{"id":114,"date":"2026-04-07T12:09:07","date_gmt":"2026-04-07T15:09:07","guid":{"rendered":"https:\/\/tatianamendonca.com\/?p=114"},"modified":"2026-09-16T22:14:51","modified_gmt":"2026-09-17T01:14:51","slug":"relacoes-sul-sul-alternativas-ao-modelo-dominante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tatianamendonca.com\/uncategorized\/relacoes-sul-sul-alternativas-ao-modelo-dominante\/","title":{"rendered":"Rela\u00e7\u00f5es Sul-Sul: alternativas ao modelo dominante no sistema internacional"},"content":{"rendered":"<?xml encoding=\"utf-8\" ?><div class=\"flex flex-col text-sm pb-25\">\r\n<section class=\"text-token-text-primary w-full focus:outline-none [--shadow-height:45px] has-data-writing-block:pointer-events-none has-data-writing-block:-mt-(--shadow-height) has-data-writing-block:pt-(--shadow-height) [&amp;:has([data-writing-block])&gt;*]:pointer-events-auto scroll-mt-[calc(var(--header-height)+min(200px,max(70px,20svh)))]\" dir=\"auto\" data-turn-id=\"request-WEB:d54b8b54-a7a1-493a-b164-e82e9a4ffd24-8\" data-testid=\"conversation-turn-18\" data-scroll-anchor=\"true\" data-turn=\"assistant\">\r\n<div class=\"text-base my-auto mx-auto pb-10 [--thread-content-margin:var(--thread-content-margin-xs,calc(var(--spacing)*4))] @w-sm\/main:[--thread-content-margin:var(--thread-content-margin-sm,calc(var(--spacing)*6))] @w-lg\/main:[--thread-content-margin:var(--thread-content-margin-lg,calc(var(--spacing)*16))] px-(--thread-content-margin)\">\r\n<div class=\"[--thread-content-max-width:40rem] @w-lg\/main:[--thread-content-max-width:48rem] mx-auto max-w-(--thread-content-max-width) flex-1 group\/turn-messages focus-visible:outline-hidden relative flex w-full min-w-0 flex-col agent-turn\">\r\n<div class=\"flex max-w-full flex-col gap-4 grow\">\r\n<div class=\"min-h-8 text-message relative flex w-full flex-col items-end gap-2 text-start break-words whitespace-normal outline-none keyboard-focused:focus-ring [.text-message+&amp;]:mt-1\" dir=\"auto\" tabindex=\"0\" data-message-author-role=\"assistant\" data-message-id=\"f77eea20-32e4-41b3-a2de-c6b13177187a\" data-message-model-slug=\"gpt-5-4-thinking\" data-turn-start-message=\"true\">\r\n<div class=\"flex w-full flex-col gap-1 empty:hidden\">\r\n<div class=\"markdown prose dark:prose-invert w-full wrap-break-word light markdown-new-styling\">\r\n<h1 data-section-id=\"hr9c3i\" data-start=\"0\" data-end=\"77\">Rela&ccedil;&otilde;es Sul-Sul: alternativas ao modelo dominante no sistema internacional<\/h1>\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\" data-start=\"79\" data-end=\"901\">Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, as rela&ccedil;&otilde;es entre pa&iacute;ses do Sul Global deixaram de ser tratadas como mera ret&oacute;rica diplom&aacute;tica e passaram a ocupar um lugar mais estruturado no debate sobre poder, desenvolvimento e governan&ccedil;a internacional. Mais do que uma simples diversifica&ccedil;&atilde;o de parceiros comerciais, a coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul se consolidou como tentativa de reequilibrar um sistema internacional historicamente moldado por assimetrias entre centro e periferia. Nesse processo, iniciativas como BRICS, Mercosul, IBAS e a atua&ccedil;&atilde;o coordenada do G77 na ONU ganharam densidade pol&iacute;tica porque oferecem aos pa&iacute;ses do Sul instrumentos para reduzir vulnerabilidades externas, ampliar margens de autonomia e disputar normas em &aacute;reas como financiamento, com&eacute;rcio, tecnologia, clima e reforma institucional.<\/p>\r\n<p data-start=\"903\" data-end=\"1882\">A cr&iacute;tica que sustenta esse movimento n&atilde;o &eacute; nova. Durante boa parte do s&eacute;culo XX, a coopera&ccedil;&atilde;o internacional foi organizada em chave vertical, na qual pa&iacute;ses do Norte financiavam, supervisionavam e condicionavam pol&iacute;ticas em pa&iacute;ses em desenvolvimento. O problema nunca foi apenas econ&ocirc;mico. Em muitos casos, a ajuda vinha acompanhada de exig&ecirc;ncias macroecon&ocirc;micas, condicionalidades institucionais e prioridades desenhadas fora dos contextos locais. A coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul emerge justamente como rea&ccedil;&atilde;o a esse padr&atilde;o. Em vez de uma rela&ccedil;&atilde;o doador-receptor, ela se apresenta como interc&acirc;mbio entre parceiros que compartilham problemas semelhantes, trajet&oacute;rias hist&oacute;ricas pr&oacute;ximas e interesse comum em reformar a governan&ccedil;a global. A pr&oacute;pria ONU reafirmou em 2025 o documento de Buenos Aires como principal marco normativo da coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul, destacando a necessidade de fortalecer sua mensura&ccedil;&atilde;o, seu financiamento e sua institucionaliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\r\n<h2 data-section-id=\"ur1wmi\" data-start=\"1884\" data-end=\"1929\">BRICS e a constru&ccedil;&atilde;o de uma agenda pr&oacute;pria<\/h2>\r\n<p data-start=\"1931\" data-end=\"2691\">O BRICS &eacute; hoje o exemplo mais vis&iacute;vel dessa tentativa de reorganizar o espa&ccedil;o pol&iacute;tico do Sul Global. Em 2025, sob presid&ecirc;ncia brasileira, o grupo passou a enfatizar coopera&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de, clima, intelig&ecirc;ncia artificial, infraestrutura e financiamento em moedas locais, ao mesmo tempo em que refor&ccedil;ou o papel do Novo Banco de Desenvolvimento como instrumento de moderniza&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento para o Sul Global. A Declara&ccedil;&atilde;o do Rio de Janeiro n&atilde;o se limitou a proclama&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ricas: ela apoiou a expans&atilde;o da capacidade do banco de mobilizar recursos, diversificar fontes de financiamento e ampliar opera&ccedil;&otilde;es em moedas locais, al&eacute;m de registrar avan&ccedil;os em plataformas de investimento e em mecanismos de integra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica.<\/p>\r\n<p data-start=\"2693\" data-end=\"3551\">A import&acirc;ncia disso vai al&eacute;m do simbolismo. Em um sistema financeiro internacional ainda fortemente dependente do d&oacute;lar e de institui&ccedil;&otilde;es criadas sob lideran&ccedil;a ocidental, a capacidade de financiar projetos em moedas locais reduz custos de transa&ccedil;&atilde;o, mitiga riscos cambiais e amplia o espa&ccedil;o de pol&iacute;tica econ&ocirc;mica dos pa&iacute;ses membros. O debate sobre desdolariza&ccedil;&atilde;o &agrave;s vezes &eacute; tratado com exagero, mas o dado central &eacute; outro: o BRICS vem tentando construir, de forma gradual, mecanismos complementares ao arranjo financeiro tradicional. Isso se conecta a uma percep&ccedil;&atilde;o mais ampla, hoje presente inclusive em documentos europeus, de que o sistema monet&aacute;rio internacional est&aacute; sendo remodelado por fragmenta&ccedil;&atilde;o geopol&iacute;tica, d&uacute;vidas sobre o d&oacute;lar como ativo seguro e novas tecnologias de pagamento.<\/p>\r\n<p data-start=\"3553\" data-end=\"4070\">Tamb&eacute;m &eacute; importante notar que o BRICS vem ampliando sua agenda tem&aacute;tica. Em 2025, os l&iacute;deres aprovaram uma declara&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica sobre governan&ccedil;a global da intelig&ecirc;ncia artificial, defendendo o direito dos pa&iacute;ses em desenvolvimento de participar da economia digital em bases menos assim&eacute;tricas. O ponto pol&iacute;tico aqui &eacute; decisivo: para o Sul Global, tecnologia n&atilde;o pode ser tratada apenas como quest&atilde;o de mercado, mas como dimens&atilde;o de soberania, industrializa&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento.<\/p>\r\n<h2 data-section-id=\"1yw3ekb\" data-start=\"4072\" data-end=\"4133\">China, Brasil e a densidade material da coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul<\/h2>\r\n<p data-start=\"4135\" data-end=\"4780\">Se o BRICS expressa uma moldura pol&iacute;tica mais ampla, a rela&ccedil;&atilde;o entre China e Brasil mostra como a coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul ganha densidade concreta quando se projeta sobre finan&ccedil;as, com&eacute;rcio, infraestrutura e ci&ecirc;ncia. Em 2025, os bancos centrais dos dois pa&iacute;ses firmaram acordo de swap cambial e memorando para aprofundar a coopera&ccedil;&atilde;o financeira estrat&eacute;gica, incluindo infraestrutura financeira, pagamentos e uso de moedas locais. O sentido geopol&iacute;tico desse movimento &eacute; claro: reduzir custos de depend&ecirc;ncia externa e tornar a rela&ccedil;&atilde;o bilateral menos vulner&aacute;vel a choques vindos dos centros tradicionais de poder.<\/p>\r\n<p data-start=\"4782\" data-end=\"5293\">Ao mesmo tempo, a parceria sino-brasileira avan&ccedil;ou em &aacute;reas de alto conte&uacute;do tecnol&oacute;gico. O desenvolvimento conjunto do sat&eacute;lite CBERS-5, anunciado em 2025, refor&ccedil;a uma tradi&ccedil;&atilde;o de coopera&ccedil;&atilde;o espacial que contrasta com a ideia de que a divis&atilde;o internacional do trabalho condenaria os pa&iacute;ses do Sul a exportar apenas commodities. Esse tipo de iniciativa &eacute; importante porque combina transfer&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica, capacita&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e fortalecimento da autonomia estrat&eacute;gica.<\/p>\r\n<h2 data-section-id=\"d3m2d4\" data-start=\"5869\" data-end=\"5926\">Brasil e &Aacute;frica do Sul: o eixo atl&acirc;ntico do Sul Global<\/h2>\r\n<p data-start=\"5928\" data-end=\"6622\">Outro exemplo importante &eacute; a retomada da parceria entre Brasil e &Aacute;frica do Sul, que em 2026 ganhou novo impulso com a visita de Estado de Cyril Ramaphosa a Bras&iacute;lia. Os dois governos apresentaram essa rela&ccedil;&atilde;o como parte de um esfor&ccedil;o para aproximar Am&eacute;rica do Sul e &Aacute;frica por meio de com&eacute;rcio, investimento, turismo, coopera&ccedil;&atilde;o sanit&aacute;ria, pesquisa, agroneg&oacute;cio, ci&ecirc;ncia, defesa e inova&ccedil;&atilde;o.<\/p>\r\n<blockquote>\r\n<p data-start=\"5928\" data-end=\"6622\">Lula afirmou, em declara&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, que Brasil e &Aacute;frica do Sul compartilham a luta por &ldquo;uma ordem global mais equilibrada e representativa, baseada no direito internacional e no multilateralismo&rdquo;, linguagem que sintetiza bem o horizonte pol&iacute;tico dessa aproxima&ccedil;&atilde;o.<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n<p data-start=\"6624\" data-end=\"7258\">A parceria tem valor simb&oacute;lico, mas tamb&eacute;m utilidade estrat&eacute;gica. Ramaphosa defendeu que a &Aacute;frica do Sul se torne porta de entrada do Brasil para os mercados africanos, especialmente no contexto da &Aacute;rea de Livre Com&eacute;rcio Continental Africana, enquanto o Brasil funcionaria como ponte sul-africana para a Am&eacute;rica Latina. Essa ideia de &ldquo;corredor Sul-Sul&rdquo; &eacute; relevante porque desloca o eixo da integra&ccedil;&atilde;o internacional: em vez de depender exclusivamente das conex&otilde;es com Europa ou Estados Unidos, os pa&iacute;ses do Sul tentam construir circuitos pr&oacute;prios de circula&ccedil;&atilde;o de bens, investimentos e tecnologia.<\/p>\r\n<h2 data-section-id=\"11gqwth\" data-start=\"7763\" data-end=\"7833\">Mercosul: integra&ccedil;&atilde;o regional, cidadania e capacidade de negocia&ccedil;&atilde;o<\/h2>\r\n<p data-start=\"7835\" data-end=\"8528\">O Mercosul continua sendo um pilar central da estrat&eacute;gia sul-americana de inser&ccedil;&atilde;o internacional. Apesar de suas crises recorrentes, o bloco preserva relev&acirc;ncia justamente porque fornece escala regional, coordena&ccedil;&atilde;o regulat&oacute;ria e maior poder de barganha externa. Em 2025 e 2026, o Mercosul n&atilde;o apenas seguiu negociando com parceiros extrarregionais, mas tamb&eacute;m avan&ccedil;ou em acordos importantes com a Uni&atilde;o Europeia e com a EFTA, formada por Isl&acirc;ndia, Liechtenstein, Noruega e Su&iacute;&ccedil;a. O acordo EFTA-Mercosul foi assinado em setembro de 2025, e a Uni&atilde;o Europeia formalizou em janeiro de 2026 a assinatura dos instrumentos do acordo com o bloco sul-americano.<\/p>\r\n<p data-start=\"8530\" data-end=\"9240\">Esses movimentos mostram que a integra&ccedil;&atilde;o regional n&atilde;o &eacute; incompat&iacute;vel com a diversifica&ccedil;&atilde;o global; ao contr&aacute;rio, ela pode fortalec&ecirc;-la. O Mercosul funciona como plataforma a partir da qual os pa&iacute;ses do Cone Sul negociam em melhores condi&ccedil;&otilde;es com atores maiores. Ao mesmo tempo, a integra&ccedil;&atilde;o regional n&atilde;o se reduz ao com&eacute;rcio. Em mar&ccedil;o de 2026, o Itamaraty destacou o papel do FOCEM na redu&ccedil;&atilde;o de assimetrias internas por meio de projetos de infraestrutura, integra&ccedil;&atilde;o produtiva e coes&atilde;o social, al&eacute;m da import&acirc;ncia do Estatuto da Cidadania do Mercosul para facilitar circula&ccedil;&atilde;o, acesso a servi&ccedil;os p&uacute;blicos e igualdade de oportunidades entre nacionais dos pa&iacute;ses membros.<\/p>\r\n<p data-start=\"9242\" data-end=\"9823\">Isso importa porque uma das limita&ccedil;&otilde;es cl&aacute;ssicas das economias perif&eacute;ricas &eacute; a fragmenta&ccedil;&atilde;o. Sem mercado regional, sem infraestrutura compartilhada e sem coordena&ccedil;&atilde;o regulat&oacute;ria, cada pa&iacute;s negocia de forma mais vulner&aacute;vel. A integra&ccedil;&atilde;o regional, portanto, n&atilde;o &eacute; s&oacute; tema comercial; &eacute; instrumento de soberania. Mesmo quando enfrenta diverg&ecirc;ncias internas, o Mercosul preserva uma fun&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica: impedir que a Am&eacute;rica do Sul retorne integralmente &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;o disperso e facilmente subordinado &agrave;s prioridades de pot&ecirc;ncias externas.<\/p>\r\n<h2 data-section-id=\"1fzisbi\" data-start=\"9825\" data-end=\"9861\">Sul Global, ONU e padr&otilde;es de voto<\/h2>\r\n<p data-start=\"9863\" data-end=\"10540\">A coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul tamb&eacute;m se expressa nas institui&ccedil;&otilde;es multilaterais, especialmente na ONU. N&atilde;o se trata de afirmar que todos os pa&iacute;ses do Sul votam sempre do mesmo modo. H&aacute; diverg&ecirc;ncias importantes entre eles, inclusive em temas de seguran&ccedil;a, g&ecirc;nero, d&iacute;vida e rela&ccedil;&otilde;es com grandes pot&ecirc;ncias. Ainda assim, a literatura recente mostra que o G77 mant&eacute;m um n&iacute;vel significativo de solidariedade em seu comportamento na Assembleia Geral, mesmo com o aumento da heterogeneidade econ&ocirc;mica entre seus membros. Um estudo de 2025 resumiu essa conclus&atilde;o de forma clara: o grupo &ldquo;mant&eacute;m sua solidariedade&rdquo; no padr&atilde;o de vota&ccedil;&atilde;o da Assembleia Geral.<\/p>\r\n<p data-start=\"10542\" data-end=\"11333\">Essa converg&ecirc;ncia aparece sobretudo em pautas como reforma da governan&ccedil;a global, defesa do multilateralismo, direito ao desenvolvimento, financiamento clim&aacute;tico, cr&iacute;tica a san&ccedil;&otilde;es unilaterais e apoio a posi&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas sobre Palestina e soberania permanente sobre recursos naturais. O G77 e China continuam operando por meio de declara&ccedil;&otilde;es conjuntas, interven&ccedil;&otilde;es coletivas e coordena&ccedil;&atilde;o negociadora, inclusive em 2025, quando reiteraram posi&ccedil;&otilde;es comuns em desenvolvimento sustent&aacute;vel, or&ccedil;amento da ONU e reforma institucional. Pesquisas recentes e an&aacute;lises parlamentares sobre padr&otilde;es de voto tamb&eacute;m apontam que, em temas como Gaza, h&aacute; clara dist&acirc;ncia entre boa parte do Sul Global e as posi&ccedil;&otilde;es dos Estados Unidos e de seus aliados mais pr&oacute;ximos.<\/p>\r\n<p data-start=\"11335\" data-end=\"11795\">Esse alinhamento relativo &eacute; importante porque ajuda a explicar por que a disputa pela governan&ccedil;a global hoje n&atilde;o se resume ao confronto entre Washington e Pequim. Existe tamb&eacute;m uma press&atilde;o mais difusa, por&eacute;m crescente, de pa&iacute;ses do Sul por regras menos assim&eacute;tricas e por maior representa&ccedil;&atilde;o nas institui&ccedil;&otilde;es internacionais. A coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul n&atilde;o substitui a diplomacia universal, mas altera sua correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as.<\/p>\r\n<h2 data-section-id=\"1k2op34\" data-start=\"12442\" data-end=\"12498\">Conclus&atilde;o: por que essas alian&ccedil;as importam mais agora<\/h2>\r\n<p data-start=\"12500\" data-end=\"13049\">A relev&acirc;ncia dessas alian&ccedil;as aumenta justamente num momento de instabilidade mais ampla. A Europa atravessa crescimento fraco, maior incerteza e dificuldades pol&iacute;ticas para converter ambi&ccedil;&otilde;es geoecon&ocirc;micas em a&ccedil;&atilde;o consistente. O FMI registrou rebaixamento relevante das perspectivas para a Europa em 2025, associado a tarifas, incerteza e condi&ccedil;&otilde;es financeiras mais duras, enquanto o pr&oacute;prio debate europeu sobre o acordo com o Mercosul exp&otilde;e divis&otilde;es internas e obst&aacute;culos jur&iacute;dicos e pol&iacute;ticos persistentes.<\/p>\r\n<p data-start=\"13051\" data-end=\"13829\">Ao mesmo tempo, a pol&iacute;tica externa agressiva de Donald Trump refor&ccedil;a uma percep&ccedil;&atilde;o de decl&iacute;nio relativo dos Estados Unidos n&atilde;o necessariamente em poder bruto, mas em legitimidade, previsibilidade e capacidade de lideran&ccedil;a consensual. Quando Washington combina unilateralismo, press&atilde;o tarif&aacute;ria, militariza&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica e hostilidade a arranjos multilaterais, empurra parte do sistema internacional a procurar amortecedores externos. &Eacute; nesse contexto que BRICS, Mercosul, IBAS, G77 e outras formas de concerta&ccedil;&atilde;o do Sul ganham import&acirc;ncia. Elas funcionam como instrumentos de diversifica&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica diante de um Ocidente menos est&aacute;vel, menos coeso e, em certos casos, menos comprometido com as pr&oacute;prias regras que ajudou a construir.<\/p>\r\n<p data-start=\"13831\" data-end=\"14414\">Por isso, as rela&ccedil;&otilde;es Sul-Sul n&atilde;o devem ser vistas apenas como op&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica ou gesto diplom&aacute;tico. Elas s&atilde;o, cada vez mais, uma necessidade estrutural. Em um cen&aacute;rio de fragmenta&ccedil;&atilde;o global, guerra comercial, eros&atilde;o normativa e disputa tecnol&oacute;gica, a capacidade de construir alian&ccedil;as horizontais entre pa&iacute;ses do Sul pode definir quem ter&aacute; margem para negociar o futuro e quem continuar&aacute; apenas reagindo a decis&otilde;es tomadas em outros centros. O que est&aacute; em jogo n&atilde;o &eacute; simplesmente com&eacute;rcio entre emergentes. &Eacute; a possibilidade de transformar a autonomia em projeto pol&iacute;tico duradouro.<\/p>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<\/section>\r\n<\/div>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rela&ccedil;&otilde;es Sul-Sul: alternativas ao modelo dominante no sistema internacional Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, as rela&ccedil;&otilde;es entre pa&iacute;ses do Sul Global deixaram de ser tratadas como mera ret&oacute;rica diplom&aacute;tica e passaram a ocupar um lugar mais estruturado no debate sobre poder, desenvolvimento e governan&ccedil;a internacional. 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