{"id":5027,"date":"2026-09-18T22:13:59","date_gmt":"2026-09-19T01:13:59","guid":{"rendered":"https:\/\/tatianamendonca.com\/?p=5027"},"modified":"2026-09-18T23:18:35","modified_gmt":"2026-09-19T02:18:35","slug":"ulm5-processo-stuttgart-stammheim-acusacao-defesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tatianamendonca.com\/5-minutos\/ulm5-processo-stuttgart-stammheim-acusacao-defesa\/","title":{"rendered":"Quem s\u00e3o os &#8220;Ulm 5&#8221;? Por que cinco ativistas pr\u00f3-Palestina s\u00e3o julgados na Alemanha"},"content":{"rendered":"<?xml encoding=\"utf-8\" ?><h1>Quem s&atilde;o os &ldquo;Ulm 5&rdquo;? Por que cinco ativistas pr&oacute;-Palestina s&atilde;o julgados na Alemanha<\/h1>\n<p>Cinco ativistas &mdash; <strong>Crow Tricks e Zo Hailu, brit&acirc;nicos; Daniel Tatlow-Devally, irland&ecirc;s; Leandra Rollo, espanhola; e Vi Kovarbasic, alem&atilde;o<\/strong> &mdash; s&atilde;o julgados desde abril de 2026 em Stuttgart. Conhecidos como os <strong>&ldquo;Ulm 5&rdquo;<\/strong>, eles s&atilde;o acusados de invadir, na noite de 8 de setembro de 2025, as instala&ccedil;&otilde;es da fabricante israelense de armamentos <strong>Elbit Systems<\/strong>, em Ulm. Segundo a acusa&ccedil;&atilde;o, o grupo danificou computadores, telefones e equipamentos de laborat&oacute;rio e pintou frases como &ldquo;Babym&ouml;rder&rdquo; (&ldquo;assassinos de beb&ecirc;s&rdquo;) nas paredes. Os cinco foram presos no local sem resist&ecirc;ncia e est&atilde;o em pris&atilde;o preventiva desde setembro de 2025. A principal acusa&ccedil;&atilde;o &eacute; de participa&ccedil;&atilde;o em organiza&ccedil;&atilde;o criminosa, com base no &sect; 129 do C&oacute;digo Penal alem&atilde;o (StGB), al&eacute;m de dano ao patrim&ocirc;nio e viola&ccedil;&atilde;o de domic&iacute;lio (ZDFHEUTE, 2026; ULM5.INFO, 2026).<\/p>\n<p>Leandra Rollo &eacute; espanhola e nasceu e cresceu na Argentina. Os outros quatro s&atilde;o Daniel Tatlow-Devally, da Irlanda; Crow Tricks e Zo Hailu, do Reino Unido; e Vi Kovarbasic, da Alemanha. Os pr&oacute;prios acusados se apresentam como ativistas que h&aacute; anos atuam em defesa dos direitos palestinos. Durante o julgamento, cada um apresentou sua pr&oacute;pria declara&ccedil;&atilde;o sobre as raz&otilde;es que levaram &agrave; a&ccedil;&atilde;o em Ulm.<\/p>\n<p>O caso ocorre em Stuttgart-Stammheim, complexo judicial historicamente associado aos julgamentos da lideran&ccedil;a da Fra&ccedil;&atilde;o do Ex&eacute;rcito Vermelho (RAF) nos anos 1970. O julgamento come&ccedil;ou em abril de 2026 e, segundo a imprensa alem&atilde;, a decis&atilde;o que inicialmente era esperada para o fim de julho foi adiada para janeiro de 2027 ap&oacute;s diversas interrup&ccedil;&otilde;es nas sess&otilde;es.<\/p>\n<h2>O que argumenta a acusa&ccedil;&atilde;o<\/h2>\n<p>O Minist&eacute;rio P&uacute;blico acusa os cinco de dano ao patrim&ocirc;nio, viola&ccedil;&atilde;o de domic&iacute;lio e, no ponto de maior peso jur&iacute;dico, <strong>participa&ccedil;&atilde;o em uma organiza&ccedil;&atilde;o criminosa<\/strong>, nos termos do &sect; 129 do C&oacute;digo Penal alem&atilde;o. A acusa&ccedil;&atilde;o sustenta que a a&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi um ato isolado, mas parte de uma estrutura organizada associada &agrave; <strong>Palestine Action Germany<\/strong>.<\/p>\n<p>A classifica&ccedil;&atilde;o como organiza&ccedil;&atilde;o criminosa &eacute; juridicamente relevante porque pode resultar em consequ&ecirc;ncias penais mais graves do que aquelas relacionadas apenas aos danos materiais. Segundo a acusa&ccedil;&atilde;o, os preju&iacute;zos provocados na instala&ccedil;&atilde;o da Elbit ultrapassam um milh&atilde;o de euros. A Procuradoria tamb&eacute;m atribui ao grupo a divulga&ccedil;&atilde;o de mensagens que considera antissemitas.<\/p>\n<p>Questionado sobre as cr&iacute;ticas ao processo, o chanceler federal <strong>Friedrich Merz<\/strong> defendeu a condu&ccedil;&atilde;o do julgamento. Em declara&ccedil;&atilde;o feita em Dublin, ap&oacute;s encontro com o primeiro-ministro irland&ecirc;s Miche&aacute;l Martin, afirmou que a Alemanha possui procedimentos baseados no Estado de Direito, que os acusados contam com assist&ecirc;ncia consular e defensores e que os processos s&atilde;o conduzidos segundo padr&otilde;es internacionalmente reconhecidos. Merz tamb&eacute;m afirmou que a Justi&ccedil;a alem&atilde; &eacute; independente.<\/p>\n<h2>O que argumenta a defesa<\/h2>\n<p>Os cinco n&atilde;o negam a participa&ccedil;&atilde;o na a&ccedil;&atilde;o, mas contestam sua qualifica&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica. Eles afirmam que a invas&atilde;o teve como objetivo interromper a produ&ccedil;&atilde;o ou o fornecimento de equipamentos militares que poderiam ser utilizados na guerra em Gaza. Em suas declara&ccedil;&otilde;es, os acusados descrevem a a&ccedil;&atilde;o como motivada por raz&otilde;es humanit&aacute;rias e pol&iacute;ticas e afirmam que pretendiam interromper, ainda que temporariamente, atividades da Elbit Systems.<\/p>\n<p>A defesa tamb&eacute;m destaca que n&atilde;o houve viol&ecirc;ncia contra pessoas e que os cinco permaneceram no local at&eacute; a chegada da pol&iacute;cia. A partir desses elementos, os advogados procuram afastar a caracteriza&ccedil;&atilde;o de organiza&ccedil;&atilde;o criminosa e apresentar a a&ccedil;&atilde;o como uma forma radical de <strong>desobedi&ecirc;ncia civil<\/strong>.<\/p>\n<p>Outra linha da defesa envolve o chamado <strong>estado de necessidade justificante<\/strong> (<em>rechtfertigender Notstand<\/em>). A tese parte da ideia de que uma a&ccedil;&atilde;o normalmente il&iacute;cita poderia, em determinadas circunst&acirc;ncias excepcionais, ser juridicamente justificada para evitar um perigo considerado mais grave. Caber&aacute; ao tribunal avaliar se os requisitos previstos na legisla&ccedil;&atilde;o alem&atilde; est&atilde;o presentes neste caso.<\/p>\n<p>As condi&ccedil;&otilde;es do julgamento tamb&eacute;m s&atilde;o contestadas. Os cinco acusados permanecem separados dos demais participantes da audi&ecirc;ncia por uma barreira de vidro de seguran&ccedil;a. O <strong>Komitee f&uuml;r Grundrechte und Demokratie<\/strong>, organiza&ccedil;&atilde;o alem&atilde; de defesa dos direitos civis, afirma que a medida dificulta a comunica&ccedil;&atilde;o entre os r&eacute;us e seus advogados e questiona sua compatibilidade com o direito a um julgamento justo.<\/p>\n<p>A organiza&ccedil;&atilde;o acompanha o processo e critica tamb&eacute;m a pr&oacute;pria dimens&atilde;o da resposta penal. Para o Komitee, o enquadramento do caso como criminalidade organizada &eacute; desproporcional em rela&ccedil;&atilde;o aos atos atribu&iacute;dos aos cinco.<\/p>\n<h2>Um precedente que divide os tribunais europeus<\/h2>\n<p>A discuss&atilde;o sobre como enquadrar a&ccedil;&otilde;es contra empresas ligadas &agrave; ind&uacute;stria de defesa tamb&eacute;m aparece em processos envolvendo a <strong>Palestine Action<\/strong> no Reino Unido.<\/p>\n<p>Em fevereiro de 2026, seis ativistas conhecidos como <strong>&ldquo;Filton 6&rdquo;<\/strong> foram absolvidos por um j&uacute;ri brit&acirc;nico da acusa&ccedil;&atilde;o de <em>aggravated burglary<\/em> relacionada &agrave; entrada em uma instala&ccedil;&atilde;o da Elbit Systems em Filton, perto de Bristol. Os r&eacute;us admitiram participa&ccedil;&atilde;o na invas&atilde;o e danos materiais, mas o j&uacute;ri n&atilde;o os considerou culpados pela acusa&ccedil;&atilde;o principal. O caso recebeu grande aten&ccedil;&atilde;o porque a defesa apresentou a a&ccedil;&atilde;o como uma tentativa de impedir a produ&ccedil;&atilde;o de armas destinadas a Israel.<\/p>\n<p>O processo brit&acirc;nico, entretanto, n&atilde;o constitui precedente jur&iacute;dico vinculante para a Justi&ccedil;a alem&atilde;. Os dois pa&iacute;ses possuem sistemas penais diferentes e as circunst&acirc;ncias jur&iacute;dicas de cada caso tamb&eacute;m n&atilde;o s&atilde;o id&ecirc;nticas. A compara&ccedil;&atilde;o &eacute; relevante sobretudo porque envolve o mesmo movimento pol&iacute;tico e a mesma empresa, mas demonstra que a&ccedil;&otilde;es semelhantes podem receber enquadramentos diferentes em sistemas judiciais distintos.<\/p>\n<p>No caso dos &ldquo;Ulm 5&rdquo;, a defesa tamb&eacute;m recorre ao direito internacional para contextualizar a gravidade que atribui &agrave;s opera&ccedil;&otilde;es israelenses em Gaza. Entre os argumentos apresentados est&atilde;o o processo movido pela <strong>&Aacute;frica do Sul contra Israel perante a Corte Internacional de Justi&ccedil;a (CIJ)<\/strong>, com base na Conven&ccedil;&atilde;o para a Preven&ccedil;&atilde;o e Repress&atilde;o do Crime de Genoc&iacute;dio, e os mandados de pris&atilde;o emitidos pelo <strong>Tribunal Penal Internacional (TPI)<\/strong> contra Benjamin Netanyahu e Yoav Gallant.<\/p>\n<p>&Eacute; importante, por&eacute;m, distinguir os dois procedimentos.<\/p>\n<p>A CIJ j&aacute; determinou <strong>medidas provis&oacute;rias<\/strong> no processo iniciado pela &Aacute;frica do Sul, mas ainda n&atilde;o proferiu uma decis&atilde;o final sobre o m&eacute;rito da acusa&ccedil;&atilde;o de genoc&iacute;dio. Portanto, n&atilde;o &eacute; correto afirmar que a Corte j&aacute; tenha estabelecido judicialmente que Israel cometeu genoc&iacute;dio. O processo continua em tramita&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>No TPI, os mandados de pris&atilde;o contra Netanyahu e Gallant foram emitidos em novembro de 2024. A C&acirc;mara de Quest&otilde;es Preliminares afirmou existir fundamento razo&aacute;vel para acreditar que os dois poderiam ser responsabilizados por crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Os mandados, contudo, <strong>n&atilde;o equivalem a condena&ccedil;&otilde;es<\/strong>: a responsabilidade penal individual ainda precisaria ser determinada em um processo judicial.<\/p>\n<p>Os dois procedimentos internacionais s&atilde;o, portanto, utilizados pela defesa como parte do contexto jur&iacute;dico e pol&iacute;tico para justificar a alega&ccedil;&atilde;o de que havia uma situa&ccedil;&atilde;o de emerg&ecirc;ncia que poderia fundamentar sua a&ccedil;&atilde;o. Isso n&atilde;o significa, por si s&oacute;, que o direito alem&atilde;o reconhe&ccedil;a essa argumenta&ccedil;&atilde;o como justificativa para os atos praticados em Ulm.<\/p>\n<h2>O debate sobre genoc&iacute;dio em Gaza<\/h2>\n<p>A alega&ccedil;&atilde;o de genoc&iacute;dio em Gaza tamb&eacute;m n&atilde;o se limita &agrave; argumenta&ccedil;&atilde;o apresentada pela defesa dos &ldquo;Ulm 5&rdquo;. Diferentes organiza&ccedil;&otilde;es de direitos humanos e especialistas em genoc&iacute;dio chegaram, em an&aacute;lises pr&oacute;prias, &agrave; conclus&atilde;o de que os atos cometidos por Israel em Gaza constituem genoc&iacute;dio. Essas avalia&ccedil;&otilde;es devem, entretanto, ser distinguidas de uma decis&atilde;o judicial definitiva da CIJ.<\/p>\n<p>A <strong>Anistia Internacional<\/strong>, em relat&oacute;rio publicado em dezembro de 2024, concluiu que Israel cometeu e continua cometendo genoc&iacute;dio contra palestinos na Faixa de Gaza. A organiza&ccedil;&atilde;o analisou, entre outros elementos, mortes de civis, destrui&ccedil;&atilde;o de infraestrutura, deslocamento for&ccedil;ado, restri&ccedil;&otilde;es &agrave; entrada de ajuda humanit&aacute;ria e condi&ccedil;&otilde;es de vida impostas &agrave; popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Em julho de 2025, as organiza&ccedil;&otilde;es israelenses <strong>B&rsquo;Tselem<\/strong> e <strong>Physicians for Human Rights-Israel (PHRI)<\/strong> tamb&eacute;m conclu&iacute;ram que Israel est&aacute; cometendo genoc&iacute;dio em Gaza. A B&rsquo;Tselem baseou sua avalia&ccedil;&atilde;o em uma an&aacute;lise das pol&iacute;ticas israelenses e de seus efeitos sobre a sociedade palestina, enquanto a PHRI apresentou uma an&aacute;lise jur&iacute;dico-m&eacute;dica concentrada, entre outros pontos, na destrui&ccedil;&atilde;o do sistema de sa&uacute;de de Gaza.<\/p>\n<p>Em setembro de 2025, a <strong>Comiss&atilde;o Internacional Independente de Inqu&eacute;rito da ONU sobre o Territ&oacute;rio Palestino Ocupado, incluindo Jerusal&eacute;m Oriental, e Israel<\/strong> publicou uma an&aacute;lise jur&iacute;dica espec&iacute;fica sobre o tema. A Comiss&atilde;o concluiu que autoridades israelenses e for&ccedil;as de seguran&ccedil;a israelenses cometeram e continuam cometendo quatro dos atos previstos na Conven&ccedil;&atilde;o do Genoc&iacute;dio: matar membros do grupo; causar danos f&iacute;sicos ou mentais graves; impor condi&ccedil;&otilde;es de vida calculadas para provocar a destrui&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica do grupo, total ou parcialmente; e impor medidas destinadas a impedir nascimentos. A Comiss&atilde;o atribuiu responsabilidade ao Estado de Israel.<\/p>\n<p>A <strong>International Association of Genocide Scholars (IAGS)<\/strong>, associa&ccedil;&atilde;o internacional de pesquisadores especializados em genoc&iacute;dio, tamb&eacute;m aprovou em agosto de 2025 uma resolu&ccedil;&atilde;o sobre Gaza. A entidade mant&eacute;m a resolu&ccedil;&atilde;o em seu arquivo oficial de resolu&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>A <strong>Human Rights Watch (HRW)<\/strong> adotou uma formula&ccedil;&atilde;o mais espec&iacute;fica. Em dezembro de 2024, a organiza&ccedil;&atilde;o afirmou que a priva&ccedil;&atilde;o deliberada de &aacute;gua imposta &agrave; popula&ccedil;&atilde;o palestina constitu&iacute;a crime contra a humanidade de exterm&iacute;nio e atos de genoc&iacute;dio. A HRW n&atilde;o apresentou, naquele relat&oacute;rio, uma conclus&atilde;o geral exatamente equivalente &agrave; da Anistia Internacional ou da Comiss&atilde;o de Inqu&eacute;rito da ONU sobre toda a campanha militar israelense.<\/p>\n<p>Essas posi&ccedil;&otilde;es ajudam a compreender o contexto utilizado pela defesa dos &ldquo;Ulm 5&rdquo;. Mas &eacute; importante manter a distin&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica: <strong>nenhuma dessas conclus&otilde;es substitui uma decis&atilde;o final da CIJ no processo iniciado pela &Aacute;frica do Sul<\/strong>. A Corte ainda n&atilde;o decidiu definitivamente o m&eacute;rito da acusa&ccedil;&atilde;o de genoc&iacute;dio.<\/p>\n<p>Segundo dados do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de de Gaza citados pela Associated Press em setembro de 2026, <strong>mais de 73 mil palestinos foram mortos desde o in&iacute;cio da guerra<\/strong>. O n&uacute;mero corresponde &agrave;s mortes registradas pelas autoridades de sa&uacute;de de Gaza e n&atilde;o representa uma decis&atilde;o judicial sobre a natureza jur&iacute;dica dessas mortes. H&aacute; tamb&eacute;m v&iacute;timas que permanecem sob os escombros e dificuldades para identificar e registrar todos os mortos.<\/p>\n<p>Por isso, a express&atilde;o &ldquo;centenas de milhares de palestinos mortos&rdquo;, presente em uma vers&atilde;o anterior deste texto, &eacute; imprecisa para descrever as mortes diretamente registradas at&eacute; o momento. O n&uacute;mero documentado &eacute; de <strong>mais de 73 mil<\/strong>, ou seja, dezenas de milhares.<\/p>\n<h2>O que o julgamento pode definir<\/h2>\n<p>O processo dos &ldquo;Ulm 5&rdquo; coloca diante da Justi&ccedil;a alem&atilde; uma quest&atilde;o que ultrapassa o dano material provocado em uma instala&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria de defesa: at&eacute; que ponto uma a&ccedil;&atilde;o direta contra uma empresa pode ser juridicamente enquadrada como desobedi&ecirc;ncia civil e em que momento uma atua&ccedil;&atilde;o coordenada pode preencher os requisitos de uma organiza&ccedil;&atilde;o criminosa.<\/p>\n<p>O tribunal dever&aacute; decidir a partir das provas apresentadas e do direito alem&atilde;o. O julgamento n&atilde;o determinar&aacute; se as acusa&ccedil;&otilde;es internacionais contra Israel s&atilde;o juridicamente procedentes ou n&atilde;o. Seu objeto imediato &eacute; outro: estabelecer a responsabilidade penal dos cinco acusados pelos atos praticados em Ulm e avaliar se os argumentos apresentados pela defesa podem produzir efeitos jur&iacute;dicos no caso concreto.<\/p>\n<p>Com a decis&atilde;o agora esperada para janeiro de 2027, o processo dever&aacute; continuar sendo acompanhado n&atilde;o apenas pelo debate sobre a ind&uacute;stria de armamentos e o ativismo pr&oacute;-Palestina, mas tamb&eacute;m pela discuss&atilde;o sobre os limites da a&ccedil;&atilde;o direta, da desobedi&ecirc;ncia civil e da aplica&ccedil;&atilde;o do direito penal alem&atilde;o em um contexto de guerra internacional.<\/p>\n<h2>Refer&ecirc;ncias<\/h2>\n<p>AMNESTY INTERNATIONAL. <strong>Israel\/Occupied Palestinian Territory: &ldquo;You Feel Like You Are Subhuman&rdquo;: Israel&rsquo;s Genocide Against Palestinians in Gaza<\/strong>. London, 5 dez. 2024. Dispon&iacute;vel em: <a href=\"https:\/\/www.amnesty.org\/en\/documents\/mde15\/8668\/2024\/en\/?utm_source=chatgpt.com\" rel=\"nofollow\">Amnesty International<\/a>. Acesso em: 19 set. 2026.<\/p>\n<p>B&rsquo;TSELEM. <strong>B&rsquo;Tselem and Physicians for Human Rights Israel: Israel is committing genocide in the Gaza Strip<\/strong>. Jerusalem, 28 jul. 2025. Dispon&iacute;vel em: <a href=\"https:\/\/www.btselem.org\/press_releases\/20250728_our_genocide?utm_source=chatgpt.com\" rel=\"nofollow\">B&rsquo;Tselem<\/a>. Acesso em: 19 set. 2026.<\/p>\n<p>CORTE INTERNACIONAL DE JUSTI&Ccedil;A &mdash; CIJ. <strong>Application of the Convention on the Prevention and Punishment of the Crime of Genocide in the Gaza Strip (South Africa v. Israel)<\/strong>. Haia, 2024&ndash;. Dispon&iacute;vel em: <a href=\"https:\/\/www.icj-cij.org\/case\/192?utm_source=chatgpt.com\" rel=\"nofollow\">International Court of Justice<\/a>. Acesso em: 19 set. 2026.<\/p>\n<p>GRUNDRECHTEKOMITEE. <strong>Die eigentliche Gefahr liegt im Wort: Prozess in Stuttgart-Stammheim gegen die &ldquo;Ulm 5&rdquo;<\/strong>. Col&ocirc;nia, 26 maio 2026. Dispon&iacute;vel em: <a href=\"https:\/\/www.grundrechtekomitee.de\/details\/pressemitteilung-die-eigentliche-gefahr-liegt-im-wort-prozess-in-stuttgart-stammheim-gegen-die-ulm-5?utm_source=chatgpt.com\" rel=\"nofollow\">Grundrechtekomitee<\/a>. Acesso em: 19 set. 2026.<\/p>\n<p>HUMAN RIGHTS WATCH. <strong>Extermination and Acts of Genocide: Israel Deliberately Depriving Palestinians in Gaza of Water<\/strong>. New York, 19 dez. 2024. Dispon&iacute;vel em: <a href=\"https:\/\/www.hrw.org\/report\/2024\/12\/19\/extermination-and-acts-genocide\/israel-deliberately-depriving-palestinians-gaza?utm_source=chatgpt.com\" rel=\"nofollow\">Human Rights Watch<\/a>. Acesso em: 19 set. 2026.<\/p>\n<p>INTERNATIONAL ASSOCIATION OF GENOCIDE SCHOLARS &mdash; IAGS. <strong>IAGS Resolution on the Situation in Gaza<\/strong>. 2025. Dispon&iacute;vel em: <a href=\"https:\/\/genocidescholars.org\/publications\/resolutions\/?utm_source=chatgpt.com\" rel=\"nofollow\">IAGS &mdash; Resolutions<\/a>. Acesso em: 19 set. 2026.<\/p>\n<p>INTERNATIONAL CRIMINAL COURT &mdash; ICC. <strong>Situation in the State of Palestine: ICC Pre-Trial Chamber I rejects the State of Israel&rsquo;s challenges to jurisdiction and issues warrants of arrest for Benjamin Netanyahu and Yoav Gallant<\/strong>. Haia, 21 nov. 2024. Dispon&iacute;vel em: <a href=\"https:\/\/www.icc-cpi.int\/news\/situation-state-palestine-icc-pre-trial-chamber-i-rejects-state-israels-challenges?utm_source=chatgpt.com\" rel=\"nofollow\">International Criminal Court<\/a>. Acesso em: 19 set. 2026.<\/p>\n<p>UNITED NATIONS. <strong>Commission of Inquiry: Israeli authorities and Israeli security forces have committed and are continuing to commit genocide against the Palestinians in the Gaza Strip<\/strong>. Geneva, 16 set. 2025. Dispon&iacute;vel em: <a href=\"https:\/\/www.un.org\/unispal\/document\/commission-of-inquiry-report-genocide-in-gaza-a-hrc-60-crp-3\/?utm_source=chatgpt.com\" rel=\"nofollow\">United Nations &mdash; UNISPAL<\/a>. Acesso em: 19 set. 2026.<\/p>\n<p>ULM5.INFO. <strong>Die Ulm5 unterst&uuml;tzen!<\/strong> Berlim, 2026. Dispon&iacute;vel em: <a href=\"https:\/\/ulm5.info\/de\/?utm_source=chatgpt.com\" rel=\"nofollow\">Ulm5<\/a>. Acesso em: 19 set. 2026.<\/p>\n<p>ZDFHEUTE. SILALAHI, Pablo. <strong>Pro-Pal&auml;stina-Aktivisten: Darum geht es im Prozess gegen &ldquo;Ulm 5&rdquo;<\/strong>. Mainz, 30 jul. 2026. Dispon&iacute;vel em: <a href=\"https:\/\/www.zdfheute.de\/politik\/deutschland\/stuttgart-israel-palaestina-prozess-ulm-5-gaza-100.html?utm_source=chatgpt.com\" rel=\"nofollow\">ZDFheute<\/a>. Acesso em: 19 set. 2026.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cinco pessoas s\u00e3o julgadas em Stuttgart-Stammheim por invadir e danificar a f\u00e1brica alem\u00e3 da Elbit Systems, em Ulm. 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