{"id":1931,"date":"2026-09-01T01:01:33","date_gmt":"2026-09-01T04:01:33","guid":{"rendered":"https:\/\/tatianamendonca.com\/?p=1931"},"modified":"2026-08-15T10:20:27","modified_gmt":"2026-08-15T13:20:27","slug":"antikriegstag-entre-o-nunca-mais-a-staatsrson-e-a-alemanha-que-volta-a-se-armar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tatianamendonca.com\/desenvolvimento-global\/antikriegstag-entre-o-nunca-mais-a-staatsrson-e-a-alemanha-que-volta-a-se-armar\/","title":{"rendered":"01\/09\/2026 Antikriegstag: entre o \u2018Nunca Mais\u2019, a Staatsr\u00e4son e o rearmamento da Alemanha"},"content":{"rendered":"<h1>Antikriegstag: entre o \u2018Nunca Mais\u2019, a Staatsr\u00e4son e o rearmamento da Alemanha<\/h1>\n<p><em>Em 1\u00ba de setembro de 1939, a Alemanha nazista invadiu a Pol\u00f4nia e deu in\u00edcio \u00e0 Segunda Guerra Mundial na Europa. Oitenta e sete anos depois, o Antikriegstag encontra o pa\u00eds diante de outra transforma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica: a Alemanha amplia drasticamente seus gastos militares, pretende construir a for\u00e7a convencional mais poderosa da Europa, tornou-se o quarto maior exportador mundial de grandes sistemas de armas e \u00e9 um dos principais fornecedores militares da Ucr\u00e2nia e de Israel. Ao mesmo tempo, afirma investir em diplomacia e em uma ordem internacional baseada em regras. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 se a Alemanha deve permanecer indefesa. \u00c9 que tipo de pot\u00eancia pretende tornar-se \u2014 e se aplica aos aliados os mesmos princ\u00edpios que exige dos advers\u00e1rios.<\/em><\/p>\n<h2>Do \u201cNie wieder Krieg\u201d \u00e0 <em>Zeitenwende<\/em><\/h2>\n<p>O <strong>Antikriegstag<\/strong>, celebrado pelo movimento sindical alem\u00e3o desde 1957, n\u00e3o representa uma condena\u00e7\u00e3o abstrata de todas as guerras. Sua origem est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 responsabilidade hist\u00f3rica alem\u00e3. Em 1\u00ba de setembro de 1939, a Wehrmacht invadiu a Pol\u00f4nia como parte do projeto expansionista, racista e imperial do regime nazista.<\/p>\n<p>A mem\u00f3ria \u00e9 relevante porque guerras n\u00e3o come\u00e7am apenas quando o primeiro m\u00edssil \u00e9 lan\u00e7ado. Elas tamb\u00e9m s\u00e3o preparadas por discursos, constru\u00e7\u00e3o de inimigos, propaganda, expans\u00e3o de estruturas militares e normaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da ideia de que a viol\u00eancia ser\u00e1 inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Em 2026, a <strong>Confedera\u00e7\u00e3o Alem\u00e3 de Sindicatos (Deutscher Gewerkschaftsbund \u2013 DGB)<\/strong> escolheu para o Antikriegstag o lema <strong>\u201cFriedensf\u00e4hig statt kriegst\u00fcchtig\u201d<\/strong> \u2014 algo como \u201ccapaz de construir a paz, em vez de preparado para a guerra\u201d. A escolha responde diretamente a uma palavra que voltou ao centro da pol\u00edtica alem\u00e3: <em>kriegst\u00fcchtig<\/em>, utilizada pelo ministro da Defesa Boris Pistorius para defender uma <strong>Bundeswehr \u2014 as For\u00e7as Armadas alem\u00e3s \u2014<\/strong> preparada para combater.<\/p>\n<p>Essa transforma\u00e7\u00e3o come\u00e7ou politicamente com a <strong>Zeitenwende<\/strong> anunciada por Olaf Scholz depois da invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia, em fevereiro de 2022, mas avan\u00e7ou sob Friedrich Merz.<\/p>\n<p>Estudos recentes mostram que essa mudan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 apenas or\u00e7ament\u00e1ria. L\u00f6fflmann e Riemann interpretam a <em>Zeitenwende<\/em> como uma ruptura com uma identidade alem\u00e3 de p\u00f3s-guerra marcada pela conten\u00e7\u00e3o militar, pela <em>Ostpolitik<\/em> e pela ideia da Alemanha como pot\u00eancia sobretudo econ\u00f4mica e civil (L\u00d6FFLMANN; RIEMANN, 2026). O\u2019Neal, por sua vez, observa que a tradicional \u201ccultura de conten\u00e7\u00e3o\u201d alem\u00e3 n\u00e3o desapareceu, mas est\u00e1 sendo progressivamente reformulada diante de um ambiente europeu percebido como mais amea\u00e7ador (O\u2019NEAL, 2024).<\/p>\n<p>Merz deu \u00e0 mudan\u00e7a uma formula\u00e7\u00e3o particularmente ambiciosa:<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201cWir werden die Bundeswehr schnellstm\u00f6glich zur st\u00e4rksten konventionellen Armee Europas machen.\u201d<\/strong><br \/>\n\u201cFaremos da Bundeswehr, o mais rapidamente poss\u00edvel, o ex\u00e9rcito convencional mais forte da Europa.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>E sintetizou a l\u00f3gica da dissuas\u00e3o em sua primeira declara\u00e7\u00e3o de governo:<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201cWir wollen uns verteidigen k\u00f6nnen, damit wir uns nicht verteidigen m\u00fcssen.\u201d<\/strong><br \/>\n\u201cQueremos ser capazes de nos defender para que n\u00e3o precisemos nos defender.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>O argumento n\u00e3o \u00e9 desprovido de fundamento. A invas\u00e3o russa demonstrou que guerras de conquista territorial continuam poss\u00edveis na Europa. Mas isso n\u00e3o elimina uma quest\u00e3o hist\u00f3rica especificamente alem\u00e3: <strong>como conciliar uma expans\u00e3o acelerada do poder militar com uma cultura pol\u00edtica constru\u00edda depois de 1945 justamente em rea\u00e7\u00e3o ao militarismo?<\/strong><\/p>\n<h2>Mais de 100 bilh\u00f5es de euros e uma nova ind\u00fastria de defesa<\/h2>\n<p>A dimens\u00e3o da transforma\u00e7\u00e3o aparece no or\u00e7amento. Para 2026, o or\u00e7amento do Minist\u00e9rio Federal da Defesa prev\u00ea cerca de <strong>\u20ac82,7 bilh\u00f5es<\/strong>. Considerando a defini\u00e7\u00e3o federal mais ampla de gastos relacionados \u00e0 defesa e \u00e0 seguran\u00e7a, o total alcan\u00e7a aproximadamente <strong>\u20ac100,9 bilh\u00f5es<\/strong>.<\/p>\n<p>Merz tamb\u00e9m passou a tratar o rearmamento como pol\u00edtica industrial. Na Confer\u00eancia de Seguran\u00e7a de Munique de 2026, destacou novas f\u00e1bricas, empregos, tecnologias militares e o crescimento do setor de <em>defence-tech<\/em>.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o torna a ind\u00fastria de defesa ileg\u00edtima. Um Estado democr\u00e1tico necessita de meios para proteger seu territ\u00f3rio e cumprir compromissos de defesa coletiva. Mas cria um problema cl\u00e1ssico das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais: <strong>quanto maior a ind\u00fastria militar, maior tamb\u00e9m o conjunto de empresas, empregos, regi\u00f5es e investimentos economicamente dependentes da demanda por seguran\u00e7a e armamentos<\/strong>.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente por isso que o debate sobre defesa n\u00e3o pode limitar-se \u00e0 pergunta \u201cquanto gastar?\u201d, mas deve incluir \u201cpara qu\u00ea?\u201d, \u201cpara quem?\u201d e \u201csob quais controles?\u201d.<\/p>\n<h2>Do or\u00e7amento alem\u00e3o aos campos de batalha<\/h2>\n<p>A Alemanha foi respons\u00e1vel por aproximadamente <strong>5,7% das exporta\u00e7\u00f5es mundiais de grandes sistemas de armas entre 2021 e 2025<\/strong>, segundo o <strong>Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Stockholm International Peace Research Institute \u2013 SIPRI)<\/strong>, ocupando a quarta posi\u00e7\u00e3o mundial. A Ucr\u00e2nia respondeu por cerca de <strong>24% das exporta\u00e7\u00f5es alem\u00e3s<\/strong> nesse per\u00edodo (SIPRI, 2026).<\/p>\n<p>Equipamentos alem\u00e3es ou de origem alem\u00e3 n\u00e3o aparecem apenas na Ucr\u00e2nia. Foram empregados ou identificados tamb\u00e9m nas opera\u00e7\u00f5es israelenses, na ofensiva turca no norte da S\u00edria e, em epis\u00f3dios anteriores, em contextos relacionados ao conflito do I\u00eamen e \u00e0 viol\u00eancia das for\u00e7as de seguran\u00e7a no M\u00e9xico.<\/p>\n<p>No caso mexicano, aproximadamente dez mil fuzis G36 da Heckler &amp; Koch foram exportados ao pa\u00eds, e parte chegou ilegalmente a estados para os quais as entregas n\u00e3o haviam sido autorizadas, incluindo Guerrero. Armas desse modelo apareceram no contexto de Iguala\/Ayotzinapa, onde 43 estudantes desapareceram em 2014.<\/p>\n<p>O problema do <strong>Endverbleib<\/strong> \u2014 o destino final da arma depois de exportada \u2014 mostra que responsabilidade pol\u00edtica n\u00e3o termina automaticamente quando o material cruza a fronteira.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m existem obriga\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas. O <strong>Tratado sobre o Com\u00e9rcio de Armas (Arms Trade Treaty \u2013 ATT)<\/strong>, adotado pela Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas em 2013, estabelece que os Estados devem avaliar os riscos associados \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de armas convencionais. O <strong>artigo 6\u00ba<\/strong> prev\u00ea situa\u00e7\u00f5es em que uma transfer\u00eancia deve ser proibida, enquanto o <strong>artigo 7\u00ba<\/strong> exige que o Estado exportador avalie, antes da autoriza\u00e7\u00e3o, o risco de que o material possa contribuir para viola\u00e7\u00f5es graves do Direito Internacional Humanit\u00e1rio ou dos direitos humanos.<\/p>\n<p>A <strong>Posi\u00e7\u00e3o Comum 2008\/944\/PESC da Uni\u00e3o Europeia<\/strong>, atualizada em 2025, estabelece regras comuns para o controle das exporta\u00e7\u00f5es de tecnologia e equipamentos militares e determina que os Estados-membros considerem, entre outros crit\u00e9rios, o respeito aos direitos humanos e ao Direito Internacional Humanit\u00e1rio no pa\u00eds de destino.<\/p>\n<p>No direito interno, a <strong>Lei Fundamental da Rep\u00fablica Federal da Alemanha (Grundgesetz), que exerce a fun\u00e7\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o alem\u00e3<\/strong>, tamb\u00e9m estabelece limites. Seu <strong>artigo 26<\/strong> declara inconstitucionais atos praticados com a inten\u00e7\u00e3o de perturbar a conviv\u00eancia pac\u00edfica entre os povos, especialmente a prepara\u00e7\u00e3o de uma guerra de agress\u00e3o. O mesmo dispositivo determina que armas destinadas \u00e0 guerra somente podem ser fabricadas, transportadas e comercializadas com autoriza\u00e7\u00e3o do governo federal.<\/p>\n<h2>Ucr\u00e2nia: armas, autodefesa e diplomacia<\/h2>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o ucraniana possui uma base jur\u00eddica relativamente clara.<\/p>\n<p>O <strong>artigo 2\u00ba, par\u00e1grafo 4\u00ba, da Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/strong> pro\u00edbe a amea\u00e7a ou o uso da for\u00e7a contra a integridade territorial ou a independ\u00eancia pol\u00edtica de qualquer Estado. Ao mesmo tempo, o <strong>artigo 51 da Carta<\/strong> reconhece o direito inerente de autodefesa individual ou coletiva quando ocorre um ataque armado.<\/p>\n<p>A R\u00fassia iniciou uma invas\u00e3o em larga escala da Ucr\u00e2nia em 24 de fevereiro de 2022. Portanto, fornecer armamentos ao Estado atacado para que exer\u00e7a seu direito de autodefesa possui fundamento jur\u00eddico diferente do fornecimento de armas destinadas \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de uma guerra de agress\u00e3o.<\/p>\n<p>A Alemanha tornou-se um dos principais apoiadores de Kyiv. At\u00e9 agosto de 2026, o governo federal contabilizava mais de <strong>\u20ac43 bilh\u00f5es em apoio civil bilateral<\/strong> e aproximadamente <strong>\u20ac57,6 bilh\u00f5es em apoio militar disponibilizado ou previsto<\/strong>. Entre os equipamentos fornecidos est\u00e3o carros de combate Leopard 1 e 2, blindados Marder, sistemas antia\u00e9reos Gepard e IRIS-T, sistemas Patriot e obuses Panzerhaubitze 2000.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o significa que Berlim tenha simplesmente substitu\u00eddo diplomacia por armamentos.<\/p>\n<p>Poucos dias antes da invas\u00e3o, Scholz viajou a Moscou na tentativa de convencer Vladimir Putin a n\u00e3o iniciar a guerra. Em novembro de 2024, voltou a telefonar ao presidente russo \u2014 contato criticado por Volodymyr Zelenskyy, que temia o enfraquecimento do isolamento de Putin.<\/p>\n<p>Sob Merz, o apoio militar continuou, mas tamb\u00e9m as discuss\u00f5es sobre cessar-fogo e negocia\u00e7\u00e3o. Em junho de 2026, o chanceler declarou:<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201cEs ist jetzt Zeit, in ernsthafte Verhandlungen einzutreten. Jetzt liegt es an Moskau.\u201d<\/strong><br \/>\n\u201cAgora \u00e9 hora de entrar em negocia\u00e7\u00f5es s\u00e9rias. Agora depende de Moscou.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Sua estrat\u00e9gia combina dissuas\u00e3o, apoio militar, san\u00e7\u00f5es e negocia\u00e7\u00e3o. A literatura acad\u00eamica sobre a <em>Zeitenwende<\/em> ajuda a explicar essa aparente contradi\u00e7\u00e3o: a Alemanha n\u00e3o abandonou completamente sua tradi\u00e7\u00e3o multilateral e diplom\u00e1tica; est\u00e1 tentando acrescentar a ela uma capacidade militar muito maior (STENGEL, 2025; O\u2019NEAL, 2024).<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o relevante, portanto, n\u00e3o \u00e9 se houve diplomacia \u2014 houve. \u00c9 <strong>qual \u00e9 a propor\u00e7\u00e3o entre recursos militares e instrumentos dedicados \u00e0 preven\u00e7\u00e3o de conflitos, negocia\u00e7\u00e3o, controle de armamentos e reconstru\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a europeia<\/strong>.<\/p>\n<h2>Israel: Staatsr\u00e4son, armas e prote\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica<\/h2>\n<p>Israel apresenta um problema diferente.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 descrita por Berlim como uma rela\u00e7\u00e3o bilateral comum. Ela \u00e9 marcada pelo Holocausto e pela responsabilidade alem\u00e3 pelo assassinato de seis milh\u00f5es de judeus europeus. Berensk\u00f6tter e Mitrani mostram que mem\u00f3ria, reconcilia\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a de Israel formaram uma estrutura excepcional na rela\u00e7\u00e3o bilateral, que tamb\u00e9m se manifesta em coopera\u00e7\u00e3o militar e apoio alem\u00e3o a Israel em institui\u00e7\u00f5es multilaterais (BERENSK\u00d6TTER; MITRANI, 2022).<\/p>\n<p>Merz reafirmou essa posi\u00e7\u00e3o em maio de 2025:<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201cExistenz und Sicherheit des Staates Israel sind und bleiben unsere Staatsr\u00e4son.\u201d<\/strong><br \/>\n\u201cA exist\u00eancia e a seguran\u00e7a do Estado de Israel s\u00e3o e continuar\u00e3o sendo nossa raz\u00e3o de Estado.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Um m\u00eas depois, formulou-a novamente:<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201cUnsere Staatsr\u00e4son ist die Verteidigung des Staates Israel in seiner Existenz.\u201d<\/strong><br \/>\n\u201cNossa raz\u00e3o de Estado \u00e9 a defesa da exist\u00eancia do Estado de Israel.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>A quest\u00e3o pol\u00edtica come\u00e7a justamente depois dessa frase: <strong>defender a exist\u00eancia e a seguran\u00e7a de Israel significa apoiar at\u00e9 onde as pol\u00edticas de um governo israelense espec\u00edfico?<\/strong><\/p>\n<p>Entre 7 de outubro de 2023 e 13 de maio de 2025, Berlim autorizou aproximadamente <strong>\u20ac485 milh\u00f5es em exporta\u00e7\u00f5es de equipamentos militares para Israel<\/strong>. Entre novembro de 2025 e mar\u00e7o de 2026, foram autorizados cerca de <strong>\u20ac167 milh\u00f5es adicionais<\/strong>.<\/p>\n<p>O SIPRI estima que a Alemanha respondeu por aproximadamente <strong>31% das importa\u00e7\u00f5es israelenses de grandes sistemas de armas em 2021\u20132025<\/strong>. A rela\u00e7\u00e3o inclui navios, torpedos, motores e outros equipamentos; fragatas Sa\u2019ar 6 fornecidas pela Alemanha foram utilizadas durante a guerra de Gaza.&nbsp;Berlim \u00e9 um <strong>fornecedor militar estruturalmente importante para Israel<\/strong>.<\/p>\n<p>O apoio tamb\u00e9m \u00e9 diplom\u00e1tico.<\/p>\n<p>A Alemanha n\u00e3o possui poder de veto no Conselho de Seguran\u00e7a da <strong>Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU)<\/strong> e, portanto, n\u00e3o pode ser responsabilizada pelos vetos norte-americanos a resolu\u00e7\u00f5es sobre Gaza. Mas utiliza seu voto na Assembleia Geral, sua influ\u00eancia na <strong>Uni\u00e3o Europeia (UE)<\/strong> e sua rela\u00e7\u00e3o bilateral privilegiada.<\/p>\n<p>Em maio de 2024, por exemplo, a Assembleia Geral aprovou por <strong>143 votos contra 9, com 25 absten\u00e7\u00f5es<\/strong>, uma resolu\u00e7\u00e3o que considerava a Palestina qualificada para ades\u00e3o plena \u00e0 ONU e recomendava nova aprecia\u00e7\u00e3o pelo Conselho de Seguran\u00e7a. A Alemanha <strong>se absteve<\/strong>. Berlim continuou defendendo que o reconhecimento de um Estado palestino deveria ocorrer como resultado de um processo pol\u00edtico negociado.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o equivale a apoio alem\u00e3o autom\u00e1tico a Israel em todas as vota\u00e7\u00f5es. A Alemanha tamb\u00e9m apoiou resolu\u00e7\u00f5es cr\u00edticas \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o e, em 2025, a Declara\u00e7\u00e3o de Nova York sobre a solu\u00e7\u00e3o de dois Estados. Mas, em diversas ocasi\u00f5es, preferiu <strong>negocia\u00e7\u00e3o e press\u00e3o bilateral a san\u00e7\u00f5es ou medidas mais coercitivas<\/strong>.<\/p>\n<p>Essa prefer\u00eancia tamb\u00e9m aparece dentro da UE. O governo alem\u00e3o resistiu durante parte do conflito a algumas propostas de press\u00e3o econ\u00f4mica ampla contra Israel e apresentou os contatos estreitos com o governo israelense como um instrumento para influenci\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Nesse sentido, <strong>\u201cprote\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica\u201d<\/strong> \u00e9 uma descri\u00e7\u00e3o mais precisa do que simplesmente <strong>\u201clobby\u201d<\/strong>: a literatura acad\u00eamica j\u00e1 identificava, antes da guerra atual, a pr\u00e1tica alem\u00e3 de apoiar Israel em f\u00f3runs multilaterais, evitar determinadas cr\u00edticas p\u00fablicas e atuar nos bastidores entre Israel e seus cr\u00edticos (BERENSK\u00d6TTER; MITRANI, 2022).<\/p>\n<p>Mas a pol\u00edtica de Merz tamb\u00e9m apresentou limites.<\/p>\n<p>Em agosto de 2025, diante da expans\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es em Gaza, o chanceler suspendeu temporariamente autoriza\u00e7\u00f5es de exporta\u00e7\u00e3o de armamentos que pudessem ser utilizados no territ\u00f3rio:<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201cWir k\u00f6nnen nicht Waffen in einen Konflikt liefern, der jetzt ausschlie\u00dflich milit\u00e4risch gel\u00f6st werden soll.\u201d<\/strong><br \/>\n\u201cN\u00e3o podemos fornecer armas para um conflito que agora pretende ser resolvido exclusivamente por meios militares.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>A restri\u00e7\u00e3o foi retirada em novembro de 2025, ap\u00f3s o cessar-fogo, e as autoriza\u00e7\u00f5es voltaram a ser avaliadas individualmente.<\/p>\n<p>Em julho de 2026, Merz tamb\u00e9m advertiu Benjamin Netanyahu contra medidas que levassem a uma <strong>anexa\u00e7\u00e3o de fato da Cisjord\u00e2nia<\/strong>.<\/p>\n<p>Portanto, <em>Staatsr\u00e4son<\/em> n\u00e3o equivale juridicamente a um cheque em branco. Politicamente, por\u00e9m, permanece leg\u00edtimo perguntar se ela produz para Israel <strong>um grau de toler\u00e2ncia e prote\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica que n\u00e3o seria concedido a outros Estados<\/strong>.<\/p>\n<h2>Um Direito Internacional para advers\u00e1rios e aliados<\/h2>\n<p>\u00c9 aqui que a discuss\u00e3o sobre o Antikriegstag deixa de ser apenas alem\u00e3 e se torna uma quest\u00e3o de universalidade jur\u00eddica.<\/p>\n<p>O Direito Internacional n\u00e3o exige que todos os conflitos sejam tratados como se fossem iguais. Mas exige que as mesmas normas sejam aplicadas independentemente da identidade do aliado.<\/p>\n<p>As regras aplic\u00e1veis \u00e0 condu\u00e7\u00e3o das hostilidades est\u00e3o previstas nas <strong>Conven\u00e7\u00f5es de Genebra de 1949, em seus Protocolos Adicionais e no Direito Internacional Humanit\u00e1rio consuetudin\u00e1rio<\/strong>.<\/p>\n<p>O <strong>artigo 48 do Protocolo Adicional I \u00e0s Conven\u00e7\u00f5es de Genebra, de 1977<\/strong>, estabelece o princ\u00edpio da distin\u00e7\u00e3o: as partes em conflito devem distinguir permanentemente entre popula\u00e7\u00e3o civil e combatentes, bem como entre bens civis e objetivos militares.<\/p>\n<p>O <strong>artigo 52 do mesmo Protocolo<\/strong> determina que bens civis n\u00e3o podem ser objeto de ataque e define em quais circunst\u00e2ncias um bem pode transformar-se em objetivo militar.<\/p>\n<p>O <strong>artigo 51, par\u00e1grafo 5\u00ba, al\u00ednea \u201cb\u201d<\/strong>, pro\u00edbe ataques nos quais se possa esperar que as perdas civis incidentais sejam excessivas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vantagem militar concreta e direta prevista. J\u00e1 o <strong>artigo 57<\/strong> estabelece o dever de tomar todas as precau\u00e7\u00f5es poss\u00edveis para evitar ou, pelo menos, reduzir ao m\u00ednimo as perdas civis.<\/p>\n<p>Esses princ\u00edpios tamb\u00e9m s\u00e3o reconhecidos e sistematizados pelo <strong>Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha (CICV)<\/strong> como normas centrais do Direito Internacional Humanit\u00e1rio consuetudin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Isso ajuda a compreender a controv\u00e9rsia provocada por Annalena Baerbock em 2024. Ao discutir o uso militar de instala\u00e7\u00f5es civis pelo Hamas, a ent\u00e3o ministra afirmou:<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201cDann k\u00f6nnen auch zivile Orte ihren Schutzstatus verlieren.\u201d<\/strong><br \/>\n\u201cEnt\u00e3o locais civis tamb\u00e9m podem perder seu status de prote\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Juridicamente, um <strong>bem civil<\/strong> pode perder sua prote\u00e7\u00e3o espec\u00edfica contra ataques quando passa a preencher os requisitos de um objetivo militar previstos no <strong>artigo 52 do Protocolo Adicional I<\/strong>. Isso, por\u00e9m, <strong>n\u00e3o significa que as pessoas civis que estejam naquele local percam sua prote\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>Mesmo quando existe um objetivo militar leg\u00edtimo, continuam aplic\u00e1veis as regras de <strong>distin\u00e7\u00e3o, proporcionalidade e precau\u00e7\u00e3o<\/strong> previstas nos artigos 48, 51 e 57 do Protocolo Adicional I e reconhecidas pelo Direito Internacional Humanit\u00e1rio consuetudin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Essa distin\u00e7\u00e3o \u00e9 particularmente importante no debate alem\u00e3o porque a <em>Staatsr\u00e4son<\/em> \u00e9 uma <strong>doutrina pol\u00edtica<\/strong>, e n\u00e3o uma categoria jur\u00eddica superior \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es internacionais da Alemanha.<\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o de que a exist\u00eancia e a seguran\u00e7a de Israel constituem parte da <em>Staatsr\u00e4son<\/em> alem\u00e3 n\u00e3o cria uma exce\u00e7\u00e3o \u00e0s <strong>Conven\u00e7\u00f5es de Genebra<\/strong>, \u00e0 <strong>Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/strong>, ao <strong>Tratado sobre o Com\u00e9rcio de Armas<\/strong> ou \u00e0s demais obriga\u00e7\u00f5es internacionais assumidas pela Rep\u00fablica Federal da Alemanha.<\/p>\n<p>A <em>Staatsr\u00e4son<\/em> pode orientar decis\u00f5es pol\u00edticas. <strong>Ela n\u00e3o modifica as normas do Direito Internacional.<\/strong><\/p>\n<p>O mesmo racioc\u00ednio vale para a Ucr\u00e2nia. A agress\u00e3o russa n\u00e3o transforma civis russos em alvos leg\u00edtimos, assim como os crimes do Hamas n\u00e3o retiram direitos da popula\u00e7\u00e3o palestina.<\/p>\n<p>Se soberania e integridade territorial s\u00e3o fundamentais na Ucr\u00e2nia, precisam ser levadas a s\u00e9rio tamb\u00e9m nos territ\u00f3rios palestinos ocupados. Se crimes internacionais cometidos por advers\u00e1rios exigem responsabiliza\u00e7\u00e3o, a avalia\u00e7\u00e3o jur\u00eddica de aliados tamb\u00e9m precisa permanecer independente da alian\u00e7a pol\u00edtica.<\/p>\n<h2>Rearmamento, servi\u00e7o militar e resist\u00eancia interna<\/h2>\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o militar alem\u00e3 tamb\u00e9m produz conflito dentro do pr\u00f3prio pa\u00eds.<\/p>\n<p>O novo modelo de servi\u00e7o militar ampliou o recrutamento e criou mecanismos que podem permitir maior obrigatoriedade caso os n\u00fameros de volunt\u00e1rios sejam insuficientes ou a situa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a se agrave.<\/p>\n<p>Em <strong>8 de maio de 2026<\/strong>, anivers\u00e1rio do fim da Segunda Guerra Mundial na Europa, milhares de jovens participaram de manifesta\u00e7\u00f5es contra a poss\u00edvel expans\u00e3o da conscri\u00e7\u00e3o. Em Hamburgo, a pol\u00edcia contabilizou aproximadamente 2.300 participantes. Em Berlim, mais de mil segundo n\u00fameros policiais, com estimativas maiores dos organizadores.<\/p>\n<p>Cartazes traziam mensagens como <strong>\u201cBildung statt Bomben\u201d<\/strong> \u2014 \u201cEduca\u00e7\u00e3o em vez de bombas\u201d \u2014 e <strong>\u201cNie wieder Faschismus. Nie wieder Krieg.\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Isso n\u00e3o demonstra que toda a juventude alem\u00e3 rejeite a Bundeswehr. Demonstra algo mais b\u00e1sico: quando um Estado pretende ampliar significativamente sua capacidade de guerra e potencialmente convocar jovens para servir, essa decis\u00e3o precisa permanecer sujeita a disputa democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Como observa Stengel, a suposta tradi\u00e7\u00e3o \u201cpacifista\u201d alem\u00e3 sempre foi mais complexa do que uma recusa absoluta ao emprego da for\u00e7a (STENGEL, 2025). A Alemanha participou de opera\u00e7\u00f5es militares internacionais muito antes de 2022. A <em>Zeitenwende<\/em> representa uma mudan\u00e7a de escala, prioridade e discurso.<\/p>\n<h2>O \u201cNunca Mais\u201d precisa valer para todos<\/h2>\n<p>O passado alem\u00e3o n\u00e3o exige impot\u00eancia militar.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel sustentar simultaneamente que a R\u00fassia violou a <strong>proibi\u00e7\u00e3o do uso da for\u00e7a prevista no artigo 2\u00ba, par\u00e1grafo 4\u00ba, da Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/strong> ao invadir a Ucr\u00e2nia; que a Ucr\u00e2nia possui o <strong>direito de autodefesa reconhecido pelo artigo 51 da Carta<\/strong>; que Israel possui direito \u00e0 seguran\u00e7a; que os crimes cometidos pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 n\u00e3o retiram da popula\u00e7\u00e3o palestina a prote\u00e7\u00e3o conferida pelo Direito Internacional Humanit\u00e1rio; e que Estados aliados continuam submetidos \u00e0s mesmas normas internacionais aplic\u00e1veis aos advers\u00e1rios.<\/p>\n<p>O problema surge quando esses princ\u00edpios deixam de ser aplicados com o mesmo rigor.<\/p>\n<p>A prote\u00e7\u00e3o dos israelenses n\u00e3o pode depender da desprote\u00e7\u00e3o dos palestinos. A responsabilidade hist\u00f3rica alem\u00e3 perante o povo judeu n\u00e3o suspende obriga\u00e7\u00f5es internacionais. A solidariedade com a Ucr\u00e2nia n\u00e3o elimina a obriga\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de buscar caminhos diplom\u00e1ticos. E o fortalecimento da Bundeswehr n\u00e3o deveria tornar a guerra a \u00fanica linguagem dispon\u00edvel para a seguran\u00e7a europeia.<\/p>\n<p>L\u00f6fflmann e Riemann observam que a nova identidade militar alem\u00e3 continua tensionada justamente pela mem\u00f3ria de seu passado militarista (L\u00d6FFLMANN; RIEMANN, 2026). Essa tens\u00e3o n\u00e3o deveria ser tratada como fraqueza. Pode funcionar como controle democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>Uma democracia deve ser capaz de se defender. Mas uma democracia marcada pela experi\u00eancia hist\u00f3rica alem\u00e3 precisa tamb\u00e9m saber <strong>quando n\u00e3o utilizar for\u00e7a, para quem n\u00e3o vender armas, quando pressionar um aliado e quando investir seu poder pol\u00edtico na diplomacia antes que outra guerra pare\u00e7a inevit\u00e1vel<\/strong>.<\/p>\n<p>Merz afirma que a Alemanha precisa ser capaz de se defender para n\u00e3o ter de faz\u00ea-lo. <strong>O DGB responde que ela precisa ser <em>friedensf\u00e4hig<\/em>, n\u00e3o apenas <em>kriegst\u00fcchtig<\/em>.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1>Refer\u00eancias<\/h1>\n<p>ALEMANHA. <strong>Grundgesetz f\u00fcr die Bundesrepublik Deutschland: Artikel 26<\/strong>. Berlim: Bundesministerium der Justiz, 1949. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.gesetze-im-internet.de\/gg\/art_26.html\">https:\/\/www.gesetze-im-internet.de\/gg\/art_26.html<\/a><br \/>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>ALEMANHA. Bundesregierung. <strong>Erste Regierungserkl\u00e4rung von Bundeskanzler Friedrich Merz<\/strong>. Berlim, 14 maio 2025. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.bundesregierung.de\/breg-de\/aktuelles\/erste-regierungserklaerung-kanzler-merz-2347354\">https:\/\/www.bundesregierung.de\/breg-de\/aktuelles\/erste-regierungserklaerung-kanzler-merz-2347354<\/a><br \/>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>ALEMANHA. Bundesregierung. <strong>Rede von Bundeskanzler Friedrich Merz auf der M\u00fcnchner Sicherheitskonferenz 2026<\/strong>. Berlim, 13 fev. 2026. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.bundesregierung.de\/breg-de\/aktuelles\/rede-kanzler-msc-2407218\">https:\/\/www.bundesregierung.de\/breg-de\/aktuelles\/rede-kanzler-msc-2407218<\/a><br \/>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>ALEMANHA. Bundesregierung. <strong>Germany\u2019s support for Ukraine<\/strong>. Berlim, atualiza\u00e7\u00e3o de 3 ago. 2026. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.bundesregierung.de\/breg-en\/news\/germany-aid-for-ukraine-2192480\">https:\/\/www.bundesregierung.de\/breg-en\/news\/germany-aid-for-ukraine-2192480<\/a><br \/>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>ALEMANHA. Bundesregierung. <strong>Statement by Federal Chancellor Friedrich Merz on the development in Gaza<\/strong>. Berlim, 8 ago. 2025. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.bundesregierung.de\/breg-en\/news\/statement-by-federal-chancellor-friedrich-merz-on-the-development-in-gaza-2377368\">https:\/\/www.bundesregierung.de\/breg-en\/news\/statement-by-federal-chancellor-friedrich-merz-on-the-development-in-gaza-2377368<\/a><br \/>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>ALEMANHA. Bundesregierung. <strong>Bundeskanzler Merz telefoniert mit dem israelischen Ministerpr\u00e4sidenten Netanjahu<\/strong>. Berlim, 9 jul. 2026. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.bundesregierung.de\/breg-de\/aktuelles\/bundeskanzler-merz-telefoniert-mit-dem-israelischen-ministerpraesidenten-netanjahu-2446526\">https:\/\/www.bundesregierung.de\/breg-de\/aktuelles\/bundeskanzler-merz-telefoniert-mit-dem-israelischen-ministerpraesidenten-netanjahu-2446526<\/a><br \/>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>ALEMANHA. Bundesministerium der Finanzen. <strong>Sollbericht 2026: Verteidigung und Sicherheit<\/strong>. Berlim, 2026. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.bundesfinanzministerium.de\/Monatsberichte\/Ausgabe\/2026\/02\/Inhalte\/Kapitel-2-Analysen\/2-3-sollbericht-2026.html\">https:\/\/www.bundesfinanzministerium.de\/Monatsberichte\/Ausgabe\/2026\/02\/Inhalte\/Kapitel-2-Analysen\/2-3-sollbericht-2026.html<\/a><br \/>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>ALEMANHA. Deutscher Bundestag. <strong>R\u00fcstungsexporte nach Israel: 2023\u20132025<\/strong>. Berlim, 2025. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.bundestag.de\/presse\/hib\/kurzmeldungen-1082536\">https:\/\/www.bundestag.de\/presse\/hib\/kurzmeldungen-1082536<\/a><br \/>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>ALEMANHA. Deutscher Bundestag. <strong>Waffenexporte nach Israel: novembro de 2025 a mar\u00e7o de 2026<\/strong>. Berlim, 2026. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.bundestag.de\/presse\/hib\/kurzmeldungen-1178776\">https:\/\/www.bundestag.de\/presse\/hib\/kurzmeldungen-1178776<\/a><br \/>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>ALEMANHA. Ausw\u00e4rtiges Amt. <strong>Rede de Annalena Baerbock no Deutscher Bundestag<\/strong>. Berlim, 10 out. 2024. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.auswaertiges-amt.de\/de\/newsroom\/2679468-2679468\">https:\/\/www.auswaertiges-amt.de\/de\/newsroom\/2679468-2679468<\/a><br \/>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>BERENSK\u00d6TTER, Felix; MITRANI, Mor. <strong>Is it friendship? An analysis of contemporary German\u2013Israeli relations<\/strong>. <em>International Studies Quarterly<\/em>, v. 66, n. 1, sqac001, 2022. DOI: 10.1093\/isq\/sqac001. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/isq\/article\/66\/1\/sqac001\/6529741\">https:\/\/academic.oup.com\/isq\/article\/66\/1\/sqac001\/6529741<\/a><br \/>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>COMIT\u00ca INTERNACIONAL DA CRUZ VERMELHA \u2013 CICV. <strong>Protocol Additional to the Geneva Conventions of 12 August 1949 (Protocol I)<\/strong>. Genebra, 8 jun. 1977. Arts. 48, 51, 52 e 57. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/ihl-databases.icrc.org\/en\/ihl-treaties\/api-1977\">https:\/\/ihl-databases.icrc.org\/en\/ihl-treaties\/api-1977<\/a><br \/>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>DEUTSCHER GEWERKSCHAFTSBUND \u2013 DGB. <strong>Antikriegstag 2026: Friedensf\u00e4hig statt kriegst\u00fcchtig<\/strong>. Berlim, 2026. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.dgb.de\/aktuelles\/news\/antikriegstag-2026-friedensfaehig-statt-kriegstuechtig\/\">https:\/\/www.dgb.de\/aktuelles\/news\/antikriegstag-2026-friedensfaehig-statt-kriegstuechtig\/<\/a><br \/>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>L\u00d6FFLMANN, Georg; RIEMANN, Malte. <strong>\u2018If I could turn back time\u2019: temporal security narratives, ontological disruption, and Germany\u2019s Zeitenwende<\/strong>. <em>European Journal of International Security<\/em>, v. 11, n. 3, p. 460\u2013478, 2026. DOI: 10.1017\/eis.2025.10008. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/european-journal-of-international-security\/article\/if-i-could-turn-back-time-temporal-security-narratives-ontological-disruption-and-germanys-zeitenwende\/E49394BAB427E4DA0549926CC5FE5EA3\">https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/european-journal-of-international-security\/article\/if-i-could-turn-back-time-temporal-security-narratives-ontological-disruption-and-germanys-zeitenwende\/E49394BAB427E4DA0549926CC5FE5EA3<\/a><br \/>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>NA\u00c7\u00d5ES UNIDAS. <strong>Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/strong>. S\u00e3o Francisco, 26 jun. 1945. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.un.org\/en\/about-us\/un-charter\/full-text\">https:\/\/www.un.org\/en\/about-us\/un-charter\/full-text<\/a><br \/>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>NA\u00c7\u00d5ES UNIDAS. <strong>Arms Trade Treaty<\/strong>. Nova York, 2 abr. 2013. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/treaties.un.org\/doc\/treaties\/2013\/04\/20130410%2012-01%20pm\/ch_xxvi_08.pdf\">https:\/\/treaties.un.org\/doc\/treaties\/2013\/04\/20130410%2012-01%20pm\/ch_xxvi_08.pdf<\/a><br \/>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>O\u2019NEAL, Molly. <strong>Zeitenwende, Europe and Germany\u2019s culture of restraint<\/strong>. <em>The International Spectator<\/em>, v. 59, n. 2, 2024. DOI: 10.1080\/03932729.2024.2331547. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/abs\/10.1080\/03932729.2024.2331547\">https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/abs\/10.1080\/03932729.2024.2331547<\/a><br \/>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>SIPRI \u2013 STOCKHOLM INTERNATIONAL PEACE RESEARCH INSTITUTE. <strong>Trends in International Arms Transfers, 2025<\/strong>. Estocolmo: SIPRI, 2026. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.sipri.org\/publications\/2026\/sipri-fact-sheets\/trends-international-arms-transfers-2025\">https:\/\/www.sipri.org\/publications\/2026\/sipri-fact-sheets\/trends-international-arms-transfers-2025<\/a><br \/>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>SIPRI \u2013 STOCKHOLM INTERNATIONAL PEACE RESEARCH INSTITUTE. <strong>How top arms exporters have responded to the war in Gaza: 2025 update<\/strong>. Estocolmo, 2025. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.sipri.org\/commentary\/topical-backgrounder\/2025\/how-top-arms-exporters-have-responded-war-gaza-2025-update\">https:\/\/www.sipri.org\/commentary\/topical-backgrounder\/2025\/how-top-arms-exporters-have-responded-war-gaza-2025-update<\/a><br \/>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>STENGEL, Frank A. <strong>German \u201cpacifism\u201d and the Zeitenwende<\/strong>. <em>Defence Studies<\/em>, 2025. DOI: 10.1080\/14751798.2025.2513782. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/abs\/10.1080\/14751798.2025.2513782\">https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/abs\/10.1080\/14751798.2025.2513782<\/a><br \/>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>UNI\u00c3O EUROPEIA. Conselho da Uni\u00e3o Europeia. <strong>Common Position 2008\/944\/CFSP defining common rules governing control of exports of military technology and equipment<\/strong>, com altera\u00e7\u00f5es da Decis\u00e3o (PESC) 2025\/779. Bruxelas, 2008-2025. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/eur-lex.europa.eu\/legal-content\/EN\/TXT\/PDF\/?uri=CELEX:02008E0944-20250415\">https:\/\/eur-lex.europa.eu\/legal-content\/EN\/TXT\/PDF\/?uri=CELEX:02008E0944-20250415<\/a><br \/>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n<p>UNITED NATIONS. General Assembly. <strong>Admission of new Members to the United Nations: Palestine<\/strong>. Nova York, 10 maio 2024. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.un.org\/unispal\/document\/general-assembly-meeting-coverage-10may24\/\">https:\/\/www.un.org\/unispal\/document\/general-assembly-meeting-coverage-10may24\/<\/a><br \/>\nAcesso em: 15 ago. 2026.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antikriegstag: entre o \u2018Nunca Mais\u2019, a Staatsr\u00e4son e o rearmamento da Alemanha Em 1\u00ba de setembro de 1939, a Alemanha nazista invadiu a Pol\u00f4nia e deu in\u00edcio \u00e0 Segunda Guerra Mundial na Europa. 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