caption-text\">Imagem gerada com IA. Idosa coletando garrafas na Alemanha<\/p><\/div>\n<p>Nas cidades alem&atilde;s, a pobreza na velhice tamb&eacute;m possui imagens muito concretas: idosos procurando garrafas e latas retorn&aacute;veis nas lixeiras ou recolhendo recipientes abandonados para obter o valor do <strong>Pfand<\/strong>, o dep&oacute;sito pago na devolu&ccedil;&atilde;o das embalagens.<\/p>\n<p>N&atilde;o existe uma estat&iacute;stica nacional que permita concluir que todos os idosos que recolhem Pfand fazem isso exclusivamente por pobreza &mdash; e seria incorreto presumir isso individualmente. Mas a cena tornou-se parte vis&iacute;vel da discuss&atilde;o alem&atilde; sobre <strong>Altersarmut<\/strong>, a pobreza na velhice.<\/p>\n<p>Ela simboliza uma contradi&ccedil;&atilde;o dif&iacute;cil de ignorar: pessoas podem trabalhar durante d&eacute;cadas e ainda chegar ao fim da vida calculando se conseguem pagar aluguel, alimenta&ccedil;&atilde;o, medicamentos ou aquecimento.<\/p>\n<p>Mulheres enfrentam riscos particularmente elevados.<\/p>\n<p>Na m&eacute;dia da OCDE, mulheres idosas apresentam taxas de pobreza significativamente superiores &agrave;s dos homens, consequ&ecirc;ncia de sal&aacute;rios historicamente menores, interrup&ccedil;&otilde;es profissionais para cria&ccedil;&atilde;o dos filhos ou cuidado de familiares, empregos em tempo parcial e maior expectativa de vida.<\/p>\n<p>A desigualdade acumulada durante a vida profissional reaparece, portanto, na aposentadoria.<\/p>\n<h2>Mas dinheiro n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico problema<\/h2>\n<p>Uma sociedade pode garantir uma pens&atilde;o e ainda assim fracassar com seus idosos.<\/p>\n<p>Solid&atilde;o, isolamento, neglig&ecirc;ncia e viol&ecirc;ncia fazem parte de uma dimens&atilde;o muito menos vis&iacute;vel do envelhecimento.<\/p>\n<p>A Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de estima que aproximadamente <strong>uma em cada seis pessoas com 60 anos ou mais sofre alguma forma de abuso no per&iacute;odo de um ano<\/strong> em ambientes comunit&aacute;rios. Isso pode significar viol&ecirc;ncia f&iacute;sica ou psicol&oacute;gica, explora&ccedil;&atilde;o financeira, abuso sexual ou neglig&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Abandono nem sempre significa deixar literalmente uma pessoa sozinha.<\/p>\n<p>Pode significar n&atilde;o fornecer cuidados b&aacute;sicos, ignorar necessidades m&eacute;dicas, controlar indevidamente seu dinheiro, limitar sua autonomia ou deix&aacute;-la socialmente isolada durante meses ou anos.<\/p>\n<p>E o problema pode ocorrer dentro da pr&oacute;pria fam&iacute;lia, assim como em institui&ccedil;&otilde;es destinadas justamente a cuidar de pessoas vulner&aacute;veis.<\/p>\n<p>Para a OMS, a viol&ecirc;ncia e neglig&ecirc;ncia contra idosos constituem um problema global de sa&uacute;de p&uacute;blica que provavelmente se tornar&aacute; ainda mais relevante conforme a popula&ccedil;&atilde;o envelhece.<\/p>\n<h2>O lugar dos idosos n&atilde;o &eacute; igual em todas as culturas<\/h2>\n<p>A forma como uma sociedade envelhece tamb&eacute;m depende da maneira como entende fam&iacute;lia, independ&ecirc;ncia e responsabilidade entre gera&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Em muitas sociedades europeias e norte-americanas, existe forte valoriza&ccedil;&atilde;o da <strong>autonomia individual<\/strong>. Filhos deixam cedo a casa dos pais, pessoas idosas frequentemente vivem sozinhas e servi&ccedil;os profissionais ou institui&ccedil;&otilde;es assumem parte importante dos cuidados quando surge depend&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Esse modelo pode preservar independ&ecirc;ncia durante muitos anos. Mas tamb&eacute;m pode produzir isolamento quando redes familiares e comunit&aacute;rias desaparecem.<\/p>\n<p>Em diversas sociedades asi&aacute;ticas, africanas, latino-americanas e do Oriente M&eacute;dio, fam&iacute;lias multigeracionais desempenham tradicionalmente papel maior.<\/p>\n<p>Em muitos pa&iacute;ses de maioria mu&ccedil;ulmana, por exemplo, a fam&iacute;lia continua sendo considerada a principal fonte de apoio &agrave;s pessoas idosas, e resid&ecirc;ncias multigeracionais permanecem importantes para cuidado e inclus&atilde;o social.<\/p>\n<p>Em pa&iacute;ses asi&aacute;ticos como as Filipinas, documentos das pr&oacute;prias Na&ccedil;&otilde;es Unidas registram a import&acirc;ncia hist&oacute;rica atribu&iacute;da &agrave; fam&iacute;lia como principal sistema de apoio aos idosos, associada a valores de responsabilidade entre gera&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Em muitas fam&iacute;lias latino-americanas ocorre algo semelhante: av&oacute;s permanecem integrados &agrave; estrutura cotidiana da fam&iacute;lia e frequentemente n&atilde;o s&atilde;o apenas receptores de cuidado &mdash; eles pr&oacute;prios cuidam de netos, sustentam domic&iacute;lios e exercem papel central na vida familiar. Pesquisas da ONU mostram inclusive que pessoas mais velhas em v&aacute;rios pa&iacute;ses latino-americanos continuam atuando como chefes de fam&iacute;lia e respons&aacute;veis por outros membros do domic&iacute;lio.<\/p>\n<p>Mas seria um erro transformar essas diferen&ccedil;as em uma oposi&ccedil;&atilde;o simplista entre culturas que &ldquo;respeitam&rdquo; e culturas que &ldquo;abandonam&rdquo; idosos.<\/p>\n<p>Fam&iacute;lias multigeracionais tamb&eacute;m podem esconder sobrecarga, conflitos e viol&ecirc;ncia. E sociedades onde idosos vivem separadamente podem oferecer excelentes redes p&uacute;blicas de assist&ecirc;ncia, autonomia e participa&ccedil;&atilde;o social.<\/p>\n<p>O essencial n&atilde;o &eacute; saber se uma pessoa envelhece na casa dos filhos ou em sua pr&oacute;pria resid&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>&Eacute; saber se ela possui <strong>autonomia, rela&ccedil;&otilde;es humanas, seguran&ccedil;a econ&ocirc;mica e cuidado quando precisa<\/strong>.<\/p>\n<h2>Quando viver sozinho se transforma em solid&atilde;o<\/h2>\n<p>Esse ser&aacute; um dos grandes desafios das pr&oacute;ximas d&eacute;cadas.<\/p>\n<p>Cada vez mais pessoas chegar&atilde;o aos 80 ou 90 anos, muitas delas depois da morte do companheiro ou da companheira. Fam&iacute;lias ser&atilde;o menores, filhos poder&atilde;o viver longe e vizinhan&ccedil;as ter&atilde;o menos rela&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias duradouras.<\/p>\n<p>A OMS considera solid&atilde;o e isolamento social fatores importantes de risco para a sa&uacute;de mental das pessoas idosas.<\/p>\n<p>Isso obriga governos a pensar al&eacute;m de hospitais e aposentadorias.<\/p>\n<p>Centros comunit&aacute;rios, moradias adequadas, transporte acess&iacute;vel, espa&ccedil;os p&uacute;blicos, visitas domiciliares, programas intergeracionais e mecanismos de identifica&ccedil;&atilde;o de pessoas isoladas podem ser t&atilde;o importantes para uma velhice digna quanto pol&iacute;ticas de renda.<\/p>\n<h2>Quem cuidar&aacute;?<\/h2>\n<p>A pergunta do t&iacute;tulo possui, portanto, v&aacute;rias respostas.<\/p>\n<p>Parte do cuidado continuar&aacute; sendo realizada pelas fam&iacute;lias. Outra parte depender&aacute; de profissionais, servi&ccedil;os p&uacute;blicos, institui&ccedil;&otilde;es e redes comunit&aacute;rias.<\/p>\n<p>Mas nenhuma dessas estruturas funcionar&aacute; automaticamente.<\/p>\n<p>Com fam&iacute;lias menores e mais pessoas vivendo at&eacute; idades muito avan&ccedil;adas, simplesmente presumir que &ldquo;os filhos cuidar&atilde;o dos pais&rdquo; poder&aacute; ser cada vez menos realista.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, transferir toda responsabilidade &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m n&atilde;o resolve o problema.<\/p>\n<p>O cuidado exige dinheiro, profissionais, tempo e rela&ccedil;&otilde;es humanas.<\/p>\n<p>&Eacute; exatamente por isso que o envelhecimento precisa deixar de ser tratado como uma quest&atilde;o privada de cada fam&iacute;lia.<\/p>\n<h2>Proteger direitos tamb&eacute;m significa proteger a velhice<\/h2>\n<p>H&aacute; ainda uma transforma&ccedil;&atilde;o importante acontecendo no Direito Internacional.<\/p>\n<p>Durante d&eacute;cadas, crian&ccedil;as, mulheres e pessoas com defici&ecirc;ncia conquistaram instrumentos internacionais espec&iacute;ficos de prote&ccedil;&atilde;o de direitos. Pessoas idosas, apesar de sua crescente presen&ccedil;a demogr&aacute;fica, permaneceram sem uma conven&ccedil;&atilde;o global equivalente.<\/p>\n<p>Em 2026, as Na&ccedil;&otilde;es Unidas deram um novo passo nesse debate com os trabalhos de um grupo intergovernamental encarregado de elaborar <strong>um instrumento internacional juridicamente vinculante sobre os direitos das pessoas idosas<\/strong>.<\/p>\n<p>A discuss&atilde;o envolve autonomia, prote&ccedil;&atilde;o contra discrimina&ccedil;&atilde;o por idade, acesso &agrave; sa&uacute;de, prote&ccedil;&atilde;o social, cuidado de longa dura&ccedil;&atilde;o e combate &agrave; viol&ecirc;ncia e neglig&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>A ideia central parece simples: envelhecer n&atilde;o reduz a condi&ccedil;&atilde;o de uma pessoa como sujeito de direitos.<\/p>\n<h2>Uma sociedade tamb&eacute;m &eacute; julgada pela forma como trata quem envelheceu<\/h2>\n<p>O <strong>Dia Internacional das Pessoas Idosas, celebrado em 1&ordm; de outubro<\/strong>, deveria servir menos para homenagens simb&oacute;licas e mais para uma pergunta pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>Como queremos envelhecer?<\/p>\n<p>O debate demogr&aacute;fico costuma ser apresentado em n&uacute;meros: taxas de natalidade, idade de aposentadoria, propor&ccedil;&atilde;o entre trabalhadores e pensionistas, gastos com sa&uacute;de.<\/p>\n<p>Todos s&atilde;o importantes.<\/p>\n<p>Mas por tr&aacute;s deles existem pessoas.<\/p>\n<p>O futuro das sociedades envelhecidas n&atilde;o ser&aacute; determinado apenas pela capacidade de financiar aposentadorias. Ser&aacute; determinado tamb&eacute;m pela decis&atilde;o de considerar a velhice parte integrante da vida social &mdash; e n&atilde;o um per&iacute;odo em que algu&eacute;m deixa de ser economicamente &uacute;til e lentamente desaparece da esfera p&uacute;blica.<\/p>\n<p>Uma sociedade preparada para envelhecer &eacute; aquela em que chegar aos 80 ou 90 anos n&atilde;o significa necessariamente tornar-se pobre, invis&iacute;vel, dependente ou sozinho.<\/p>\n<p>O verdadeiro desafio n&atilde;o &eacute; apenas viver mais.<\/p>\n<p>&Eacute; garantir que os anos conquistados pela longevidade <strong>continuem sendo anos de vida com dignidade<\/strong>.<\/p>\n<h3>&nbsp;<\/h3>\n<h3>Refer&ecirc;ncias<\/h3>\n<ul>\n<li><strong>ONU &mdash; International Day of Older Persons<\/strong><br>\n<a href=\"https:\/\/www.un.org\/en\/observances\/older-persons-day\" rel=\"nofollow\">https:\/\/www.un.org\/en\/observances\/older-persons-day<\/a><\/li>\n<li><strong>ONU &mdash; Ageing<\/strong><br>\n<a href=\"https:\/\/www.un.org\/en\/global-issues\/ageing\" rel=\"nofollow\">https:\/\/www.un.org\/en\/global-issues\/ageing<\/a><\/li>\n<li><strong>ONU &mdash; World Population Prospects 2024<\/strong><br>\n<a href=\"https:\/\/population.un.org\/wpp\/\" rel=\"nofollow\">https:\/\/population.un.org\/wpp\/<\/a><\/li>\n<li><strong>ONU &mdash; World Social Report 2023: Leaving No One Behind in an Ageing World<\/strong><br>\n<a href=\"https:\/\/www.un.org\/development\/desa\/dspd\/world-social-report\/2023-2.html\" rel=\"nofollow\">https:\/\/www.un.org\/development\/desa\/dspd\/world-social-report\/2023-2.html<\/a><\/li>\n<li><strong>OCDE &mdash; Pensions at a Glance 2025<\/strong><br>\n<a href=\"https:\/\/www.oecd.org\/en\/publications\/pensions-at-a-glance-2025_e40274c1-en.html\" rel=\"nofollow\">https:\/\/www.oecd.org\/en\/publications\/pensions-at-a-glance-2025_e40274c1-en.html<\/a><\/li>\n<li><strong>OCDE &mdash; Ageing<\/strong><br>\n<a href=\"https:\/\/www.oecd.org\/en\/topics\/ageing.html\" rel=\"nofollow\">https:\/\/www.oecd.org\/en\/topics\/ageing.html<\/a><\/li>\n<li><strong>OCDE &mdash; Employment Outlook 2025<\/strong><br>\n<a href=\"https:\/\/www.oecd.org\/en\/publications\/oecd-employment-outlook-2025_194a947b-en.html\" rel=\"nofollow\">https:\/\/www.oecd.org\/en\/publications\/oecd-employment-outlook-2025_194a947b-en.html<\/a><\/li>\n<li><strong>Destatis &mdash; Armutsgef&auml;hrdung &auml;lterer Menschen<\/strong><br>\n<a href=\"https:\/\/www.destatis.de\/DE\/Themen\/Querschnitt\/Demografischer-Wandel\/Aeltere-Menschen\/armutsgefaehrdung.html\" rel=\"nofollow\">https:\/\/www.destatis.de\/DE\/Themen\/Querschnitt\/Demografischer-Wandel\/Aeltere-Menschen\/armutsgefaehrdung.html<\/a><\/li>\n<li><strong>OMS &mdash; Abuse of older people<\/strong><br>\n<a href=\"https:\/\/www.who.int\/news-room\/fact-sheets\/detail\/abuse-of-older-people\" rel=\"nofollow\">https:\/\/www.who.int\/news-room\/fact-sheets\/detail\/abuse-of-older-people<\/a><\/li>\n<li><strong>OMS &mdash; Ageing and health<\/strong><br>\n<a href=\"https:\/\/www.who.int\/news-room\/fact-sheets\/detail\/ageing-and-health\" rel=\"nofollow\">https:\/\/www.who.int\/news-room\/fact-sheets\/detail\/ageing-and-health<\/a><\/li>\n<li><strong>OMS &mdash; Mental health of older adults<\/strong><br>\n<a href=\"https:\/\/www.who.int\/news-room\/fact-sheets\/detail\/mental-health-of-older-adults\" rel=\"nofollow\">https:\/\/www.who.int\/news-room\/fact-sheets\/detail\/mental-health-of-older-adults<\/a><\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Dia Internacional das Pessoas Idosas &mdash; Quem cuidar&aacute; das sociedades que envelhecem? Viver mais &eacute; uma das grandes conquistas das sociedades contempor&acirc;neas. 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